segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Sobre o Campeonato Brasileiro, os pontos corridos e o vice comemorado



Quem me conhece sabe que minha paixão maior na vida é o futebol. Assisto até jogo da Nova Friburgo contra o XV de Piracicaba. Leio diariamente pelo menos três canais de notícias sobre futebol e volta e meia assisto os programas de TV. Digo tudo isso pra convencer o querido leitor deste blog de que sou uma pessoa credenciada para falar sobre esse esporte que todo mundo mais ou menos domina. E quero falar sobre o campeonato brasileiro, que terminou quase melancolicamente três rodadas atrás, mas não deixou de ser emocionante na rodada final. O formato de clássicos estaduais na última rodada do campeonato, sugerido por Muricy Ramalho três anos atrás, é definitivamente uma grande maravilha.
Digo que terminou quase melancolicamente pelo título antecipado do Fluminense, que sobrou no campeonato e ficou com a taça. Isso já era previsto, pelo poderio econômico do clube patrocinado há anos pela poderosa UNIMED, cujo presidente é tricolor fanático e se tornou como que um segundo presidente do clube. Com jogadores como Fred, Deco, Thiago Neves, Rafael Sóbis, Jean e Diego Cavalieri o time era mesmo o favorito, muito à frente dos outros concorrentes. O Atlético Mineiro é que surpreendeu, encaixando bem alguns jogadores ótimos com outros apenas esforçados, e resgatando o futebol do Ronaldinho Gaúcho, que é de verdade um craque, só não tanto a ponto de fazer o falido Flamengo vencer alguma coisa.
Também surpreendeu o fato de o Grêmio, terceiro colocado do torneio, não ter nenhum jogador na “Seleção do Brasileirão”, aquela que escolhe os melhores jogadores em cada posição simulando um time no formato 4-4-2. Analisando bem, realmente nenhum jogador da equipe teve rendimento acima da média, exceto o veteraníssimo Zé Roberto, que mesmo assim não tiraria uma das vagas da meia ofensiva ocupadas por Lucas, do São Paulo, e Ronaldinho Gaúcho.
O São Paulo foi responsável por uma das vitórias mais marcantes dos últimos anos nessa última rodada. Jogando com o time todo de reservas, com vários jogadores formados na base, ganhou do elenco corinthiano que pretende enfrentar o Chelsea da Inglaterra em uma provável final do Mundial Interclubes da FIFA. Já há quem diga que os tempos de vacas gordas do timão está em início de decadência, sem o já famoso apoio do recém aposentado Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF. Apesar disso, o Corinthians firmou um surpreendente acordo de patrocínio com a Caixa Econômica Federal (como não associar a isso a influência do corinthiano Lula da Silva?).
Mas voltando ao Atlético Mineiro, como disse no título da postagem, o time se tornou o dono de um vice comemorado. Certamente bem mais emocionante que o próprio título. Explico: a última rodada começou com o Grêmio na vice-liderança, o que dá uma vaga direta à fase de grupos da Libertadores da América. O terceiro lugar, que era ocupado pelo Atlético, garante “apenas” o acesso a uma fase conhecida como Pré-Libertadores, uma espécie de repescagem para participar do torneio (a mesma fase na qual o Corinthians já foi eliminado pelo fraquíssimo Tolima da Colômbia). O Atlético enfrentava o Cruzeiro, enquanto o Grêmio pegava o Internacional. No Sul o jogo ficou em zero a zero, mas em Minas um jogaço com duas reviravoltas de placar deram a vice-liderança ao Galo. O Atlético começou vencendo, levou a virada e terminou o jogo ganhando por 3 x 2, ao gosto dos saudosos torcedores dos tempos em que futebol tinha muitos gols.
Com esses resultados, mais uma grande curiosidade para o campeonato: o Fluminense, campeoníssimo com antecedência, venceu pela regularidade ao longo do ano, mas sem ter sido o melhor clube nem do primeiro nem do segundo turno da competição. Isso mesmo: se o Campeonato Brasileiro fosse decidido como o Carioca, em que o vencedor da Taça Guanabara enfrenta o vencedor da Taça Rio, ou como o Campeonato Argentino que tem um duelo entre os vencedores dos torneios Apertura e Clausura, teríamos nos dois próximos domingos as finais entre Atlético Mineiro (vencedor do Troféu Osmar Santos, dedicado ao melhor do primeiro turno) e o São Paulo, que pelo saldo de gols superou o Fluminense como melhor time do segundo turno, ficando com o também simbólico Troféu João Saldanha. Podia não ser tão justo quanto os pontos corridos, mas tenho certeza absoluta de que seria muito mais emocionante.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Porque as vezes a razão quer dar sentido ao que deveria ser sentido.


