segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Construção de um Objeto

Estou aqui tentando narrar o processo de criação de um objeto por mim. Acontece que nenhuma das minhas (poucas) habilidades refletiria em um objeto digno de nota. Conserto computadores com certa maestria, mas não me imagino levando um computador estragado pra sala de aula para consertá-lo ao vivo. Não seria interessante.
Também sou muito bom em criar gambiarras diversas, o que de novo não seria interessante, sendo, no máximo, engraçado. E mais, essa é apenas a manifestação de outra habilidade minha, que até acho interessante, que é resolver problemas complicados de maneira simples. Ou dá maneira mais simples possível... Já até andei sonhando em como isso me poderia ser rentável. Apenas sonho, é claro.
Dirigir é outra coisa que gosto de fazer e faço bem. Mas, atualmente estou sem carro e não dirijo ônibus, então, seria complicado levar toda a turma pra dar uma volta enquanto falo sobre a construção da minha direção...
Poderia digitar um texto ao vivo, pra demonstrar minha habilidade com o teclado e ressaltar que nunca fiz nenhum curso, aprendi com a prática, em “mais que uma década de convívio” com computadores. Mas, outra vez, seria um tanto quanto entediante.
Falar sobre a minha década de convívio com os computadores me lembrou de outra coisa que sou "mais ou menos" bom: contar histórias. Mas... (mais uma vez) não seria interessante. Ou mesmo se fosse, a turma já está ligeiramente traumatizada por problemas de afluência verbal. Não quero piorar esse quadro.
Afluência verbal, afinal, me lembrou outra qualidade interessante: sou bom em fazer rir. E isso é uma coisa que sempre fui bom. Sempre mesmo. Quando era menor, na verdade, qualquer coisa que viesse a falar era motivo de riso. Tudo bem que grande parte disso se deve a minha gagueira, mas, ainda sim sou eu fazendo rir, afinal.
Fazer rir me levou a outra “qualidade”: facilidade em fazer amigos. E mais uma vez não vejo como apresentar isso a vocês. Não sei se posso narrar o processo de construção de uma amizade como um objeto que construí. Acho que não daria tão certo... Poderia colocar uma câmera escondida e tentar fazer amigos em um shopping. Ou em um sábado, véspera de dia das crianças no Camelódromo. Tentar bater o numero de amigos de Mark Zuckerberg e quem sabe ser alvo de um filme...
Gosto de fotografar também, mas, isso não significa que eu seja bom fotógrafo. Afinal, é uma pena ser bom em algumas coisas que nem faço tanta questão, e não ser em outras interessantes... Por exemplo, nunca gostei muito de estudar, mas, se por um minuto esquecermos os últimos 3 anos, sou quase um aluno exemplar... (quase...).
Falando em ser bom aluno, parte desse mérito vem de outra coisa que faço ligeiramente bem: Falar. O que soa engraçado, por eu ser gago, mas digo falar no sentido de apresentar “coisas” ou, mais especificamente, trabalhos / seminários. Até pensei em montar um seminário para apresentar, mas, cheguei a um impasse quase metalinguístico: “como seria um seminário sobre o processo de criação de um seminário?” seria como um pintor que pinta um autorretrato dele se pintando... E isso é coisa de gente muito boa no que faz. Não é meu caso.

Palavras

“Estou sentado em minha cama, tomando meu café pra fumar...” Raul Seixas.
“De tarde quero descansar, chegar até a praia e ver...
Que o vento ainda está forte: Vai ser bom subir nas pedras...” Renato Russo.
“Eu não matei Joana D’Arc.” Marcelo Nova
“Somos os filhos da revolução, somos burgueses sem religião.”
“Tem gente que recebe Deus, quando canta. Tem gente que canta, procurando Deus... Eu sou assim, com a minha voz desafinada, peço a Deus, que me perdoe, no camarim. Eu Sou Assim: Canto pra me mostrar, de besta!”
“Era um garoto, que como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones”.
“Então são mãos e braços, beijos e abraços...”
“Não quero te falar, meu grande amor, das coisas que aprendi nos livros...”
“Sempre precisei, de um pouco de atenção, acho que não sei quem sou só sei do que não gosto.”
“Ó Morte, tu que és tão forte, que mata o rato, o gato e o homem. Vista-se com a sua mais bela roupa quando vier me buscar”
“E no seu beijo, provar o gosto estranho, que quero e não desejo, mas tenho que encontrar.”
“Onde houver ódio, Que eu leve o amor.”
“Sexo verbal, não faz meu estilo, palavras são erros, e os erros são seus.”
“... Que eu erro também!”
“Tudo que fiz foi lindo, mas foi só...”.

Palavras palavras palavras palavras me brotam da cabeça .
Fértil. Sem restrições. Imcompleto. Perfeito.
Deus, humano, amor, paz. Gozo.
Gozo...
Gozoo....

E não gozo mais. Sentado, fumando.
Fumaça, bonita dança no ar.
Espairecer, sumir...

Cinza, azul e branco. Banco, medo. Sozinho não viajo.
Sozinho não vago.
Sozinho não...
Sozinho não....
Sono.

Arroz com feijão é sexo.
Cachorros também gostam, e dos elefantes é interessante.
Prazer é tempero, sabor. Arroz sem sal é como feijão pagão.
Prazer é o batismo da carne.

Divagações, olhares perdidos. Mártir.
Mate-me.

Vou ir e me deitar. Sentar ao seu lado e chorar.
Acordar sozinho, uma carta sobre a mesa. Seu beijo escrito nela,
Suas lágrimas... seu riso.

Esses dias eu me perdi em um sonho.
Mas não estava dormindo.
Esses dias me pedi pela cidade.
Estava nu em meu quarto.
Esses dias me perdi.
Perdi a conta dos dias que se passaram desde que me perdi.
Olhei no espelho, a barba branca me cobria o rosto.
Os olhos já eram brancos, acinzentados.
E a pele ainda reluzia o brilho de uma noite virgem a luz da lua...
Ou o brilho de uma virgem luz da noite, da lua.

Não entendam, não tentem, não arrisquem.
Não me sigam, não me perguntem, não me ame.
Ame-me. Prazer não é libertinagem, libertinagem é o prazer dos outros.
Meu prazer é sagrado, o seu é profano, puto.
Toda forma de amor é uma forma de morrer por nada.
Anda, quero morrer amando nada. Amando nada. Amada nanda.
Não há nada. Nem nanda.

Sentado sobre a luz de um poste moribundo, no piscar das borboletas se queimando na luz, a morte sentava ao meu lado. Com as mãos nos meus ombros, me contou seus dias de glória, a honra com a qual já fora encarada, e a decadência dos últimos séculos. Ela queria brilhar, lembrar como era quando a evitavam até a ultima hora, mas, nunca corriam na hora que ela chegava. Não havia dor, nem culpa. Apenas o fim. A honra. A morte, sentada ao meu lado, chorando em meus ombros, a minha morte, a minha morte, ó minha morte. Não quero te beijar, mas, não quero parar de te beijar. Se me levar, que seja num gozo de prazer. Quero chegar no paraiso sorrindo. E deixar pra trás lágrimas de alegria.

