sábado, 22 de agosto de 2015

Sobre a Vida

Faz tempo que cheguei a conclusão que não sou habilitado a falar sobre amor. Entretanto, como ser vivo (que vive e sobrevive), me acho devidamente habilitado para escrever sobre coisas da vida e sobre a vida em si (caso alguém diga que amor é coisa da vida, tá enganado. E se eu fosse falar sobre amor, diria que ele não se encaixa em "coisas da vida", porque ele está além D’ela.)
Falando pois, sobre a vida, me lembro de um texto recente onde cheguei a conclusão de que a vida é sobre perguntas e escolhas, nesse caso, complemento o que digo: Viver é fazer escolhas. Saber viver é saber curtir as consequências dessas escolhas.
Explicando: o que define a sua vida, é o caminho que você escolhe seguir, e esse caminho é feito pelas escolhas que você faz, o destino (ou os destinos, porque durante todo caminho, cada esquina é um destino) são as pequenas consequências.
Assim, por mais que as escolhas definam sua vida, a qualidade dela é decidida pela forma que você lida com cada destino.
Andando cabisbaixo pela cidade, você nunca verá o Art-decó perdido em meio a prédios sem graça, em fachadas antigas e esquecidas. Nunca verá nosso céu azul, sempre tão limpo e belo, nossas obras de artes nos arranha-céus, a poesia da vida.
Viver é sobre escolhas, sorrir da vida é sobre como lidar com as consequências das escolhas;

Você pode não saber pintar ou não saber dançar, não entender de armonia de tintas, de movimentos de dança... Mas, se em uma esquina se sujar de tinta, a chuva cair e sua música tocar, o que te impede de se deliciar com as cores? De dançar na chuva? De sorrir?

Eu, particularmente, escolho sorrir.

E viva à imprevisível poesia da vida.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Sobre o dia em que Vislumbrei o fim.

Ontem, sentado num cubo vermelho e cercado de vidro, tive um vislumbre do futuro. Como todo bom oráculo, me mostrou o suficiente pra secar minhas certezas e criar dúvidas onde antes havia apenas paz.

E, o futuro (de ontem, porque, podemos mudar hoje e o futuro ser outro amanhã) não era dos melhores. E a mudança necessária só acontecerá depois do fim.

Estou num caminho (estrada, trilho ou trilha) e ando lado a lado com outro alguém, mas não sou eu quem guia. A pessoa que guia, que pode ser o outro alguém, está cercada de outras pessoas, mas ela não enxerga essas pessoas, e essas pessoas não enxergam o caminho, mas, exercem influência em como essa pessoa guia. Essas pessoas embaralham o caminho, o enchem de bifurcações onde antes existiam apenas curvas e obstáculos, e oferecem atalhos. Olhe bem, o caminho nunca foi fácil, mas o caminho era por si só a própria escolha fundamental.

Agora o caminho deixou de ser a escolha e passou a ser repleto de escolhas, e mil vozes gritam direções, eu aperto sua mão, mas estou mudo. Não tenho voz, nem expressão, e choro e grito e você não vê, ainda.

O futuro me mostrou uma escolha errada, numa bifurcação que não existia. Saímos do caminho e só vimos quando caímos. Nossas mãos se distanciaram. Eu te gritava mas outras vozes cegavam seus ouvidos. Quando enfim o silêncio chegou, tudo que ouvira fora ecos. As vozes tinham sumido e com elas a cegueira, de olhos e ouvidos abertos você enxergou o caminho, e viu quem te cercava, e os viu por inteiro, e entendeu. Mas agora já era o depois do fim.

Estaríamos prontos pra (re)recomeçar, ou pronto, seria esse o ponto final?

terça-feira, 23 de junho de 2015

Menina...
Para de ficar procurando motivo pra se esconder. A vida é pra ser vivida, vívida-mente. E viver é se jogar, cair e se levantar, é sorrir e chorar, sofrer e amar.