Eu ando RAZÃO demais.
Sempre fui muito mais SENSAÇÃO do que RAZÃO. Eu era mais profundo, do que raso, nesse sentido... Não me importava com o significado do que as pessoas me diziam na hora que elas me diziam, apenas era se eu gostava ou não daquilo, e as sensações que aquilo me trazia. Isso passou, e é uma pena.
Meio que perdi a inocência disso. Faço o impossível, o que deveria ser proibido de se fazer: Eu questiono. Não que questionar seja um pecado (embora seja, para os que acreditam) a questão é a necessidade de às vezes querer dar sentido, ao que deveria apenas ser sentido.
Eu me ruborizo ao ouvir e ler, e fico feliz, e me aqueço por dentro... Mas depois, é como se eu quisesse saber o porque daquilo. Mania de explicações, mania de motivos, mania de dissertação...
Sábias palavras. Tenho mania de dissertação. De tanto confiar e errar, passei a desconfiar sempre. Confio, me apaixono, me entrego e me envolvo... Mas, é como se aqui dentro uma dúvida persistisse: “Até quando?”.
Não queria cair de novo, não agora... Mas, tenho caído tanto quando o assunto é sentimento... E sempre fui tão bom em aprender as coisas, mas, de tantas perguntas, deixo até o mais motivado e interessado em me ensinar de saco cheio. Sou chato por isso. Me sinto chato. Mas, na hora que faço a pergunta, as perguntas, aquela resposta parece ser a única saída, e depois a próxima, e a próxima, e a próxima...
Acho que estou viciado em perguntar... Não tinha pensado nisso ainda, mas, acho uma possibilidade plausível.
No fim, só te peço paciência. Corri por anos, em lugares aonde eu não podia confiar em quase ninguém... Vou demorar a simplesmente viver e sentir o vento da vida me levando... Mas eu quero, e quero ao seu lado...
Apenas me dê tempo, tenha paciência...


“O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta pra perceber ?
Será que temos esse tempo
Pra perder?
E quem quer saber ?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
A vida não para não...”

terça-feira, 24 de julho de 2012

Saudade, Salto, Salto da Saudade. Ou só o salto. Mas, to com saudade...

Estou com saudades. Muitas saudades. Mas, não quero escrever sobre saudades.
Quer dizer, não dessa saudade.

As vezes damos grandes passos, fazemos escolhas difíceis, arriscamos muito... Estou prestes a fazer algo assim, e, me sinto muito bem com isso, obrigado. Sinto estar dando um salto de uma rocha firme, mas, baixa, e que não me levará a nenhum lugar que hoje eu queira ir, para um lugar aonde eu penso que já estive e acho que é para onde devo ir, mas, está escuro lá. Ou seja, estou pulando no escuro.