O que esperam de mim? Eu só espero o que já é meu por direito, o mundo aos meus pés é pouco. O universo também. Não quero nada, nem ninguém. Quero apenas ser “eu” por completo. Quero apenas ser meu. Ser de Deus, sem ser ele.

Quero aquilo que me quer...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Reflexões...

Às vezes me sento distante, oculto, invisível. Fico ali sentado a observar a vida. Não a minha, a alheia. Como se por alguns minutos eu apenas deixasse de viver para ser apenas espectador.

É uma sensação gostosa. Olham-me sem me ver e ao olha-los me delicio da forma que posso observar sem ser observado. É como sentar na varanda de um prédio, no segundo andar, na praia... e ficar observando a vida passando, as pegadas na areia, o vai e vem do mar constante e infinito. Como se eu fosse eterno, e eles não.

Às vezes gosto não de estar sozinho em meio a milhões, mas, de simplesmente não ser visto em meio a milhões...

domingo, 31 de outubro de 2010

Eleições, etcétera e tal

Bem, leitores queridos deste inóspito território virtual, hoje me apresento de cara limpa e sem muitas metáforas para dividir com vocês algumas opiniões pessoais acerca de eleições e o processo democrático brasileiro. Confesso de antemão que há muitas semanas pensava em escrever sobre esse respeito e decidi só fazê-lo depois de urnas apuradas e governantes escolhidos, para não ser taxado de fulanista ou beltranista.

Sim, porquê em tempos eleitoreiros qualquer palavra, respiração ou movimento parece, aos olhos dos imbecis eleitores brasileiros, uma estratégia de campanha. Minha opinião pessoal fica reduzida à torpe tentativa de convencer você de mais um voto (ou do não voto) e qualquer mínima tentativa de expressão pessoal é convertida, nos olhos dos votantes, em mais uma manobra político-partidária.

Em verdade não quero vir aqui falar sobre dilmismo ou serrismo ou marconismo ou qualquer ismo. Quero falar francamente sobre o povo brasileiro e a ilusão democrática. Acabamos de findar a mais baixa e infantil corrida presidencial que já tive o desprazer de conhecer. Entre religiosismos, mentiras e encefalogramas, pudemos notar com clareza dois fatores esseciais:

O primeiro é mais do que óbvio e por isso não vai gastar muito tempo do meu incauto leitor: a diferença entre os dois grandes blocos partidários nacionais é meramente de coloração.

O segundo é muito mais agravante: um cidadão brasileiro, quem quer que seja, não seria capaz de se eleger presidente no último certame sem um longo processo de idiotização de sua imagem. Sim, é exatamente o que entenderam, podem começar a atirar as pedras: eu creio francamente que Dilma e Serra são pessoas politicamente melhores do mostraram nessa campanha, mas se mostraram medíocres para atender aos anseios da população que os elege.

Pergunto, dialeticamente, o que pensar sobre um país onde uma candidata tem que se passar por religiosa para não perder um pleito eleitoral? O que dizer de um povo que acusa um candidato de ter forjado um ataque em uma caminhada de campanha para ganhar votos? Como compreender a insistente briga do: "você privatizou muito, mas você privatizou primeiro", "você me agrediu, mas você me agrediu primeiro", "você roubou, mas você roubou primeiro" senão por se saber que aqui se julga, em vez de projetos políticos, as afinidades pessoais e se confunde democracia com o direito de votar a cada biênio?

É exatamente nesses momentos de eleição nacional que se tem um melhor retrato do que pensa nossa população. Centenas de acessores e marketeiros trabalham duramente para descobrir o que nosso povo quer ouvir dos candidatos e esses seguem à risca o desejo dos que vão às zonas eleitorais: brigam, se acusam, se rebaixam, se agridem, tudo como bem deseja a mesquinharia popular.

O resultado disso se nota: quanto mais insultos, mais gente nas ruas com bandeiras e camisas; quanto mais podridão à vista, mais o povo se levanta e grita: ESTAMOS COM MERDA ATÉ O PESCOÇO, MAS AINDA TEMOS O DIREITO DE ESCOLHER DE QUEM É A MERDA. Caminhadas e carretas pela nacionalização da merda se espalham da curva do Arroio Chui à divisa do Oiapoque com a Guiana Francesa. O país todo se mobiliza por decidir quem define os melhores caminhos para se passear pela merda, com franca preferência aos que oferecem algum subsídio governamental.

Ao brasileiro pode faltar tudo: emprego a 8 milhões de brasileiros, comida a 13 milhões, alfabetização básica a 17 milhões, alfabetização efetiva a cerca de 100 milhões. Pode faltar liberdade de imprensa, mas nunca a liberdade de arrotinhos, como dizia o dramaturgo italiano Dario Fo. O povo não quer protestar contra a constante destruição dos nossos recursos naturais; não importa a ele que a corrupção no Brasil seja uma de nossas marcas lá fora; tampouco importa que aqui haja um dos maiores conjuntos de impostos de todo o planeta e, junto a ele, a exploração por parte de poderosas empresas, sempre ligadas aos governantes azuizinhos ou vermelhinhos.

Importa apenas que ele possa sair à rua e arrotar: "O governo não combate o desmatamento". "Viram? pegaram o canalha do Dirceu e a vagabundinha da Erenice." "Em São Paulo todo mundo tem que pagar IPVA e mais uma fortuna em pedágio" "Em Goiás o transporte é péssimo e caro."

Juntando nossa mania de votar no candidato pela cara e pela religião com nossa irrefutável liberdade de arrotinhos, Estado e partidos jamais se abalam. O Roriz caiu, mas o DEM continua poderoso. Dirceu, Erenice e Paloci se foram, mas a popularidade de Lula continua inabalável.

E assim o Brasil segue, entre votos e arrotinhos, vangloriando-se por possuir uma das mais sólidas democracias mundiais.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

"..."

E eis que renasce.
Melhor, eis que renasci.

Acordei disposto a mudar o mundo, mudar tudo. Acordei e me lembrei do que sou. Acordei livre, solto, novamente apaixonado. Preso e louco de paixão. Paixão por mim, pela vida, pela liberdade, pelo prazer, pela dor de se viver. Paixão por tudo, sem, necessariamente, estar apaixonado por “você”.
Até porque, hoje estou original, como aquilo que remete a origem, e, na boa origem de que venho e da qual sou fruto (no sentido daquilo que sou e vivo hoje) nunca houve alguém no lugar do “você”. E, quando houve, nem sempre os que existiram me fizeram tão bem quanto eu me sinto hoje.
Quanto como sempre me senti e que pouco a pouco me perdi.

Não escrevo esse texto com um destinatário, e nem o remetente mesmo sou eu.
Escrevo como um desabafo, ou, como o ápice de um caminho, o clímax que se revela no final, após as letras subirem. Desci e desci e continuei descendo. Desci tanto que estou mais alto hoje do que jamais estive.