Sobre Reinventar-se (Facebook.com\mota.fernando em 22/05/2015)



As vezes acho que cansei de mim mesmo.
Preciso me reinventar.
Vou procurar no lixo tudo que já joguei fora,
Colocar ao lado de tudo que quero adicionar,
Quero fazer anotações em cada ferida cicatrizada,
E deixar as abertas sangrar.
Quero escrever em pedras aquilo que errei,
E com lápis no carvão meus grandes acertos.
Quero um sorriso novo, pra cada tapa que levei.
Quero aprender a sorrir para fotos,
Quem sabe brincar de ser o que não sou,
de saber o que não sei.
(Olho pros lado, e parece dar tão certo)
Quero me reinventar.
Cansei de ser safado e romântico,
E de ser extramente bom nas duas.
Quero uma nova cara, uma nova fama, duas novas camas.
Quero acordar de noite e dormir de dia.
Encontrar meu eu do passado, e, debochá-lo:
- Parabéns.
Vou escrever meus sonhos nas Nuvens,
E desenhar meus medos nas janelas.
Descobrir minha fera interior,
E retirar dela todas as correntes.
Quero aprender a errar,
Aprender a não pensar.
Vou me reinventar.
Misturarei tudo que já disse,
com tudo aquilo que silenciei,
Ao terminar tudo,
Se olhar no espelho e não gostar,
Vou de novo me reinventar.
Dessa vez me espelharei em tudo que mais odeio,
E misturarei com todos meus defeitos.
Se de tudo não der certo,
vou de novo me re-re-inventar. E,
dessa vez.
Quero ser apenas tolo,
e nunca, jamais, pensar.


- F. Mota


"É que sou poeta, e poeta é louco."

Do facebook (29/05/2015)



É que briguei feio, amor. Briguei com as palavras. A gente tinha uma relação legal, sabe? Brincávamos quase todos os dias, o dia todo. Nos embebedávamos um do outro... Mas, de um tempo pra cá, as palavras me traíram (ou eu as traí, não sei.) e fui abandonado. Agora, só me visitam quando apanho, me machuco, sangro.

E se sangro, elas vem como que correndo, num turbilhão, se enrolam em mim, envoltas em meu sangue e brincam de lamber as feridas e me olhar nos olhos, como se quisessem me consolar.

Ah, amor... Que saudade de quando discutíamos as banalidades da vida, e fazíamos joça das presunções, sentidos e sentimentos. Que saudade de escrever sem chorar e ler sem sentir dor.

Ah, amor... que saudade de amar.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Epopeia da Via Crúcis de um Plebeu



Dizem que só temos do mundo aquilo que julgamos merecer. Se isso é verdade, não há prova maior de que toda minha (possível) arrogância, marra e orgulho é só pose. Se do mundo só temos aquilo que julgamos merecer, isso explica porque tenho o que tenho.


Os últimos 3 anos (esse será o 4º) tem sido marcados para mim com uma constância de eventos particularmente incômoda: Cerca de 1 mês antes de do meu aniversário, as coisas começam a dar errado, minha vida vira de pernas pro ar, e, nos últimos 3 anos, entre os 6 primeiros meses do ano, posso sempre tirar 3 ou 4 pra lista de piores meses da minha vida (ou seja, somados já tenho quase 1 ano). Meses que se eu pudesse esqueceria, a lá "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças". Como bom paranoico que sou, observei isso na segunda vez que aconteceu. Na terceira, fiz tudo que pude para não cometer os mesmos erros, não ferrar com tudo no mês de fevereiro, e, no dia 23 de fevereiro, pude sentar e assistir a obra de Dante Alighieri na minha própria vida.