Mas, estou pulando sorrindo. Sorrir, sorrir é importante pra mim, ao menos era, lembro de uma época em que eu sorria mais do que gritava com as pessoas. Por saudade dessa época é que vou dar esse salto. Por sinal, enquanto corro para saltar, me lembro de um salto que certa vez tive que dar... Iria saltar de uma cachoeira, aonde nunca tinha ido. Olhava pra baixo e via o que me esperava: Uma água verde transparente, agitada, mas, que me trazia uma paz... e que me chamava... Corri algumas vezes até a beira e parei. Olhei pra baixo e sentir aquele frio, sorri, voltei a pegar impulso e parar na hora do salto. Fiz isso umas três vezes... Uma hora, respirei fundo, falei pra mim mesmo: é agora! E fui, senti o gelo e a vontade de parar, foi quando corri mais rápido. Saltei.
Não tenho ideia de quanto tempo de queda eu tive, mas, pareceu uma eternidade, uma deliciosa eternidade... Nos primeiros instantes, a sensação de voar, ir contra a gravidade, contra o vento, subir no meio do nada... E então você para, no ar, sente todos as suas células congelando no tempo/espaço, e de repente é sugado de volta a realidade e começa a cair até ser abraçado pela água... Uma abraço que te envolve de maneira fugaz, mas, parece lento, senti cada molécula da água me abraçar, começando pelos pés, subindo, até que eu e a água éramos um só... fiquei um tempo, no fundo do poço, me deliciando com a incrível sensação que acabara de sentir... Quando emergi, sorria inocente, bobo... Saí da água, fui até o topo e saltei de novo. Mas a primeira vez é inesquecível...

Por alguns anos, fiz isso na minha vida: Ia até a beira correndo, parava, olhava pra baixo, e deixava de saltar. Agora é aquela hora que tenho certeza que vai. Estou nos momentos que antecedem a explosão que vai me fazer correr e chegar até lá... E já sei, que na hora que sentir o frio na barriga, é que mais vou acelerar... E sei, que essa vez, vai ser tão boa ou melhor quanto a primeira vez. Porque a primeira vez é inesquecível, mas, ninguém nunca disse que era insuperável.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Sobre pessoas, e loucos.


Sobre as pessoas, certa vez ouvi um homem, daqueles que fazem questão de em uma sala de aula (daquelas onde todos estão de todas as maneiras possíveis a mercê dele) escrever em letras garrafais que não devemos brincar com a alcunha de sermos “loucos”.

                Ele disse que nossa profissão é séria, lidamos com pessoas, estudamos muitos, lutamos por reconhecimento, bla bla bla, e temos que respeitar primeiramente a nós mesmos e a nossos colegas antes de qualquer coisa, e brincar ser louco, “fora do comum”, “anormal”, era uma vergonha a qualquer classe (e isso se aplica a qualquer classe ou profissão).
               
                Concordo. Palavras como essas fazem muito sentido. Não se deve brincar de “louco”, ou ser anormal, ou pensar fora da caixa. Temos que todos os dias acordar e agradecer ao mundo por pertencermos a maioria. Digo isso, porque normal, de curva normal, trata de algo esperado com base no comportamento ou predição de comportamento ou resultado de qualquer coisa. Escolha mil números, mil pessoas, descubra aquilo que é mais ou menos comum. Isso é ser normal.

                E isso não é necessariamente bom. Eu explico: Einstein e Newton eram (provavelmente) autistas, Galilei foi perseguido pela inquisição (dos normais, ressalto) e Darwin tinha problemas nos estudos, entre outros “anormais” que excederam o resto dos mortais...

                Dito isso, ressalto: Concordo com a fala do então professor, não se deve brincar de ser louco, de fugir do comum, de ser anormal. Isso é sério! É sobre pessoas capazes de mudar o mundo, de mudar a forma como lidamos com tudo, com todos. Ser louco, diferente, anormal, não é uma brincadeira, é um exercício cotidiano dos que buscam fazer a diferença no mundo. Dos que quando criança, não sonhavam apenas em ser bombeiro, policial... Mas, daquela criança que queria reinventar o mundo, que sonhava alto, brincava sozinha, era excluída na escola, e não desistiu dos seus sonhos.