Precisei me perder completamente pra poder me encontrar inteiramente livre.
E, hoje, agradeço imensamente aos que assinaram o livro de visitas de minha vida.

Agradeço aos que assinaram entrada e saída. Aos que só assinaram a entrada, e que a saída tive que assinar por eles. E imensamente aos que conseguiram, até hoje, não precisar assinar a de saída.

Hoje sou completo: completamente besta, infantil, imbecil, chato, ridículo e imaturo. Completamente apaixonado, amante e amado. Completamente inconseqüente, imprevisível, insuportável.
Resumindo, sou completamente aquilo tudo que você não se permite ser: Completamente EU, completamente FELIZ! =D

lol lol lol lol

"Pra onde eu vou
Não precisa de dinheiro
Pra onde eu vou
É alegria o tempo inteiro

Se você for
Não vai se arrepender
Mas se não for
O que é que vão dizer?

Você não sabe o que perdeu
Você não viu o que aconteceu "


Fernando Mota, o vulgo Bunitu.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Descrente

É parte da evolução se acostumar com a dor?
O tempo está passando e aquela dor que antes eu só conseguia não sentir quando evitava respirar só aparece de vez em quando, ou eu simplesmente quase não a percebo mais.
Estranho!
Acho que não me acostumei, apenas aprendi uma forma de evitar ou de barrar... Sinto-me esquisita cada vez eu ela tenta romper meu coração ou expulsar lágrimas dos meus olhos.
Eu sei que aprendi a evitar coisas que podem acordar-la e também algo em que possa gerar dor pior que essa. Nunca acreditei em histórias de amor mal acabadas. Sempre confiei que todos esses romances mal sucedidos eram fantasia de quem nunca havia sentido borboletas no estômago. Como era saudável essa minha fantasia. Que inocência! Uma criança que acreditava em príncipes, ainda habitava em mim.
Ao mesmo tempo em que sinto necessidade de alguém comigo, sinto que não tenho nada a oferecer. Que ao meu lado eu coloquei uma armadura, nada pode sair de mim. Sinto-me pequena diante de tudo que vivi nesse ano, sinto-me incapaz de tirar da minha cabeça algo que tanto me faz mal.
Porque caminhar tanto em busca de algo que me estremece e me esquenta ao mesmo tempo? Que me faz tremer de raiva e as veias latejarem de amor.
Eu sonhava tanto com um amor, eu buscava no meu intimo, eu desejava, eu ansiava, queria.
Sou tão pequenina diante de toda essa grandiosidade que é o amor, que não quero acreditar que amar dói. Sou uma criança que acabou de descobrir que fada do dente não existe, mas que de qualquer forma não quer deixar de ganhar a sua moeda de ouro.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

E Se... Inconscientemente...

Eu te amo. Mas, e se, inconscientemente, eu quiser te matar? Acontece... E se, você não me amar, eu te mato dentro de mim.

Ok, eu não te amo. Mas, talvez, inconscientemente, eu te deseje. Desejo sua boca vermelha e passo a passo vê-la ficando roxa. E seca. Quereria sua pele quente e fria, suada. E quero te abraçar de lingerie vermelha, ouvindo você sussurrar suas loucuras, meus sonhos, ao pé do meu ouvido.

Minhas vontades são fantasias maquiadas. Meus medos são meus maiores desejos. E não ando temendo nada. A não ser as grandes paixões.

Desejos, desejos... Palavras e associações. Piadas maldosas de canto de boca e sorrisos desvairados no meio da escuridão. Quero acordar nu com você ao meu lado. Auto-realizações. Auto confiança, Auto-Tudo.

É que, no fundo, eu não sei o que sou; o que quero, por que quero e porque faço. E para quem eu o faço. No fundo mesmo, eu só queria fazer sentido. E não faço.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Tentativa nº 3 de se escrever....

Pela 3ª vez, caneta na mão e uma folha em branco na frente. As outras duas enfeitam agora o chão do meu quarto, perto da lixeira. É, eu errei...

Espero não errar de novo. Na verdade, espero não ter que jogar fora esse texto. Ou esse projeto de texto. Enfim...

Na melhor das intenções em se acertar, começo tentando não cometer os mesmos erros. Como nos relacionamentos, onde procurei corrigir nos novos, os erros cometidos nos anteriores. Resultado: Deixei de me relacionar...

Não é engraçado. Ou até é. E eu estaria rindo se fosse com você. E esclareço, parei não por achar que é um erro relacionar-se, é que descobri que errar é parte fundamental de um bom relacionamento. Mas, minha razão não me permite errar.

Isso não é um discurso de supremacia da razão. É o desabafo de um covarde. Meu coração é sereno e sorridente, leve... e não tenho (mais) coragem de colocá-lo para viver. Minha razão é fria, calculista, sarcástica e covarde. Me cerca, me fecha e me cega. E, cego, não vejo mais o brilho nos olhos das pessoas... e sem o brilho, não vejo mais as pessoas.

Protegido de qualquer dor, não me permito arriscar, errar não entra em meu vocabulário. Sem correr riscos, sobrevivo de arroz-feijão-e-água. De sentimentos simples, pouca entrega, pouco prazer.

Meu medo e meus calos, minhas feridas e a frouxidão de quem ama ( e de quem tentei amar) alimentam, pouco a pouco, minha razão, minha solidão.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Um infinito de emoções.
Duas pessoas, um coração.
Dois caminhos,uma escolha.
Certa ou errada?



Sinto sua falta...

domingo, 27 de junho de 2010

Amor, ele pertence a nós.

Ando procurando o porquê que o coração de uma hora para a outra resolve bater descompassado.
Pensei, e isso não precisa de explicação nenhuma. Qual a explicação que se dá se do nada encontramos alguém que age como um combustível para nossa felicidade?
Se do nada você se sente a dona de um coração?
Se do nada você tem mais motivos pra sonhar?
Há cada vez eu acredito que o amor age de forma diferente, achamos sempre um motivo e uma forma diferente para amar. Estamos sempre aprendendo, sempre vivendo em um mundo novo.
Eu procuro explicações, procuro respostas... Mas o que meu coração precisa entender? Talvez, seja por isso que apaixonar-se, que amar é tão bom. Note você, que ninguém sabe dizer o que é o amor, nem professores nem poetas. O amor é a maior incógnita da sociedade, do universo! O engraçado é, todos amam sem saber o porquê que amamos! Não é incrível!? *-* Para que entender o sentindo do amor, o que é mais fácil e gostoso? Apenas amar ou procurar respostas do porque que se ama?
AMOR... Felicidade, carinho, olhares, sensações, sentimentos, sorrisos, abraços, beijos, preocupações, saudades, vida...
Tenho medo do que acontece a um coração apaixonado, a um coração que ama, tenho medo de amar alguém, entretanto o amor me é tão convidativo, tão belo, tão bonito, soberano, convidativo demais!
(...) quero meu coração batendo forte...
Quero tremer só de pensar,
Quero entender tudo no teu sorriso...
Quero flutuar apenas com teu olhar
Quero dizer que te amo no teu silenciar.
(...) Gestos simples.
Palavras no silêncio!(...)
Teu rosto no meu pensamento.
Amar é tão convidativo. Amor, apenas sabemos que ele pertence a todos nós.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Deduções deduzidas.

