quarta-feira, 16 de março de 2011

Relacionamentos Viciosos.

Bom, quem me conhece sabe que, embora não goste, passo grande parte do meu tempo pensando. A cabeça viaja, vai longe, teorizo sobre apocalipse um segundo antes de fazer uma observação sobre o decote da moça que passou. E depois volto a pensar no porque do 42...

Ultimamente ando mais egoísta e egocêntrico, ando pensando em mim, nas minhas atitudes, escolhas e formas de ver e viver a vida. Numa dessas, andei pensando sobre o estágio dos relacionamentos atuais, e cheguei a conclusões interessantes que me lembram algumas discussões recentes com grandes amigos, sobre o ciúmes e coisas mais... Quero pois, compartilhá-las.

Vivemos em uma sociedade Liquida (segundo o Conceito Z. Bauman, que aconselho uma boa googlada para quem não conhece) onde somos alimentados por pequenos vícios, pequenos momentos de prazer e deleite. Essa insegurança sobre o amanhã (e porque não sobre o próprio hoje, daqui a meia-hora) aliada a crenças populares vagas e sem fundamento e, as poucas que tem fundamentos, utilizados de forma equivocada e deturpada, levaram os relacionamentos ao um estado Vicioso.

Seja os relacionamentos que nem podem ser chamados assim, as ficadas e pegadas de balada, seja os namoros que se arrastam pelos anos, e até alguns casamentos de mais jovens e menos experientes... ou não. Mas não quero discutir sobre casamento e experiência ou maturidade. Voltando, digo viciosos porque reagimos a eles como reagimos e lidamos com os vícios diversos. Na balada, na micareta, pega-se o máximo possível, em busca de pequenas doses de prazer, em busca da melhor pegada, do melhor “amasso”.

Comportamento semelhante aos que perdem o controle bebendo, e, depois de algumas latinhas, bebem tudo que lhe oferecem e suga gata gota o máximo possível. E depois procura algo novo. Ou como um iniciado que depois de um tempo não se contenta apenas com o tapinha de sempre, e procura novas ervas, novas misturas, pequenas doses de prazer.

Isso, aliada a ideias como “ciúmes é normal e faz bem”, transforma os relacionamentos que deveriam se basear em amizade, cumplicidade e prazer, em relações de POSSE, DOMINIO E PRAZER. Não necessariamente nessa ordem.

Tem-se o outro como uma propriedade sua, cuja única função é ser SEU. Perde-se a individualidade que construiu-se através de anos de aprendizado, pela necessidade de agradar o outro e ser agradado. E, assim, mantém-se em relacionamentos doentios por anos, pelo costume com a droga, e, como com o passar dos anos as doses devem ser maiores, os relacionamentos titubeiam de extremo a extremo, sempre buscando, após a tempestade, “sentir aquilo que sentíamos no começo”.

Esse ciclo vicioso demora anos para se desfazer, e, após repetidas tempestades, e, repetidos dias claros, quando realmente chega ao fim, tem-se duas pessoas perdidas, que não se conhecem quando olham no espelho, e, que não conseguem viver sem alguém para quem dedicar toda sua vida, até se perder novamente.

Ao refletir sobre isso, meio que percebo porque ando evitando tantos relacionamentos ditos “sérios”, quando ainda pequeno, ou melhor, quando ainda menor (porque continuo pequeno, e tenho muito a crescer), decidi que uma das poucas regras que teria na vida seria ser livre de vícios. Qualquer vicio. Não me prender a nada por obrigação, e correr de qualquer coisa que eu percebesse estar roubando mais atenção de mim do que seria saudável.

Tenho conseguido cumprir isso quase ao pé da letra. Os poucos relacionamentos que mantenho sobrevivem por uma série de motivos desinteressados. E isso vai desde os amigos mais próximos e antigos, aonde ficamos até meses, as vezes, sem conversar, e sem diminuir um milésimo por cento nosso grau de amizade, até as amizades mais novas, algumas mais intimas, se baseiam basicamente em amizade, e, depois, quando há, em intimidade ou prazer.

No mais, e finalizando esse grande texto que vai causar preguiça em quem tentar ler, sei que no fundo, pode ser que eu seja apenas uma criança que não aprendeu a amar. Ou um poeta, que também não aprendeu a amar. Talvez um chato, nerd e mau amado que não aprendeu a amar. Ou, apenas um cara, sentado na calçado, observando a vida, as pessoas, os relacionamentos, procurando a forma mais saudável de conduzir sua vida e suas interações, e, tentando a cada dia, aprender um pouco mais sobre o que é amar. Mas, de uma coisa, qualquer um desses que pode ou não ser “eu” sabe: O Amor não é Platônico, Não é Ágape, não é essa coisa que vende livros, filmes e músicas. Simplesmente é amor, e, como diria um poeta (que as vezes faço questão de fingir não conhecer) “Quem Ama de verdade, não sofre.”


Ah, no fundo, posso ser também apenas um cara, sozinho, procurando desculpas pra se manter assim. De qualquer forma, a resposta pra tudo isso eu sei: 42.




Abraços à M. Pantaleão, H. Nunes, R. Vizzotto,amigos amados, e a todos que, de alguma forma, contribuíram para o que hoje, posso dizer que sou.