                Da lista de pessoas que passaram pela minha vida, ressalto com sabedoria os loucos. Os loucos que me desafiaram a conseguir meu melhor, que disseram que tudo é possível, que me ensinaram a lidar com as diferenças, aproveitar os próprios espinhos ao invés de chorar sobre eles. E a maioria desses, eram professores, mas, daquele tipo que quando chega na sala, fala o nome, ou apelido, senta sobre a mesa e nos oferece o mundo, com um sorriso no rosto.

                Aos meus amigos, professores, colegas, conhecidos, e claro, aos desconhecidos, loucos que fazem do meu mundo, um mundo melhor.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Crises...


- Faz tempo que você não escreve hein?
- É... Faz... mas, ando sem idéias cara.
- Hey! Sem idéias? Aonde? Eu te conheço cara, passo muito tempo contigo. Tu “frita” o dia todo. Como assim??
- Ah... não sei. Assim sabe. As vezes até penso em algo, tipo aquele texto daquela guria. Ou aquele outro sobre aquele sorriso daquela mesma guria do texto de antes. Ou sobre aquela pinta dela. Ou sobre a outra pinta dela que descobri esses dias na rede enquanto conversávamos abraçados. Porra... E ainda tem aquele do sorriso. Já falei do sorriso dela?
- Já...
- Ai cara... acho que to pensando muito nessa guria... Devia escrever algo pra ela né?
- É... devia... Porque não escreve cara?
- Ahh... Sei lá, ando sem pensar em nada sacas?
- Saquei... Mas, não some em cara?
- Sumir como, você está na minha cabeça. Lembra?
- Pô. Aé. Foi mal...
- Odeio meu cérebro com crise de identidade...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Reflexão e Crônica.


Seria possível escrever um texto por dia?
E dois?
Pretendo ao menos descobrir o quão longe consigo chegar, quantos textos consigo escrever em um dia, mantendo um nível mínimo de qualidade e respeito a quem lê. Acontece que minha vida não é das mais movimentadas, assim, tentarei escrever crônicas... Não que eu saiba ao fundo o que elas são, mas, sempre as li, e sempre tive vontade de dizer: “nossa, escrevi uma crônica ontem.” Ridículo, eu sei, mas, não se mata os sonhos de um louco.

A Flor.
O jardineiro passou e sorriu. Era a flor mais bela daquela floricultura que ele mantinha com tanto amor e cuidado. A realização de um sonho dele, aquela cor ruborizada, forte, marcante. O perfume que incendiava toda a loja. Era sua flor de estimação, eternizada em fotos, ele jamais a venderia...
O mecânico que arrumava o carro de um cliente ali em frente, entrou para pedir agua e ao olhar pra flor, sentiu saudade da Josefa, seu grande amor... A cor da flor o fazia se lembrar dela, e aquele perfume forte lembrava de longe o cheiro forte dela enquanto amavam...
O cliente elogiou a flor e tentou comprá-la. Na verdade, entrara ali pra comprar uma rosa, um pedido de desculpas pela bebedeira da noite passada que constrangeu a namorada. Ela não havia o atendido e sua amante o aconselhou a comprar flores e chocolate. Mas, ao ver tal flor, quis por que quis comprá-la. Insistiu, deu lances, chorou... Mas o Jardineiro era irredutível... E Carlos, o cliente, foi embora triste com a rosa que comprou. Ele achava que essa flor era uma ótima forma de se exibir para as mulheres que ele levava em casa.
Nisso Antonieta entrou na floricultura vindo da cozinha, a mulher do jardineiro estava aflita e enciumada. Viera reclamar que ele a esquecera, esquecera de seus pedidos, só tinha olhos pra flor. Nem os ovos que ela pediu pra ele levar pra casa ele levou. Ovos! “Como pode alguém se esquecer de comprar Ovos?” entrou determinada a dar um basta naquilo... Mas esbarrou com Carlos, que lhe deu um sorriso e uma piscadela, que a deixou vermelha, quente. Entrou, beijou seu marido e voltou pra dentro sem sequer se lembrar do que tinha ido fazer ali.
Na mesma hora entrou uma pomba meio atordoada, voando desesperada. Acabara de quase ser atropelada por uma lotação que passava na rua. Na confusão, esbarrou em algumas flores, provocou gritos e sustos, e por fim, antes de sair, deixou suas fezes sobre a tão famosa flor...
O jardineiro, triste, chorou.
O mecânico teve certeza que a flor o lembrava de Josefa, aquela vadia cagou na vida dele.