Com todo mundo é igual..
De repente, o olhar se cruza e toda vez que você vê o ser amado é a procura dos olhos deles que vai.
Com o tempo já é possível ter certa amizade e os olhos se cruzam com mais intensidade. Estamos sempre a procura de propícias ocasiões para ver o amado ou pequenos gestos para roubar-lhe um sorriso.
Ah, mas não mais que de repente, aquele primeiro toque! Podemos sentir todo o corpo se arrepiar, um rápido frenesi, as mãos tremem. Sentimos um calor aquecendo o coração e um frio na barriga. Os olhos brilham mil palavras, mil músicas na cabeça. O toque foi um breve tempo de encantamento.
A vontade é uma apenas, além de ver aquele sorriso lindo e sentir o toque, sentimos necessidade de ficarmos mais próximos, e surge a oportunidade de um abraço! Ali juntinhos, não importa o que acontece em volta, é um momento só dos dois. Ali sentimos o coração batendo descompassado, desesperado e confortado... nada mais resume aquele momento.
Depois de olhares, sorrisos, conversas, toque e o abraço, já não tarda a acontecer o beijo! Ele desde aquele abraço, ou naquele toque é esperado com ansiedade e tão esperado chega. Nasce nesse momento [talvez] o Amor!
Emoção e surpresa de troca de olhares,
Florescimento de uma amizade superior,
Simplicidade de cada gesto,
Glamour e importância de cada sorriso,
Frenesi do primeiro toque, o frio na barriga, o calor no coração,
Contentamento, paz e felicidade,
AMOR!
Talvez dali em diante aquele casal irá ser feliz, isso se eles tiverem sorte, mas eles se amam.
Vão viver momentos em que apenas o sorriso recíproco importa, dividiram momentos tristes ou de alegria, não importa eles estão juntos. õ/
Creio que isso é raro acontecer, antes sofremos muito com tudo isso.
Acredito que ‘tudo é passageiro’ e que ‘cada um tem a metade da sua laranja’. Quando se diz amar alguém, estamos oferecendo o melhor de nós para ela. E mesmo que esse amor não seja correspondido, mesmo que ele sofra, vai ser sempre amor só que em proporções diferentes, e se não for mais amor é porque talvez nunca houvesse nada.
Mesmo ignorado, aquele que ama se alegra com um sorriso, a felicidade e o bem estar do amado. Mesmo que ele esteja triste, o seu amor está feliz.
É um paradoxo, e minha cabeça dá nó quando pensa nisso.
Enfim, talvez vale a pena chorar por alguém.
Talvez vale a pena deixar tudo para esquecer alguém, por alguém
Talvez o amor é realmente o maior bem humano.
Talvez... talvez... talvez tantas coisas.
Não temos a certeza de nada, mas nunca despreze um amor, nunca faça alguém chorar se você pode essas lágrimas evitar. Nunca diga amar alguém se essa não é a sua intenção, é covardia brincar assim com um coração.
E sempre, sempre que tiver a oportunidade, AME, AME porque o amor ‘é um estado superior da alma, e enobrece até o mais pobre dos homens.’
Apenas ame, caso contrário, ame também.




Oi, galera! Hoje recebi um convite e foi realmente um presente para mim. Fiquei muito feliz por ser convidada a fazer parte desse blog no qual eu sou fã. Espero que apreciem as minhas postagens... e vai ser uma honra para mim estar ao lado do Bunitu e do Marcus. *-*
Beeeijão

domingo, 16 de maio de 2010

Quem Sou EU?

Um mar de Amores.
E de Dores.







... de amores mal resolvidos
... de dores bem doloridas.

... de qualquer forma:
MAR.

E mares não cabem em copos.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Re-Postagens.

Bom Dia, Caros Leitores.
Feliz por estar aqui, vou trazer alguns velhos textos meus.
Alguns com quase 4 anos de sobre-vida.
Abraços...
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.
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05/08/06 - 03h:40m


MInha mente Poeta


Minha mente poeta,

Me Leva a cavalgar..

E faz com que eu,

Sem querer,

Comece a brincar...



E das palavras, escritas

Rochas a Brotar,

Rochas de isopor,

Pedras a chorar...



E Das ideias perversas,

Perversamente engraçadas,

Timidas ou Animalescas

Romanticas ou Solitarias,

Perversamente escondidas

Sonhos a brotar...

E Dos sonhos a brotar,

[por que não?

Pesadelos a me derrubar.



E minha mente,

não sei se mente

De Poeta Perverso,

Ou de Perverso poeta,

ou quem sabe mente,

De Poeta a perverso,

sem me dizer

Realmente o que é Mente. E,

É claro,

O quanto mente.



E Sem Saber se minha mente,

Mente,

Minto querendo saber quem sou,

E dizendo achar, imaginar, pensar saber quem sou,

minha mente mente-me

Que sou eu,

E mesmo sabendo que não sei quem sou,

Aceito ser...

Sendo...



E Paro de pensar nisso,

Mentes Mentem

E mente quem diz

Pensar saber quem é,

Pois se sua mente,

mente

Será que voce não mente?

Acreditando SER?

E Paro de escrever,

Pois tenho medo

Isso tudo saiu da mente,

ou é tudo outro caso,

De MENTEira?





Ð_J

terça-feira, 27 de abril de 2010

Sorrisos...

"As vezes,
No silêncio do meu sorriso.
Existe toda a dor,
De viver sem ser compreendido."

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Um poema que merecia um Título. (aberto a sugestões)

O vento sopra longe, leve, vadio.
O frio beija minha face,
Na esquina, vejo a morte brincar com a vida.
O sol, ainda em duvida se é noite ou dia.
Enquanto a lua, arredia, espera o sol levantar,
E lhe diz: Bom Dia.

À minha volta, sábios sabiás a cantar.

Do lado de dentro.
O sol insiste em não bater.
Maldigo o telhado que o impede.
Deitado ainda, tento entender o frio que aflige.
Por sobre o edredom, sinto minha pele queimando,
Enquanto me contorço com um frio que não consigo explicar.
Levanto, termômetro, espero, temperatura normal.
Medo.
Esse frio me lembra a dor de perder quem se ama.
Mas não amo, não perco.
Me sinto então como se fosse o frio da saudade.
Mas não há de quem sentir saudades.
As ilusões se foram junto com os amores.
Ou os amores que se foram junto com ilusões.
Não importa, ambos foram,
E fiquei sozinho.
Descobri que mentiras sinceras, nem sempre, interessam.
E que aquilo de antes só do que mal acompanhado
Deve ser seriamente repensado.
Mas não por mim, não agora.
Continuo só.
Com frio.
Com febre.
Por dentro.
Meu coração, inflado, inflamado. Cheio.
De vento...

