segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Vem?

Porque você não vem?
Sente no meu colo.
Me olhe nos olhos.
Feche os olhos.
Me beije.
Quero ser seu.
Quero que você seja minha.
Quero que a noite nos espie,
A chuva nos aqueça e o sol nos vigie.
Quero ser teu amante hoje.
Do anoitecer ao raiar do dia.
Quero levantar cedo,
Te ver acordar.
Beijar tua boca fria.
Quero sentir seu toque único.
Sua boca úmida.
Seus lábios sedentos.
E a ponta de seus dentes,
Tocando, quase que rasgando,
Arrancando suspiros e devaneios.
Quero perder o chão.
Quero que você me tire do chão.
Me faça voar em seu corpo.
Quero que você me guie.
As vezes acordo sozinho,
As vezes acordo triste.
Quase sempre, acordo sozinho e triste.
No fundo. Ainda sou criança.
Quero apenas deitar em seu colo e sonhar...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Ontem...

Ontem eu sentei para escrever um texto. Tinha uma coisa queimando dentro de mim, acho que era inspiração. Sentei, estiquei os dedos, pensei comigo: “é hoje!”. Doce ilusão...

“Psiu?!”. Escutei e olhei pro lado, a janela estava aberta, mas não vi nada. Cheguei a cogitar a hipótese de, aquele fogo seria o efeito de alguma droga? “Será que me drogaram para roubar meus órgãos?” logo descartei a teoria. “Heeyy, psssiu!???”. Pronto, estou doido de verdade. Abri a porta do quarto, meio sem acreditar no que ouvia e fazia. Deparei-me com um ser, acho que uma criança, ela tinha um aura bonita em volta dela, meio que brilhava. Não consegui entender bem o que era aquilo, mas ela me falou “Vem comigo. Vem brincar?!”. E eu fui.

O mundo lá fora parecia diferente, mais claro, mais limpo, e aquela criança corria na minha frente sorrindo. Quando mais sorria, mais brilhava, acho que eu queria acreditar que era só um sonho. Eu queria que fosse só um sonho.

Corremos e corremos, não me cansei, mas corremos muito. Não entendia aquilo, mas estava levemente confortável naquela situação. A criança me levou para o alto de uma serra. Ela queria brincar comigo de pique-pega e cavalinho, brincamos por horas e horas e, embalado pelo riso dela eu nunca me cansava. Era como se o cansaço não mais existisse. Ela quis parar. Paramos.

Perguntei pra ela seu nome, ela não disse, apenas olhou pra mim, percebi pela primeira vez que seus olhos eram de uma cor que não conhecia, mais bonitos que o azul do mar, mais forte que o verde das florestas. Estava encantado. Ela me olhou e sorriu. E não me disse seu nome.

Ficamos ali, admirando o mundo. Tentei conversar algo, puxar algum assunto sobre qualquer coisa, ela não queria conversar. Sem desviar o olhar, colocou o dedo sobre minha boca (seu corpo era quente, eu ainda não havia percebido) e enquanto fechava meus olhos, disse: “Sinta...”.

E eu não sabia o que dizer. Não sabia o que sentia, lagrimas escorreram do meu rosto e senti uma coisa forte, viva, era como se o mundo inteiro estivesse conectado a mim. Eu via tudo, sentia tudo. E chorava como quando uma criança sente o ar rasgando e abrindo seu pulmão pela primeira vez. Doía. E era divino. Eu não queria parar de chorar.

Acordei com a criança olhando para mim, ela ainda sorria. Mas sem fazer barulho, apenas um sorriso bonito, desse de canto de boca. Belos dentes ela tinha. Seu brilho havia diminuído e ela disse que tinha que ir embora. Eu tentei perguntar alguma coisa, mas ela deu mais um sorriso, saiu saltitando e gritando, alegre... Fechei os olhos, confuso.

