terça-feira, 24 de julho de 2012

Saudade, Salto, Salto da Saudade. Ou só o salto. Mas, to com saudade...

Estou com saudades. Muitas saudades. Mas, não quero escrever sobre saudades.
Quer dizer, não dessa saudade.

As vezes damos grandes passos, fazemos escolhas difíceis, arriscamos muito... Estou prestes a fazer algo assim, e, me sinto muito bem com isso, obrigado. Sinto estar dando um salto de uma rocha firme, mas, baixa, e que não me levará a nenhum lugar que hoje eu queira ir, para um lugar aonde eu penso que já estive e acho que é para onde devo ir, mas, está escuro lá. Ou seja, estou pulando no escuro.

Mas, estou pulando sorrindo. Sorrir, sorrir é importante pra mim, ao menos era, lembro de uma época em que eu sorria mais do que gritava com as pessoas. Por saudade dessa época é que vou dar esse salto. Por sinal, enquanto corro para saltar, me lembro de um salto que certa vez tive que dar... Iria saltar de uma cachoeira, aonde nunca tinha ido. Olhava pra baixo e via o que me esperava: Uma água verde transparente, agitada, mas, que me trazia uma paz... e que me chamava... Corri algumas vezes até a beira e parei. Olhei pra baixo e sentir aquele frio, sorri, voltei a pegar impulso e parar na hora do salto. Fiz isso umas três vezes... Uma hora, respirei fundo, falei pra mim mesmo: é agora! E fui, senti o gelo e a vontade de parar, foi quando corri mais rápido. Saltei.
Não tenho ideia de quanto tempo de queda eu tive, mas, pareceu uma eternidade, uma deliciosa eternidade... Nos primeiros instantes, a sensação de voar, ir contra a gravidade, contra o vento, subir no meio do nada... E então você para, no ar, sente todos as suas células congelando no tempo/espaço, e de repente é sugado de volta a realidade e começa a cair até ser abraçado pela água... Uma abraço que te envolve de maneira fugaz, mas, parece lento, senti cada molécula da água me abraçar, começando pelos pés, subindo, até que eu e a água éramos um só... fiquei um tempo, no fundo do poço, me deliciando com a incrível sensação que acabara de sentir... Quando emergi, sorria inocente, bobo... Saí da água, fui até o topo e saltei de novo. Mas a primeira vez é inesquecível...

Por alguns anos, fiz isso na minha vida: Ia até a beira correndo, parava, olhava pra baixo, e deixava de saltar. Agora é aquela hora que tenho certeza que vai. Estou nos momentos que antecedem a explosão que vai me fazer correr e chegar até lá... E já sei, que na hora que sentir o frio na barriga, é que mais vou acelerar... E sei, que essa vez, vai ser tão boa ou melhor quanto a primeira vez. Porque a primeira vez é inesquecível, mas, ninguém nunca disse que era insuperável.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Sobre pessoas, e loucos.


Sobre as pessoas, certa vez ouvi um homem, daqueles que fazem questão de em uma sala de aula (daquelas onde todos estão de todas as maneiras possíveis a mercê dele) escrever em letras garrafais que não devemos brincar com a alcunha de sermos “loucos”.

                Ele disse que nossa profissão é séria, lidamos com pessoas, estudamos muitos, lutamos por reconhecimento, bla bla bla, e temos que respeitar primeiramente a nós mesmos e a nossos colegas antes de qualquer coisa, e brincar ser louco, “fora do comum”, “anormal”, era uma vergonha a qualquer classe (e isso se aplica a qualquer classe ou profissão).
               
                Concordo. Palavras como essas fazem muito sentido. Não se deve brincar de “louco”, ou ser anormal, ou pensar fora da caixa. Temos que todos os dias acordar e agradecer ao mundo por pertencermos a maioria. Digo isso, porque normal, de curva normal, trata de algo esperado com base no comportamento ou predição de comportamento ou resultado de qualquer coisa. Escolha mil números, mil pessoas, descubra aquilo que é mais ou menos comum. Isso é ser normal.

                E isso não é necessariamente bom. Eu explico: Einstein e Newton eram (provavelmente) autistas, Galilei foi perseguido pela inquisição (dos normais, ressalto) e Darwin tinha problemas nos estudos, entre outros “anormais” que excederam o resto dos mortais...

                Dito isso, ressalto: Concordo com a fala do então professor, não se deve brincar de ser louco, de fugir do comum, de ser anormal. Isso é sério! É sobre pessoas capazes de mudar o mundo, de mudar a forma como lidamos com tudo, com todos. Ser louco, diferente, anormal, não é uma brincadeira, é um exercício cotidiano dos que buscam fazer a diferença no mundo. Dos que quando criança, não sonhavam apenas em ser bombeiro, policial... Mas, daquela criança que queria reinventar o mundo, que sonhava alto, brincava sozinha, era excluída na escola, e não desistiu dos seus sonhos.

                Da lista de pessoas que passaram pela minha vida, ressalto com sabedoria os loucos. Os loucos que me desafiaram a conseguir meu melhor, que disseram que tudo é possível, que me ensinaram a lidar com as diferenças, aproveitar os próprios espinhos ao invés de chorar sobre eles. E a maioria desses, eram professores, mas, daquele tipo que quando chega na sala, fala o nome, ou apelido, senta sobre a mesa e nos oferece o mundo, com um sorriso no rosto.

                Aos meus amigos, professores, colegas, conhecidos, e claro, aos desconhecidos, loucos que fazem do meu mundo, um mundo melhor.