E o vento frio beija minha face,
Um anjo sopra minha face,
Enquanto a morte beija minha nuca...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Amigos

“E agora eu era herói...”
Só pra constar, ando falando muito que quero fazer as coisas se constarem. Acho que preciso afirmar algo. Fazer notar-se. Perceber-me vivo.


Olhando pro meus pés eu via o rio. Olhando para cima o céu. Olhando para frente o vazio. Meus pés balançavam naquele precipício e, de longe, eu apenas observava. Eu via dois seres, de certa forma alegres e joviais. Eu não os conhecia, mas me eram familiares. Acho que eu não sabia que os conhecia.
Um deles era um garoto, uma criança, quase um bebê. Carregava um luz, um sorriso, uma alegria de viver que era digna dos filmes, daqueles ainda em preto e branco, aqueles que sabiam colorir a vida de quem os assistiam.
Ele não estava sozinho, corria e brincava com uma menina, de cabelos pretos, caídos por sobre o rosto, e apesar do sorriso, trazia no olhar aquele brilho de quem acabara de parar de chorar, redescobrindo a vida como algo incrivelmente belo, bonito e apaixonante. Eu tinha inveja dela. Tinha inveja dele.
Há tempos já não via a vida assim. Já não me apaixonava. Viver era apenas fazer aquilo que os outros esperavam que eu fizesse, de tal forma, que acabara esquecendo aquilo que eu realmente queria fazer. Havia perdido a minha luz. Na falta da luz, a criança que sempre fui, sai para brincar sozinha e fiquei aqui, sentado, nesse abismo.
Olho pro lado e encontro uma velha amiga. Ela também está sentada, ela também balança os pés. Mas ela não olha pra baixo ou pra cima, apenas pro horizonte. Como se sonhasse, como se quisesse sonhar. Seus olhos não sabem o que é choro. A dor de seu olhar toca as estrelas. Suas duvidas deixam a própria duvida perdida. E eu me encontro com as duvidas dela.
Quando volto a sentir o vento, ele me abraça como a criança do meu sonho um dia havia me abraçado. E me rodopia, eu rodopio e acabo encostado nos ombros dessa amiga. E ela nos meus ombros.
A vida, lá embaixo, passa rápida, correndo, alegre e traiçoeira. Daqui de cima, observo. Observamos. Ela quer parar de chorar. Eu quero voltar a sorrir. Ela quer voltar a se ver no espelho, eu quero apenas voltar a ver o espelho. O mundo me abandonou. E quero minha criança de volta.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Pessoas

Hoje sentei para escrever um texto.
Escrevi uma página inteira. E era um texto legal,
um texto sobre pessoas e seus erros.
Enquanto escrevia, percebi que aquilo não era legal,
que eu não sou um jornalista do "EGO" pra ficar julgando as pessoas e o que fazem.
E que escrever de pessoas é baixo.

Assim, espero a próxima paixão, próxima decepção amorosa,
próximo amor ou próximo momento de solidão extrema para poder voltar a escrever.

Pessoas, não valem (muito) a pena. O Que você sente talvez valha.

Até (espero eu) breve.


Ah, eu disse talvez...

quinta-feira, 25 de março de 2010

Monólogo de uma Apaixonada.

Antes de começar, queria dizer que é uma honra poder replicar esse texto, de Dois Grandes Amigos Meus. Grandes mesmo. Daqueles que me fazem ver, como sou pequeno, como tenho sempre muito o que aprender.
Obrigado.

“- Bom dia, amor.”
Repousada no peito do amado, ela abre os olhos com um sorriso de quem acabou de despertar de um sonho bom... e pousa-lhe em seus lábios um beijo doce e suave.
“ – Dormi como se não fosse acordar mais, sonhei a noite inteira com você e posso afirmar que você é sempre o meu melhor sonho.”
Sente seus cabelos sendo levemente acariciados e ainda aninhada nos braços dele, ela continua a sonhar, só que agora acordada..
“ – Meu amor, você consegue nos imaginar daqui a alguns anos? Você consegue ver que a nossa vida será sempre essa, de um acordar sempre embalado no abraço do outro...”
“ Você consegue ao fechar os olhos se recordar de tudo o que já passamos?”
Um leve suspiro.
“ – Se lembra da primeira vez que nos vimos? Eu me encantei com o seu sorriso, e você [risos] só sabia ficar fazendo piadinhas.. me encarando profundamente.
“ E nosso primeiro beijo? Inusitado, apaixonado, fervoroso. O engraçado, é que quem ficou com vergonha foi você, me virou as costas escondendo um sorriso.
Eu consigo me recordar da roupa, do corte de cabelo e até de tudo o que conversamos no nosso primeiro encontro.
Você se lembra, amor? Você consegue fazer como eu, que só de fechar os olhos vê toda a nossa história, consegue?
Então, você deve se lembrar do dia do nosso noivado! Foi lindo, né? Nossa família toda reunida, compartilhando nossa felicidade e nos, loucos pelo casamento... Ah o nosso casamento! Acho que foi a única vez que você me deixou totalmente irritada. “Sim, eu sei que você sempre foi do contra, mas me aprontar aquela...”
[risos do companheiro]
“ Foi muito engraçado, mas só para você. Hahá, quem devia chegar atrasada era eu, não você. Admito, foi muito hilário você aparecer do nada, lindo e com aquele sorriso perfeito. Ali eu tive a certeza da minha vida, eu te amava! Obvio, eu amo.
Nossa festa foi linda, nem me fale! Pena que ao invés da minha irmã pegar o buquê, quem pegou foi teu melhor amigo. Do contra de novo.
Nossa lua-de-mel, em vez de Búzios ou Fernando de Noronha, me fez ir pegar caranguejos no mangue. Morria de rir dos meus sustos e da minha incorrigível inabilidade na lama. E naquele dia em que voltei pra pousada com um balde cheio deles logo de manhã e você fingiu que nem sabia que eram comprados? Comemos todos e depois dormimos na praia.
Aliás, foi naquela praia que fizemos nosso primeiro bebê, filho de um amor maluco embaixo dum céu gigante, naquela chuva que não parava nunca. Ninguém além de você iria pra praia num temporal daquele. Além de nós, né, amor? Você me arrastou pra lá, corremos feito duas crianças, amamos como dois bichos, rimos igual a dois bobos. Que dia era aquele? Não sei se era maio ou abril, mas o que importa? Parece que durou uma vida inteira.
Sabe o que encontrei, ontem de noite? As fotos de quando nasceu o Heitor. A cara de contrariedade dos médicos porque você não parava de rir e de fotografar. Lembrei de como eu estava horrorosa e descabelada naquele pijama azul claro e você dizendo que eu era a mulher mais linda do mundo. Você sempre foi um exagerado, mas eu amo isso. Depois o Nícolas, nasceu enorme, quase me matou de dor. Toda vez que você chegava perto da minha barriga ele se revirava e me chutava, louco pra conhecer o pai. Eu preciso confessar, tive até ciúmes. Eu sou boba, eu sei.
Nunca consegui te dar uma menina. Sempre sonhei com isso, acho que queria mais do que você, mas você sempre foi minha desculpa. Até hoje você é a minha desculpa pra acordar sorrindo todos os dias.
Mesmo depois do acidente, mesmo depois que você perdeu a fala e os movimentos das pernas... Sua mãe me disse que, se você pudesse falar, ia dizer pra eu construir uma vida nova, buscar outro homem. Você não me diria isso, não é, amor? Eu sei que não diria.
Meu amor, você consegue nos imaginar daqui a alguns anos? Você consegue ver que a nossa vida será sempre essa, de um acordar sempre embalado no abraço do outro?


