quarta-feira, 24 de junho de 2015

Sobre o dia em que Vislumbrei o fim.

Ontem, sentado num cubo vermelho e cercado de vidro, tive um vislumbre do futuro. Como todo bom oráculo, me mostrou o suficiente pra secar minhas certezas e criar dúvidas onde antes havia apenas paz.

E, o futuro (de ontem, porque, podemos mudar hoje e o futuro ser outro amanhã) não era dos melhores. E a mudança necessária só acontecerá depois do fim.

Estou num caminho (estrada, trilho ou trilha) e ando lado a lado com outro alguém, mas não sou eu quem guia. A pessoa que guia, que pode ser o outro alguém, está cercada de outras pessoas, mas ela não enxerga essas pessoas, e essas pessoas não enxergam o caminho, mas, exercem influência em como essa pessoa guia. Essas pessoas embaralham o caminho, o enchem de bifurcações onde antes existiam apenas curvas e obstáculos, e oferecem atalhos. Olhe bem, o caminho nunca foi fácil, mas o caminho era por si só a própria escolha fundamental.

Agora o caminho deixou de ser a escolha e passou a ser repleto de escolhas, e mil vozes gritam direções, eu aperto sua mão, mas estou mudo. Não tenho voz, nem expressão, e choro e grito e você não vê, ainda.

O futuro me mostrou uma escolha errada, numa bifurcação que não existia. Saímos do caminho e só vimos quando caímos. Nossas mãos se distanciaram. Eu te gritava mas outras vozes cegavam seus ouvidos. Quando enfim o silêncio chegou, tudo que ouvira fora ecos. As vozes tinham sumido e com elas a cegueira, de olhos e ouvidos abertos você enxergou o caminho, e viu quem te cercava, e os viu por inteiro, e entendeu. Mas agora já era o depois do fim.

Estaríamos prontos pra (re)recomeçar, ou pronto, seria esse o ponto final?

terça-feira, 23 de junho de 2015

Menina...
Para de ficar procurando motivo pra se esconder. A vida é pra ser vivida, vívida-mente. E viver é se jogar, cair e se levantar, é sorrir e chorar, sofrer e amar.

Sobre Reinventar-se (Facebook.com\mota.fernando em 22/05/2015)



As vezes acho que cansei de mim mesmo.
Preciso me reinventar.
Vou procurar no lixo tudo que já joguei fora,
Colocar ao lado de tudo que quero adicionar,
Quero fazer anotações em cada ferida cicatrizada,
E deixar as abertas sangrar.
Quero escrever em pedras aquilo que errei,
E com lápis no carvão meus grandes acertos.
Quero um sorriso novo, pra cada tapa que levei.
Quero aprender a sorrir para fotos,
Quem sabe brincar de ser o que não sou,
de saber o que não sei.
(Olho pros lado, e parece dar tão certo)
Quero me reinventar.
Cansei de ser safado e romântico,
E de ser extramente bom nas duas.
Quero uma nova cara, uma nova fama, duas novas camas.
Quero acordar de noite e dormir de dia.
Encontrar meu eu do passado, e, debochá-lo:
- Parabéns.
Vou escrever meus sonhos nas Nuvens,
E desenhar meus medos nas janelas.
Descobrir minha fera interior,
E retirar dela todas as correntes.
Quero aprender a errar,
Aprender a não pensar.
Vou me reinventar.
Misturarei tudo que já disse,
com tudo aquilo que silenciei,
Ao terminar tudo,
Se olhar no espelho e não gostar,
Vou de novo me reinventar.
Dessa vez me espelharei em tudo que mais odeio,
E misturarei com todos meus defeitos.
Se de tudo não der certo,
vou de novo me re-re-inventar. E,
dessa vez.
Quero ser apenas tolo,
e nunca, jamais, pensar.


- F. Mota


"É que sou poeta, e poeta é louco."

Do facebook (29/05/2015)



É que briguei feio, amor. Briguei com as palavras. A gente tinha uma relação legal, sabe? Brincávamos quase todos os dias, o dia todo. Nos embebedávamos um do outro... Mas, de um tempo pra cá, as palavras me traíram (ou eu as traí, não sei.) e fui abandonado. Agora, só me visitam quando apanho, me machuco, sangro.

E se sangro, elas vem como que correndo, num turbilhão, se enrolam em mim, envoltas em meu sangue e brincam de lamber as feridas e me olhar nos olhos, como se quisessem me consolar.

Ah, amor... Que saudade de quando discutíamos as banalidades da vida, e fazíamos joça das presunções, sentidos e sentimentos. Que saudade de escrever sem chorar e ler sem sentir dor.

Ah, amor... que saudade de amar.