segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Construção de um Objeto

Estou aqui tentando narrar o processo de criação de um objeto por mim. Acontece que nenhuma das minhas (poucas) habilidades refletiria em um objeto digno de nota. Conserto computadores com certa maestria, mas não me imagino levando um computador estragado pra sala de aula para consertá-lo ao vivo. Não seria interessante.
Também sou muito bom em criar gambiarras diversas, o que de novo não seria interessante, sendo, no máximo, engraçado. E mais, essa é apenas a manifestação de outra habilidade minha, que até acho interessante, que é resolver problemas complicados de maneira simples. Ou dá maneira mais simples possível... Já até andei sonhando em como isso me poderia ser rentável. Apenas sonho, é claro.
Dirigir é outra coisa que gosto de fazer e faço bem. Mas, atualmente estou sem carro e não dirijo ônibus, então, seria complicado levar toda a turma pra dar uma volta enquanto falo sobre a construção da minha direção...
Poderia digitar um texto ao vivo, pra demonstrar minha habilidade com o teclado e ressaltar que nunca fiz nenhum curso, aprendi com a prática, em “mais que uma década de convívio” com computadores. Mas, outra vez, seria um tanto quanto entediante.
Falar sobre a minha década de convívio com os computadores me lembrou de outra coisa que sou "mais ou menos" bom: contar histórias. Mas... (mais uma vez) não seria interessante. Ou mesmo se fosse, a turma já está ligeiramente traumatizada por problemas de afluência verbal. Não quero piorar esse quadro.
Afluência verbal, afinal, me lembrou outra qualidade interessante: sou bom em fazer rir. E isso é uma coisa que sempre fui bom. Sempre mesmo. Quando era menor, na verdade, qualquer coisa que viesse a falar era motivo de riso. Tudo bem que grande parte disso se deve a minha gagueira, mas, ainda sim sou eu fazendo rir, afinal.
Fazer rir me levou a outra “qualidade”: facilidade em fazer amigos. E mais uma vez não vejo como apresentar isso a vocês. Não sei se posso narrar o processo de construção de uma amizade como um objeto que construí. Acho que não daria tão certo... Poderia colocar uma câmera escondida e tentar fazer amigos em um shopping. Ou em um sábado, véspera de dia das crianças no Camelódromo. Tentar bater o numero de amigos de Mark Zuckerberg e quem sabe ser alvo de um filme...
Gosto de fotografar também, mas, isso não significa que eu seja bom fotógrafo. Afinal, é uma pena ser bom em algumas coisas que nem faço tanta questão, e não ser em outras interessantes... Por exemplo, nunca gostei muito de estudar, mas, se por um minuto esquecermos os últimos 3 anos, sou quase um aluno exemplar... (quase...).
Falando em ser bom aluno, parte desse mérito vem de outra coisa que faço ligeiramente bem: Falar. O que soa engraçado, por eu ser gago, mas digo falar no sentido de apresentar “coisas” ou, mais especificamente, trabalhos / seminários. Até pensei em montar um seminário para apresentar, mas, cheguei a um impasse quase metalinguístico: “como seria um seminário sobre o processo de criação de um seminário?” seria como um pintor que pinta um autorretrato dele se pintando... E isso é coisa de gente muito boa no que faz. Não é meu caso.

Palavras

“Estou sentado em minha cama, tomando meu café pra fumar...” Raul Seixas.
“De tarde quero descansar, chegar até a praia e ver...
Que o vento ainda está forte: Vai ser bom subir nas pedras...” Renato Russo.
“Eu não matei Joana D’Arc.” Marcelo Nova
“Somos os filhos da revolução, somos burgueses sem religião.”
“Tem gente que recebe Deus, quando canta. Tem gente que canta, procurando Deus... Eu sou assim, com a minha voz desafinada, peço a Deus, que me perdoe, no camarim. Eu Sou Assim: Canto pra me mostrar, de besta!”
“Era um garoto, que como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones”.
“Então são mãos e braços, beijos e abraços...”
“Não quero te falar, meu grande amor, das coisas que aprendi nos livros...”
“Sempre precisei, de um pouco de atenção, acho que não sei quem sou só sei do que não gosto.”
“Ó Morte, tu que és tão forte, que mata o rato, o gato e o homem. Vista-se com a sua mais bela roupa quando vier me buscar”
“E no seu beijo, provar o gosto estranho, que quero e não desejo, mas tenho que encontrar.”
“Onde houver ódio, Que eu leve o amor.”
“Sexo verbal, não faz meu estilo, palavras são erros, e os erros são seus.”
“... Que eu erro também!”
“Tudo que fiz foi lindo, mas foi só...”.