Eu te amo, tanto."
Bonnie Tyler - Total Eclipse of the Heart

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Obrigada, M. por ter dado esse toque especial no nosso post. Sabe que sou sua fã.

Marioh e M.

http://arautosdavidamoderna.blogspot.com

terça-feira, 16 de março de 2010

Ruminações

Acendo um cigarro e apago em seguida; é o quarto em menos de quinze minutos. O maço vermelho e dourado sugere a combinação mascarada de sensações que meu corpo não reconhece. Folheio o livro rapidamente tentando recordar em que página estava e sequer me lembro que livro é. As letras parecem pequenas e não consigo ler. Não faz mal, o livro não importa, é um velho amigo e ao lado dos amigos podemos ficar calados. Passo os dedos nos meus cabelos desde a testa até a nuca e seguro firme. Estão grandes, preciso cortá-los. Meu estômago indisposto recusa o pedaço de Meio Amargo que coloco na boca com um gole de café. Sorrio calmamente.

Sonhei com uma onça, dia desses; minha avó paterna disse que é sinal de sorte. Meu avô materno mandou jogar no jogo do bicho e eu não entendi por que ria. Só ontem fui descobrir, na hora da aposta, que não tem onça no jogo. Apostei no porco por ironia.

Coloco o livro sobre a mesa e ele fecha. Agora vejo que é um Sthendal: O Vermelho e o Negro. Não recordo o nome de um personagem sequer, mas o brasão grafado na capa vermelha e grossa me distrai. Sinto um espasmo abdominal e quase vomito. Parece que estou de ressaca, embora eu não beba há meses. A bermuda rasgada denuncia meu desleixo. Em algum lugar ouço tocar Arabella, do Strauss. Tenho vizinhos de bom gosto.

Reflito sobre uma notícia do jornal matinal: morreu Glauco, um dos nossos grandes cartunistas. Sinto uma certa tristeza, aprendi a rir das tiras de Glauco desde criança; por outro lado me dou conta de que não conhecia o rosto dele até hoje. Não é engraçado que a boa arte faça a obra muito mais popular do que o artista?

Me estico sobre a cadeira de fios e estralo meu corpo. Minhas costas se acomodam na estrutura de silicone e sinto uma leve sensação de relaxamento. Penso em dormir, mas não posso: daqui a pouco começam as finais do Ultimate Fight e não quero perder um chute sequer. Derrubo algo e tenho preguiça de ver o que é. Pelo som, deve ser de plástico. Me concentro no anúncio de creme dental que promete curar minha dor de dente. Sinto sede. Faz duas horas que tenho vontade de ir ao banheiro. Fecho os olhos pra escutar melhor a ópera alemã que vem acho que do andar de cima. Descanso. Apanho aquele mesmo cigarro e acendo. Não sinto o gosto, melhor assim.

Outro dia, li uma crônica do Rubem Braga sobre um menino que nasceu com o coração fora do peito, nas palavras do médico, "como se fora um coração postiço". Não tem nada a ver com o que sinto agora, mas as palavras do Braga sempre me inspiram. Tento imaginar o menino com o coração exposto, desprotegido... sinto inveja. Coloco dois dedos no pescoço pra sentir minha pulsação e lembro que não sei como medir isso. O calor do dia me agride. Sinto sono. Penso mais uma vez no Rubem Braga e suas crônicas. Me sinto assim: episódico.

Ontem fui ao psicanalista e fiquei o tempo todo calado. Ele tentava, em vão, me fazer dizer algo. Num momento de raiva, chegou a questionar se o estava provocando ou por que motivo fora ali. Gosto daquele estofado, confesso. Ele não sabe que transei com sua secretária. Entretanto, não foi por ela nem pelo estofado; eu queria mesmo que ele provasse do próprio silêncio. Saí de lá e fui tomar sorvetes. Andei pela Praça Cívica e lanchei um salgado gorduroso. Voltei pra casa caminhando.

Há dias me pergunto: é possível amar mais de seis bilhões de semelhantes?

Em casa me afundei em livros de arquitetura medieval por diversão ou tédio. Li até às quatro da manhã. Agora começam as lutas do UFC e não quero abrir os olhos, apenas ouço a narração. Me diverte pensar em como seriam as narrações de lutas pelo rádio. Me irrito porque meu vizinho abaixou o volume da música. Maldito canalha! Meu pé esquerdo formiga e preciso me mexer. Em minha mente, imagino coisas estranhas. O cigarro acabou e percebo que fumo o filtro. Sinto nojo e cuspo.

Aos poucos acordo meus músculos e tento abrir os olhos. A batalha está no intervalo. Vejo um lutador branco com sangue escorrendo do supercílio e acho bonito. Levanto cambaleante e vou ao banheiro. Jogo água quente sobre a cabeça. O chuveiro faz um som engraçado e começo a rir. Me enxugo com uma camiseta e corro pro quarto. Deito do lado oposto da cama, sinto cheiro de perfume feminino e não recordo quem dormiu comigo esta noite. Já não tenho certeza de que não bebi. Seria loira ou morena? Talvez ruiva, que importa? Durmo.

Acordo.

Acendo um cigarro e apago em seguida; é o quarto em menos de quinze minutos. O maço vermelho e dourado sugere a combinação mascarada de sensações que meu corpo não reconhece. Folheio o livro rapidamente tentando recordar em que página estava e sequer me lembro que livro é. As letras parecem pequenas e não consigo ler. Não faz mal, o livro não importa, é um velho amigo e ao lado dos amigos podemos ficar calados. Sonhei com uma onça, dia desses. O calor do dia me agride. Me sinto assim: episódico. É possível amar mais de seis bilhões de semelhantes? Sinto nojo e cuspo. Imagino coisas estranhas. Já não tenho certeza de que não bebi. Acendo um cigarro e apago em seguida; é o quarto em menos de quinze minutos. Penso em dormir. Me sinto assim: episódico. Sinto nojo e cuspo. Que importa? Durmo. Acordo. Acendo um cigarro e apago em seguida;

segunda-feira, 15 de março de 2010

De volta à ativa.