Nessa que seria a quarta vez, me prometi não pensar nisso há 6 meses atrás, numa doce ilusão de que tudo não passava de uma obra da minha mente paranoica. E quase fui convencido disso... Faltavam pouco mais de 2 meses para o fatídico dia, e eu nunca havia me sentido tão feliz em toda minha história. Fazia planos, inclusive, uma sequência de atitudes que colocaria o mês do meu nome de volta no ponto de "mês mais feliz do ano". Eu acreditava que com isso, quebraria a "maldição". Mentira, eu acreditei já ter quebrado a maldição. Maldição. Não devia ter me lembrado da tristeza no momento de glória, pois agora, sou obrigado a abraçar e citar Dante (e falo apenas Dante, com a intimidade conseguida quando se compartilha uma dor) "Não há maior dor do que a de nos recordarmos dos dias felizes quando estamos na miséria.". Sabias palavras, dante.


Continuando minha própria epopeia de terror, dei início mesmo sem perceber à série de eventos que de novo, repetirá o feito dos últimos 3 anos. Caminho para o mesmo penhasco de novo, sabendo que o faço, enxergando o caminho que tenho a frente e o caminho que deixei pra trás, e, por mais que tente, não consigo mudar. Me sinto preso a um trem, sem maquinista, num trilho que não controlo indo para um lugar que não queria ir, sem as pessoas que eu gostaria que estivessem ao meu lado.


Além disso, não sei o que faria se pulasse desse trem. Não sei para onde ir além do penhasco, não vejo nada além de uma queda que dura uma eternidade, intercalada por pequenos vôos entre uma pedra e outra, onde me sinto livre e feliz, até minha face beijar o chão, minhas pernas rolarem sobre meu corpo e eu continuar a cair...


E, eu não consigo sequer culpar a qualquer outra pessoa por tudo isso. Sou apenas eu e meus eus, eu e meus erros, culpados. Aprendi desde sempre a importância de perdoar as pessoas que nos cercam, infelizmente, ninguém nunca me disse a importância de perdoar nossos próprios erros.


Assim, nos próximos 14 dias percorro minha via crúcis particular, com direito a crucificação interior, com data certa para a ressurreição, mas, mais uma vez, sem ressurreição, sem pázcoa, sem nada. De hoje a 14 dias, será dia 20. E com mais 3, 23. E aos 23 desse mês farei meus 26 anos. Sem retrospectiva, sem glória, sem saber nada mais do que sabia quando tinha 20. Ou quando tinha 6.


O Jardim do Éden é apenas o homem culpando a cobra por sua sede de conhecimento. A expulsão do paraíso é simplesmente olhar o mundo como ele é. O pecado original, meus caros, é o conhecimento. E eu queria saber menos, pensar menos, perguntar menos, e ser mais feliz.


Por fim, "Ser feliz é bem melhor que ser Rei".


Pós fim: Mantenho pôs, minha pose de arrogância ao dizer que nada do que sinto há de mudar. Na certeza que tenho sobre não saber quase nada, afirmo com propriedade sobre as coisas que sei. E embora não saiba o que sou, o que quero ou para onde vou... Eu sei o que sinto. E você também o sabe.





"Era uma vez um garoto. Camponês. Apaixonado pelas estrelas, pelos céus, pelas grandes viagens e grandes descobertas. Queria conhecer o mundo e por o mundo em suas mãos. Sempre sonhara em ser astronauta, em tocar as estrelas, beijar a lua e ser feliz. Que pena. Na sua nave montada no topo de sua arvore, construída por ele mesmo, desde criança, viajava e conhecia o mundo, as estrelas, as tocava e as amava. Mas, ele gostara tanto daquilo, que sempre se esquecia do que era, de aonde estava e para onde iria. Ele era apenas um camponês. Plebeu. Estava no chão. As estrelas não o amavam e a lua não o queria. Ele nunca havia beijado a lua, e não conhecia o gosto do amor. Seus sonhos eram apenas sonhos. A nave era um sonho. E ele sempre acordava. Chorando, mas acordava.


Eu sou o garoto.


Vocês são as estrelas.


Meu corpo é a arvore.


A nave são meus valores.


E não sei o que é amar. (07/03/2010)"