Oi.



 O mundo dá voltas, eu sei. Eu já disse isso. E é estranho começar um texto como comecei outro. Parece falta de assunto... (não que não seja...) Mas só deu vontade.
            Mas não to aqui pra falar do mundo. Quero falar de mim, das coisas que se passam dentro de mim, das minhas verdades absolutas e intocáveis. Meus medos e angústias, minhas certezas...
            Entre as certezas, coloco a de a cada dia ao dormir e ao acordar, embora não saiba o que quero, sei a cada dia mais e mais QUEM eu quero, e como quero, e como quero querer ainda mais.
            Ainda sim, embora não saiba certamente o que quero, não no sentido de “o que quero estar fazendo daqui a 10 anos”, sei o que quero conquistar nesses 10 anos, novos sonhos, novos planos, uma nova maneira de ver a vida, de lutar e me dedicar. E parte disso devo a Quem eu quero.
            Dentro das minhas verdades absolutas, bem, essas eu guardo só pra mim. Minha cabeça dura que é melhor assumidamente em persuadir e confundir do que em aprender, mas, quando é pra aprender aprende rápido, nesses anos, descobriu que as verdades de homem são sua maior riqueza. E nossa riqueza não devemos entregar assim, tão fácil. Os nobres já conhecem e a guardam. Quando eu morrer, o que ficará são minhas verdades, elas são meu tesouro. Não posso deixar meu tesouro afundar comigo em uma cova escura e solitária. Quero que meu tesouro perpetue, mas, como um conhecimento sábio, que não seja popular a todos que querem, mas, que seja popular entre aqueles que quero.
            Entre as verdades que podem ser ditas a todos, eu digo: Eu te adoro. Adoro meus amigos. Adoro minha família. Obrigado por me fazerem um homem melhor pro mundo.
            E só pra constar, ainda não consegui sintetizar em palavras (nem em frases) aquilo que queria te dizer... Mas estou tentando. E conseguirei. \o