Já perdi a conta de quantas vezes “abandonei” este blog temporariamente. Sempre me justifico com boas desculpas: a falta de tempo, o excesso de compromissos, a falta de textos bons... Ou então, na pior das hipóteses, me apoio na desculpa da quantidade de bons textos do Fernando que me “desobrigam” de postar. Desta vez, vou usar essa segunda.
Acontece, também, que sou um sujeito muito instável. Duplamente geminiano, por um acidente de astrológico, mudo de idéias e personalidade constantemente. O resultado disso é que as mesmas coisas que achava interessantes até anteontem, hoje simplesmente não fazem cócegas no meu cérebro. Os mesmos textos que escrevi meses atrás e que, confesso, na época achei excelentes, hoje me parecem besteiras adolescentes. Leio com certa vergonha, pra não dizer repúdio.
Não me refiro a questões especificamente literárias; já passei dessa fase, e nem acho que seja objetivo de um blog qualquer preocupação desse teor, mas às vezes tenho a impressão de que, por um tempo, estive vazio de assuntos e alienado de mim. Sensação desagradável.
Mais do que isso, diria que eu próprio me passo por essas transformações, completamente, como se precisasse matar o Marcus de agora a pouco pra fazer o de imediatamente. Não sei quem foi que disse que é preciso matar pai e mãe pra fazer nascer a personalidade própria. Foi Nietzsche? Foi Freud? (se não foi, me perdoem os leitores estudantes de psicologia – ou seja: quase todos). Não recordo quem disse, mas vou sempre mais longe: mato a mim mesmo pra poder nascer de novo, no meu ritual – até então secreto – de auto-renovação. Aliás, sou um sujeito superficial e por isso é fácil matar histórias que vivi ou inventei, tanto quanto foi fácil inventá-las. O comunista de ontem vende ações bancárias amanhã cedo, e depois de manhã vira filantropo. Sou assim: odeio hoje o que amava ontem e amanhã esqueço o que era.
Aqui cabem uns parênteses: não se assustem, meninas. Não sou um monstro frio e sem doçura, como pode parecer. A verdade é que não sei viver meios-sentimentos. Estou sempre pleno deles e preciso me livrar dos antigos pra desfrutar dos novos.
A intenção de toda esta lorota, ao cabo das coisas, é dizer que vou voltar a postar textos no blog em breve, mas talvez não agrade, talvez surpreenda, talvez fique incompreensível. Sobretudo, o autor dos próximos textos não é o mesmo dos textos passados; ele ri das coisas que o predecessor escreveu e faz escárnio. É assim: um sujeito... novo.
Antes que me perguntem, sim, estou muito bem e muito feliz. Com o peito pulsando em boas expectativas e o prazer de apenas estar.
Ah! Aproveitando pra perguntar: como vão vocês?

domingo, 7 de março de 2010

"Era um garoto, que como eu..."

Era uma vez um garoto. Camponês. Apaixonado pelas estrelas, pelos céus, pelas grandes viagens e grandes descobertas. Queria conhecer o mundo e por o mundo em suas mãos. Sempre sonhara em ser astronauta, em tocar as estrelas, beijar a lua e ser feliz. Que pena. Na sua nave montada no topo de sua arvore, construída por ele mesmo, desde criança, viajava e conhecia o mundo, as estrelas, as tocava e as amava. Mas, ele gostara tanto daquilo, que sempre se esquecia do que era, de aonde estava e para onde iria. Ele era apenas um camponês. Plebeu. Estava no chão. As estrelas não o amavam e a lua não o queria. Ele nunca havia beijado a lua, e não conhecia o gosto do amor. Seus sonhos eram apenas sonhos. A nave era um sonho. E ele sempre acordava. Chorando, mas acordava.


Eu sou o garoto.

Vocês são as estrelas.

Meu corpo é a arvore.

A nave são meus valores.

E não sei o que é amar.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Oi.
Estou aqui curioso. Preciso de descobrir o que isso daqui é pra mim.
Como funciona conversar sozinho em uma sala cheia de gente? Fazer perguntas, Deixar coisas no ar... E apenas você pode responder. E você no caso sou eu, me dá licença, estou falando sozinho.
E, vocês (que dessa vez não sou eu) podem falar, à cada um que me escuta será entregue um formulário para comentário. E esse formulário pode ter réplica. É quase fantástico. E acho que isso daqui é mágica.
Antes fosse. Aqui não há truques. Aqui sou eu, minha cara, meus erros. Minhas paixões e a capacidade de sintetizar todas elas em um único ser. Ou não. Mas agora sim. E continue assim.
E, sendo assim, as vezes fico em dúvida se isso aqui não seria apenas manifestações de meu narcisismo. Seria? (nessas horas, vocês usam seus formulários).
Acho que isso daqui é um espelho, uma montanha de vales aonde grito e espero o eco. eco co o
Mas ele não chega, ele não vem, a resposta não vem e as perguntas continuam. E continuam... E crescem...
E logo me consomem. E eu me canso delas, elas me engolem enquanto assistem eu sentado me assistindo sendo devorado por minhas dúvidas. Sorrio e penso como eu era mais idiota do que sou hoje.
Sou um novo Eu.
E esse novo eu, está aqui, para saber o que é isso daqui...
E, isso d...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Conversa de Bar.

