sexta-feira, 14 de junho de 2013

Arnaldo Jabour- Imbecil ou calhorda?





Arnaldo Jabour fez por esses dias um comentário pra lá de infeliz no seu jornal. Não que eu o considere um sujeito de boas opiniões, ou que esperasse dele uma postura coerente sobre as manifestações populares, mas o que disse Jabour beira ao ridículo e nos obriga a nos perguntarmos se ele foi só imbecil ou profundamente canalha.
Jabour abriu a boca não para emitir uma opinião crítica sobre o assunto, mas para se aproveitar da sua posição de figura intelectual (afinal, já foi cineasta, e cinema é coisa de intelectual, né não?) para atacar sorrateiramente as manifestações contra a alta das tarifas de ônibus e jogar os milhões de populares que assistem a Rede Globo a favor do Estado e da Polícia violenta e contra a outra parte da população que, cansada de ser escorchada, deu a cara a tapa.
Para começar, ele diz que violência parecida só se viu quando o PCC, organização criminosa, resolveu atacar São Paulo pra mostrar seu poder. Não é à toa que se faz esse tipo de comparação: manifestantes = criminosos. Afinal de contas, para os donos do poder, qualquer ação contra a hegemonia é uma infração.
 Em um dos momentos do discurso, o crítico do JN disse, com a cara mais deslavada dos covardes, que era visível que a maioria dos manifestantes era de filhos da classe média, e que aqueles 20 centavos não fariam nenhuma falta pra eles.  Mas Jabour, então é isso? Você só pode lutar pelas causas que te beneficiam diretamente? Então eu não posso defender o direito do mais pobre se eu ganhar três salários mínimos em vez de um só? Afinal de contas, uma das formas de pensar o convívio em sociedade não é aquela em que o indivíduo defende seus próprios interesses ao mesmo tempo em que contribui para o bem estar da maioria?
Fico imaginando se esse senhor, tão bem formado e tão respeitado pela sua “inteligência”, estivesse vivo nos efervescentes anos que antecederam a lei áurea. Provavelmente teria criticado os Caifases e diria sobre José de Alencar, Ruy Barbosa e outros: “Esses aí só estão lá pela baderna! Nem sequer são negros!”.
Mais pra frente, Arnaldo Jabour continua com suas elucubrações fajutas com um dos piores argumentos anti-qualquer-manifestação-que-seja. Ele diz algo como: “Esses centavos não vão fazer falta, por que ninguém reclama contra a aprovação da PEC 37?”. Opa! Então uma causa inviabiliza a outra? É assim que se deve pensar? Vejamos onde daria esse tipo de raciocínio:
“Por que protestar contra a passagem, se tem uma manobra pra aprovar uma PEC que vai facilitar a vida dos corruptos?” / “Mas como manifestar contra essa PEC se tem tanto problema na saúde pública?” / “E adianta reclamar por saúde se a violência está como está? Temos que protestar por segurança?” / “Segurança? Você classe média só está pensando em segurança, enquanto milhares morrem de fome...” / “Fome... mas a grande causa da fome é a corrupção, e essa PEC 37...”. E assim se volta à estaca zero, numa esperta estratégia de jogar os interessados em boas mudanças contra os interessados em outras boas mudanças.
E no final disso tudo, a gente precisa se perguntar: será que ele conseguiu mesmo ser tão imbecil ou foi um mau-caráter por profissão?

Link pra matéria: http://g1.globo.com/jornal-da-globo/videos/t/edicoes/v/arnaldo-jabor-fala-sobre-onda-de-protestos-contra-aumento-nas-tarifas-de-onibus/2631566/