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012


Eis aqui então, o pai da contradição. Certa vez me definiram como sendo o equilíbrio de um jogo de opostos. E isso faz muito sentido sempre. Vergonhosamente muito sentido...
            Sou um cara tímido, mas, ao mesmo tempo sou “atirado”. Sou sério e bravo, mas, um doce sempre compreensível. Sou contra o ciúme... Mas o Sinto. E dói quando eu sinto.
            Este texto nasceu de um incomodo causado especificamente por isso... Na verdade, pelos erros que cometo por causa disso. A minha cabeça gosta de pensar sozinha, de fantasiar e inventar histórias, fazer ligações, emendar fatos e coisas “in-mendaveis”. E nessa brincadeira toda, eu sempre me ferro.
            Me ferro porque meu cérebro aliado a minha memória, conseguem juntar uma frase perdida no ar a um olhar de 2 meses depois e algo que eu vi ontem... E “BUM!” tenho uma explosão de coisas dentro de mim causadas por essas suposições...
            Acho que eu nasci pra ser um louco conspiratório, mas, tive preguiça e acabei sendo o que eu sou mesmo. Mas esse espírito anticonspiração não saiu de mim, e consigo ver conspirações “modáfócas” em lugares inimagináveis. Nesse quesito sou #SouFoda.
            Claro, tem seu lado bom também... Tenho um “instinto aranha” contra alguns certos tipos de pessoas que com muito pouco (15 min ou 15seg) já apita e me dá inúmeras pistas de comportamentos futuros, que me diz se uma pessoa é confiável ou não. E as vezes diz até quanto tempo falta pra cair a máscara. E sempre cai. =)
            Mas, isso é chato também, perde aquela emoção de as vezes se assustar quando se descobre quem é o vilão... Perde o clímax. Aliado a isso, já ia me esquecendo, digo que é muito chato assistir filme comigo... Melhor, isso merece outro parágrafo:
            Chato. Também sou chato, muito chato. Sou tão chato que reescrevi o significado da palavra chato na minha cabeça, pra considerar um elogio a cada vez que eu a ouvisse... Pudera, eu ouvia “seu chato” mais do que “Fernando”... Tive que achar uma forma de ficar feliz com isso, oras...
            Falando sobre mim, além de uma fonte inesgotáveis de contradições que não se contradizem (é sério, consigo fazer sentido ao explicar as coisas... Coisas que nem eu entendo, diga-se de passagem, faço os outros entenderem), um chato, um ex-poeta (uma vez que os versos tiraram umas férias da minha cabeça e só aparecem quando converso com ELA), sou um cara com um jeito diferente de ver a vida. Literalmente, “out of the box”.
            Não sou um gênio criativo, nem um cara com idéias que vão revolucionar o mundo (eu acho que não, ao menos), mas, tenho uma facilidade muito grande de não enxergar as coisas como o resto do mundo enxerga. Existem 3 lados sempre... O primeiro que é o que você vê, o segundo que é a antítese desse, e o terceiro que é o meu. =) Um dia queria saber como cobrar por esse “modus operandi” de pensar. Não que eu queira cobrar de todo mundo que vem trocar uma idéia comigo... Mas, e se eu pudesse ajudar pessoas com um ponto de vista diferente e ser recompensado por isso? E isso conversa diretamente com um dos meus grandes problemas da atualidade: “o que fazer pra ganhar dinheiro sem me frustrar?”
            Sempre ouvi a história que o importante é fazermos o que a gente ama... poxa, eu amo tanta coisa, e não consigo fazer nada que amo de uma forma que tenha retorno financeiro. Sério... Até mesmo na Psicologia, vivo um dilema, pois embora goste (ame) conversar com meus amigos e amigas e trocar pontos de vista, ajudar e ser ajudado, não sei se vou trabalhar com clinica, lidar diretamente com isso... Não consigo me ver em nenhuma das vertentes tradicionais trabalhando satisfeito... e isso é um graaande problema já. Só mais alguns semestres e não terei mais como correr da “decisão”. E agora José?
            Falando em José, me lembrei do Cuervo, e lembrei que tem tempo que não bebo. E o mais engraçado, as vezes estou no supermercado, bate aquela vontade e vou no corredor de cervejas... Olho todas as marcas que mais gosto, penso, escolho e pronto. Já passou a vontade. Guardo a garrafa e vou embora...
            Ando assim, com a vida, perdendo a vontade pelas coisas...

Bem, tem dias que todo dia fico com a sensação que havia algo a ser dito e não dei conta. Hoje, tentei escrever livremente sobre tudo que passasse na minha cabeça pra ver se a coisa fluía e saia o que está entalado ai dentro. Não saiu. Acho que preciso escrever um texto sobre o que sinto, sobre meus sentimentos, minha paixão. Mas, ainda não deu o gatilho... Não deu aquela coisa louca e frenética que dá quando vou falar dessas coisas de sentimento... Mas, acho que desse fim de semana não passa. Sinto isso...
Pronto, chega de escrever sem rumo. Caso alguém tenha lido até aqui, malz aew, mas, isso aqui também é um lugar pra coisas sem sentido... Preciso dividir um pouco desses pensamentos frenéticos com alguém. Ou com ninguém, no caso. A (in)personalidade da internet é mágica.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Prece