O vento do ventilador me tocou a face acordei. Estava em minha cama, deitado, de frente ao computador, ainda ligado, uma pagina em branco na tela. Era hora de ir trabalhar e eu ainda não tinha escrito. A vontade tinha passado. Em cima da minha escrivaninha tinha uma foto, de uma criança, minha foto quando ainda era criança. Tive vontade de voltar a sonhar...

Perdi o texto, ganhei um sonho.

Sobre uma tolice digna de nota

Bom dia, meus caros e minhas caras. Não que eu tenha muitas caras, mas gosto das algumas que tenho. O assunto de hoje, todavia, não são minhas caras, mas a cara de pau de uns caras do norte. Da América do Norte. Mais precisamente dos Estados Unidos da América.
Me refiro a uma ideia imbecil, que li numa revista eletrônica de esportes e me deixou chocado. Um grupo de americanos (sim, americanos é o termo correto, se quiserem eu explico) propôs criar uma liga de basquete exclusiva para brancos. Como disse meu caro Fernando, cansaram de perder pros negões e resolveram fazer uma liga só deles.
O primeiro motivo dessa postagem é, sem dúvida, colocar minha indignação. É muito bom perceber que ainda sou capaz de me irritar com a estupidez de algumas pessoas, e quando isso acontece tenho vontade de compartilhar.
Não que eu vá dar uma de quem não sabe que existe preconceito contra negros. Acontece que na maioria dos países do mundo isso é velado ou mantido como atitude de pequenos grupos extremistas. Quero dizer, na maioria das vezes ainda sobra o benefício da hipocrisia. Me surpreende pensar que, na maior potência mundial (ao menos por enquanto) isso não só é declarado como é aceito socialmente. Abrir uma liga de basquete para brancos, mais do que um atestado de incompetência dos brancos como jogadores de basquete daquele país (quando comparados aos negros), é uma aceitação social do racismo. Um carimbo de "sim, aqui ainda é permitida a segregação."
Outro ponto curioso é o desdobramento disso. Os babacas que sugeriram tal ideia não percebem que transformariam o tal campeonato numa "divisão de acesso" dos jogadores brancos aos times (posso dizer negros?) da NBA.
- Puxa, o branquelo joga bem, traz ele pro basquete profissional. ; )
- Vocês têm que dar o melhor de si. Saibam que os treinadores negros dos dois maiores times negros do país estão assistindo esta final, vocês podem ganhar um contrato.
ou ainda:
- Será que este ano algum jogador branco vai conseguir ir pra NBA? É o que veremos.
E, felizmente, o preconceito se volta contra quem o promove, numa curiosa justiça da inteligência do mundo.
Bom, é isso.

Um grande abraço dum branquelo (otário) que se orgulha de ter amigos negros.

; )

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Goiânia, 1º de Janeiro de 2010

Madrugada do primeiro dia de um novo ano. E como sempre, não faltam sonhos e vontades de se realizar. Sonhos e vontades que vem para confortar nossa frustração pelos sonhos e desejos que eram novos no começo desse ano que morreu, os quais fazemos questão de esquecer. A vida é assim. Como quando alguém morre, na nossa mente, sempre vira anjo...
A gente se protege, do mundo, dos outros e da gente, escondendo nossas frustrações embaixo do tapete e, só por segurança, colocamos um cofre recheado de boas esperanças por cima... Só que o ano passa, a correria chega, aquela coragem de sexta-feira véspera de feriado passa... E o resto do ano é só de segundas-feiras. Junto com tudo isso, esquecemos o segredo daquele cofre e tudo o que estava nele é, aos poucos, jogado e abandonado no sótão. E aquela sensação ruim, que cresce dia após dia, vamos aos poucos colocando embaixo do tapete e, no final do ano, só por segurança, colocamos um cofre em cima... que é pra num levantar a poeira.
Um dia, aos seus 40 anos, você vai estar cansado do cheiro de mofo da sua vida e vai querer ser organizar. De cara, vai ver uma montanha embaixo de um tapete... Pouco a pouco, vai descobrindo tudo aquilo que você tentou esconder de si mesmo... E depois, naquela reunião típica com os amigos diz: “Realmente, a vida começa aos 40”.