Palavras palavras palavras palavras me brotam da cabeça .
Fértil. Sem restrições. Imcompleto. Perfeito.
Deus, humano, amor, paz. Gozo.
Gozo...
Gozoo....

E não gozo mais. Sentado, fumando.
Fumaça, bonita dança no ar.
Espairecer, sumir...

Cinza, azul e branco. Banco, medo. Sozinho não viajo.
Sozinho não vago.
Sozinho não...
Sozinho não....
Sono.

Arroz com feijão é sexo.
Cachorros também gostam, e dos elefantes é interessante.
Prazer é tempero, sabor. Arroz sem sal é como feijão pagão.
Prazer é o batismo da carne.

Divagações, olhares perdidos. Mártir.
Mate-me.

Vou ir e me deitar. Sentar ao seu lado e chorar.
Acordar sozinho, uma carta sobre a mesa. Seu beijo escrito nela,
Suas lágrimas... seu riso.

Esses dias eu me perdi em um sonho.
Mas não estava dormindo.
Esses dias me pedi pela cidade.
Estava nu em meu quarto.
Esses dias me perdi.
Perdi a conta dos dias que se passaram desde que me perdi.
Olhei no espelho, a barba branca me cobria o rosto.
Os olhos já eram brancos, acinzentados.
E a pele ainda reluzia o brilho de uma noite virgem a luz da lua...
Ou o brilho de uma virgem luz da noite, da lua.

Não entendam, não tentem, não arrisquem.
Não me sigam, não me perguntem, não me ame.
Ame-me. Prazer não é libertinagem, libertinagem é o prazer dos outros.
Meu prazer é sagrado, o seu é profano, puto.
Toda forma de amor é uma forma de morrer por nada.
Anda, quero morrer amando nada. Amando nada. Amada nanda.
Não há nada. Nem nanda.

Sentado sobre a luz de um poste moribundo, no piscar das borboletas se queimando na luz, a morte sentava ao meu lado. Com as mãos nos meus ombros, me contou seus dias de glória, a honra com a qual já fora encarada, e a decadência dos últimos séculos. Ela queria brilhar, lembrar como era quando a evitavam até a ultima hora, mas, nunca corriam na hora que ela chegava. Não havia dor, nem culpa. Apenas o fim. A honra. A morte, sentada ao meu lado, chorando em meus ombros, a minha morte, a minha morte, ó minha morte. Não quero te beijar, mas, não quero parar de te beijar. Se me levar, que seja num gozo de prazer. Quero chegar no paraiso sorrindo. E deixar pra trás lágrimas de alegria.

O que esperam de mim? Eu só espero o que já é meu por direito, o mundo aos meus pés é pouco. O universo também. Não quero nada, nem ninguém. Quero apenas ser “eu” por completo. Quero apenas ser meu. Ser de Deus, sem ser ele.

Quero aquilo que me quer...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Reflexões...

Às vezes me sento distante, oculto, invisível. Fico ali sentado a observar a vida. Não a minha, a alheia. Como se por alguns minutos eu apenas deixasse de viver para ser apenas espectador.

É uma sensação gostosa. Olham-me sem me ver e ao olha-los me delicio da forma que posso observar sem ser observado. É como sentar na varanda de um prédio, no segundo andar, na praia... e ficar observando a vida passando, as pegadas na areia, o vai e vem do mar constante e infinito. Como se eu fosse eterno, e eles não.

Às vezes gosto não de estar sozinho em meio a milhões, mas, de simplesmente não ser visto em meio a milhões...