Amem.
Senhor, que os demônios da insegurança não dominem meus medos.
Que a certeza da justiça guie meus passos.
Que minha dor possa poupar da dor aqueles que amo.
Que minhas lutas não sejam em vão.
Que eu aprenda a perdoar o erro do irmão.
Que eu dê ao tempo, tempo suficiente para curar todas as feridas.
E que o tempo me dê a sabedoria que só quem viu o mundo nascer pode me dar.
Que eu entenda o sofrimento alheio. E que eu não ignora a sua dor.
Que eu seja útil aos problemas daqueles que amo.
Que todo meu saber não seja em vão.
Que eu reconheça a importância das borboletas, e saiba que até os tigres tem suas fraquezas.
Que eu nunca use a fraqueza de alguém em meu próprio benefício.
Que eu não cause dor.
Que eu não cause sofrimento.
Que os meus princípios sejam maiores que minhas fraquezas.
E que eu reconheça quando a fraqueza do homem que sou me dominar.
Que eu tenha forças pra levantar quem está ao meu lado sempre, mesmo que eu não possa me levantar.
Não me permita o escarnio aos inimigos que caíram.
Que eu nunca esqueça que só vencerei a guerra quando morrer.
Que eu reconheça a honra da luta diária pela felicidade.
Que eu a alcance, mesmo que no fim.
Que o fim seja bonito, rápido e apaziguador.
Que eu vá em paz.
Que eu deixe paz.
Que na minha despedida o riso cale o choro.
Que eu nunca deixe de fazer rir.
Que meu cinismo não seja maio que a vontade de fazer bem.
E que eu faça bem inclusive aos que me fazem chorar.
que minhas lágrimas acalmem meu coração.
Que eu nunca deixe de amar.
Que eu conheça o prazer de ser amado.
E os prazeres de se viver com quem se ama.
Que meus filhos tenham a honra de meus pais.
E que meus pais possam descansar orgulhosos por terem me feito chegar aonde cheguei.
Que eu nunca esqueça de onde vim.
Que nunca me esqueca da importância da vida.
Que eu nunca deixe de amar.
Que eu nunca deixe de chorar. Que eu nunca faça chorar a quem amo.

Que eu erre. E reconheça que a perfeição do mundo mora no erro daquilo que eh improvável.

Que eu volte a sonhar.

Que eu me lembre das fraquezas dos homens e das mentiras que eles precisam para sobreviver.

Que eu não tenha que mentir como eles.

Que eu tenha a força necessária a sobrevivência. E que eu não precise de usa-lá.

Que eu não pare de escrever.

E que hoje eu durma em paz.

Amém.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O Menino.


Vrum.... Vrum... Vrum.... Com uma caixa na cabeça, o menino corre pela rua sendo um avião. Naquele lugarzinho atípico, longe da civilização e a milhas e milhas distantes de qualquer tipo de amor, o garotinho corre despreocupado pela rua que de tão movimentada é gramada. É o campo de pouso particular dele. Gramado.

No lote do lado de sua casa, os pegas e escondes ficam mais emocionantes, dribles no capim alto e cupins como fortalezas, e um ótimo lugar para se “betar” uma bola... “ah, bons tempos de bete”, um dia ainda diria o garotinho, isso quando crescido, e já bem próximo dos amores, mas, isso ele ainda nem sabia, e apenas jogava, e corria, e brincava...

No caminho para a escola, brincar de ser deus, ter imãs super potentes nos pés que o prendia ao assoalho do ônibus, voaaaarrrr a cada quebra-molas, treinar arremesso de mochila ao chegar na sala de aula, e ser o melhor no “salva-cadeia” no recreio. Voltar pra sala suado, sorrindo, alegre e descompromissado... E jamais pensaria que um dia ainda acharia a vida assim, tão chata.

Passatempo nas horas vagas era sonhar e teorizar sobre dimensões, teletransporte, viagem no tempo, buraco negro, milagres genéticos e tooodas as possibilidades das células-tronco. Ele já sabia que ali morava o futuro da ciência. Quando não fazia isso, brincava de fazer contas. Isso, contas. Lapiseira na mão (nunca lápis, nunca 0,7), papel preparado, quanto tempo levo para fazer 435X785? Valendo! E freneticamente números iam surgindo naquele pedacinho de mundo branco. E ele ficava depois admirando sua obra...

Além disso, era um exímio devorador de livros, não livro liiiivros, mas, livros gibis, livros livrinhos, isso ao menos por enquanto. Depois, mais tarde, descobrira ser um grande viciado em informação, conhecimento, gigabytes semanais de informação ou ele entrava em depressão. Depressão. Ele ainda não sabia o quão longe uma palavrinha dessas o poderia levar. E longe meessmo...

Com essa palavrinha, um dia, ele ia conhecer um mundo diferente daquilo que ele estava acostumado, um mundo sem brilho, sem sol, sem lua, com muita chuva. Sem sorrisos, sem presentes, sem amigos, sem ninguém. Mas, um mundo que por ser tão vazio, era um ótimo lugar para se estar as vezes, e pensar, e se conhecer...

Mas isso ainda iria demorar, e ele continuava a brincar e a sorrir, esperando o sol ficar fraco para jogar bete na rua, e esperando aquela sexta-feira do mês, eram sempre nas sextas que os gibis chegavam e sábado de manhã já era tudo coisa velha, lida, decorada...

Acho que por isso aprendi desde pequeno a gostar das sextas-feiras.

E esse texto continuará.

Para minha Flor...

"Eis então que tal como eu, o mundo também é redondo, e, tudo que é redondo é passível de girar. Ou seja, o mundo pode dar voltas, e dá.

E nessas idas e vindas de um mundo louco, frenético, usual, frio e desajeitado... Eis que um dia, por acaso, vi uma flor que eu jamais vira. Mentira, depois de ver, conhecer, conversar, indagar, sentir seu aroma, decorá-lo... descobri que eu já a tinha olhado, até a cumprimentado, mas sem jamais tê-la visto.

E isso foi bom, porque de novo nas voltas desse mundo (que em comum comigo tem o fato de ser desajeitado e redondo) aparei algumas arestas do meu ser (não que fiquei mais redondo, falo de um ser interno, abaixo da crosta-redonda e grossa), um ser que seria incapaz de enxergar aquela flor na primeira vez que a vira, mas, que hoje, conhece de longe o aroma do seu sorriso, sente na pele cada lágrima que escorre de seu rosto e não consegue dormir sem desejar acordar ao teu lado.

E esse “ser” mesmo sem “estar” (nessas horas penso como seria legal se esse texto fosse em inglês...) ao seu lado, acorda sorridente, feliz, porque sabe que não “é” preciso “estar” quando se “é” de alguém. E esse sorriso aqui, é seu. Minha bela e Amada flor.

E, fiz questão de rir nesse texto, porque hoje, é impossível olhar para mim, sem me ver a sorrir, por essa flor.

E assim, penso metaforicamente (novidade...) na grandiosidade do universo, no mundo, nas milhares escolhas que fazemos diariamente que mudam a cada instante a maneira como nosso dia vai terminar, e acabo por agradecer... Agradecer por existir, por Eu existir da forma que sou, (o que é matematicamente improvável), Por ELA existir da forma que ela é, (o que também é matematicamente improvável) e por esse encontro impossível uma hora acontecer, e perpetuar... e tornar a acontecer a cada dia...

E, pensava aqui se explicava ou não o porque de tudo começar com “e”, e tantos “e” se repetindo nesse texto... Mas, não explicarei, os bons, E só os bons, entenderão..."

Para Minha Flor...