- Opa! E aí?
- Bom?
- Bom.
- Chegou mais cedo, hoje?
- Eu vim às quatro.
- Ah, tá. Daqui a pouco eu vou jantar.
- Eu vou depois.
- É, tá cedo, ainda.
- Ainda mais com esse calor.
- E o rapaz novo, é bom?
- Ele tá dando conta, mas a dona aí parece que não gosta muito dele.
- É amigo do gordão?
- É cunhado.
- Espera aí que eu vou na 33.
- Aproveita e recolhe o da 41.
- Me empresta o isqueiro?
- Ah, chegou o velho do amendoim!
- Qual? Que bebe Antártica com gelo?
- É, aquele cachaceiro.
- Vai lá, tá na tua praça.
- Eu ainda vou cuspir no copo desse cara!
- Ele tá junto com aquele que senta na 47.
- O Armando?
- Aquele de vermelho, que pede Original.
- Já atendeu as coroas da 53?
- Elas pediram suco. - Vou ali atender o Benjamim, ele é gente boa.
- Tá vendo aquele velho que sentou na 30? Ele não serve o copo dele, acredita? Tem que ir lá servir o tempo todo, senão ele vai embora.
- Você tá de brincadeira!
- Sério, cara. Bebe dez cervejas, mas tem que servir o tempo todo.
- Veado!
- Corre, chegou um casal na 60, leva dois copos, ele bebe Skol.
- E fica esperto que o cabeçudo tá aí, hoje.
- O chefe?
- Aquele mala.
- Ele não se engraça pro meu lado mais não. A gente deu uma estranhada outro dia.
- Eu vi, ele ficou todo manso, depois.
- Ele tinha dado uma dura no negão da cozinha.
- Foi? Por quê?
- Porque ele leu um pedido errado. Quando o grandão veio pro meu lado eu devolvi.
- Ele é cheio de coisa.
- E aquele pessoal da 36?
- O menino que atendeu.
- Mas é tua praça.
- Mas ele atendeu, porra, deixa o menino.
- Quem é aquela senhora da 44?
- A viúva do coronel? O cabeçudo disse que tem dez anos que ela vem aqui. O esposo era amigo da Elba.
- Porra!
- Pede a cerveja e dois copos - o do defunto fica lá - e ela bebe sozinha.
- hahahah. Tem gente doida nesse mundo!
- Diz que tem uma grana do caralho, essa velha.
- Faço ideia.
- Você tá pegando por semana?
- O chefe me chamou pra assinar, mas eu vou ficar só esse mês.
- Tou ligado. Vem cá, tem vinte contos pra me emprestar?
- Mais vinte, cuiabano? Te emprestei faz dois dias.
- Mas acabou, porra, você viu o açucar?
- Pede aí pro Josiel que ele deve ter.
- Tem nada, aquele vagabundo, só enrola. Ele tira bem uns quarenta livre aqui todo dia e toma tudo de cachaça.
- Peraí que eu vou atender aquele pessoal que chegou na 58.
- Uai, uai, uai! Que intimidade é aquela com a cliente, malandro?
- hahahaha. Aquela de azul?
- Porra, ela te deu o maior abraço, cara!
- Estuda comigo, eu já fiquei com ela, ano passado.
- Ah, tá de brincadeira!
- Sério.
- Se deu bem. E aquele carinha com ela?
- Sei lá, nunca vi. Mas tem cara de burguês, vou tirar uma notinha dele, ainda.
- Vem cá, e aquela coroa que te deu dez contos?
- Onze. Ficou dando em cima de mim.
- Sabia! e aí?
- E aí o quê?
- O rapaz aí disse que ela pegou o telefone dele. Pegou o seu também não?
- Falou nada disso não.
- Dá o telefone pra ela, cara.
- Eu não, bixo! Tá louco? Deve ter uns 200 anos!
- Moço, larga de ser bobo...
- Manda o Sergião dar o telefone pra ela. Seguinte... vou ali comer.
- Tá, mas não enrola que hoje tá pegando, aqui.
- Beleza, e não esquece da Brahma na 32.
- E os vinte contos?
- Que vinte contos, cuiabano?
- Vai lá comer, vai...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Amanha ao acordar
Quero teu hálito no meu rosto.
Sentir teu cheiro quente,
Ainda debaixo do edredom.

Quero me sentar ao lado da cama,
Abrir um pouco a janela,
Deixar a claridade da alvorada banhar de leve teu corpo nu.
E Observar...

Quero te acordar com um beijo,
Ver seu olho abrindo devagar,
E o sorriso brotando de sua boca.
Sentir teu beijo quente e terno.
Te dizer bem vinda.
Desejar-te um bom dia.
Este é apenas o começo de nossas vidas.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Estava na sétima série e era meio afim de uma garota.
Ela era linda. Ou eu achava que era...
Assim, passou um tempo e um amigo nos apresentou.
Peguei na mão dela, dei os 3 beijinhos de praxe mas não soltei a mão.
Depois do 3° beijinho, olhei pra ela disse: "Nossa, que toque macio você tem."...
Fui tido como idiota.
Me senti idiota...

Idiotas!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Vem?

Porque você não vem?
Sente no meu colo.
Me olhe nos olhos.
Feche os olhos.
Me beije.
Quero ser seu.
Quero que você seja minha.
Quero que a noite nos espie,
A chuva nos aqueça e o sol nos vigie.
Quero ser teu amante hoje.
Do anoitecer ao raiar do dia.
Quero levantar cedo,
Te ver acordar.
Beijar tua boca fria.
Quero sentir seu toque único.
Sua boca úmida.
Seus lábios sedentos.
E a ponta de seus dentes,
Tocando, quase que rasgando,
Arrancando suspiros e devaneios.
Quero perder o chão.
Quero que você me tire do chão.
Me faça voar em seu corpo.
Quero que você me guie.
As vezes acordo sozinho,
As vezes acordo triste.
Quase sempre, acordo sozinho e triste.
No fundo. Ainda sou criança.
Quero apenas deitar em seu colo e sonhar...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Ontem...

Ontem eu sentei para escrever um texto. Tinha uma coisa queimando dentro de mim, acho que era inspiração. Sentei, estiquei os dedos, pensei comigo: “é hoje!”. Doce ilusão...

“Psiu?!”. Escutei e olhei pro lado, a janela estava aberta, mas não vi nada. Cheguei a cogitar a hipótese de, aquele fogo seria o efeito de alguma droga? “Será que me drogaram para roubar meus órgãos?” logo descartei a teoria. “Heeyy, psssiu!???”. Pronto, estou doido de verdade. Abri a porta do quarto, meio sem acreditar no que ouvia e fazia. Deparei-me com um ser, acho que uma criança, ela tinha um aura bonita em volta dela, meio que brilhava. Não consegui entender bem o que era aquilo, mas ela me falou “Vem comigo. Vem brincar?!”. E eu fui.

O mundo lá fora parecia diferente, mais claro, mais limpo, e aquela criança corria na minha frente sorrindo. Quando mais sorria, mais brilhava, acho que eu queria acreditar que era só um sonho. Eu queria que fosse só um sonho.

Corremos e corremos, não me cansei, mas corremos muito. Não entendia aquilo, mas estava levemente confortável naquela situação. A criança me levou para o alto de uma serra. Ela queria brincar comigo de pique-pega e cavalinho, brincamos por horas e horas e, embalado pelo riso dela eu nunca me cansava. Era como se o cansaço não mais existisse. Ela quis parar. Paramos.

Perguntei pra ela seu nome, ela não disse, apenas olhou pra mim, percebi pela primeira vez que seus olhos eram de uma cor que não conhecia, mais bonitos que o azul do mar, mais forte que o verde das florestas. Estava encantado. Ela me olhou e sorriu. E não me disse seu nome.

Ficamos ali, admirando o mundo. Tentei conversar algo, puxar algum assunto sobre qualquer coisa, ela não queria conversar. Sem desviar o olhar, colocou o dedo sobre minha boca (seu corpo era quente, eu ainda não havia percebido) e enquanto fechava meus olhos, disse: “Sinta...”.

E eu não sabia o que dizer. Não sabia o que sentia, lagrimas escorreram do meu rosto e senti uma coisa forte, viva, era como se o mundo inteiro estivesse conectado a mim. Eu via tudo, sentia tudo. E chorava como quando uma criança sente o ar rasgando e abrindo seu pulmão pela primeira vez. Doía. E era divino. Eu não queria parar de chorar.

Acordei com a criança olhando para mim, ela ainda sorria. Mas sem fazer barulho, apenas um sorriso bonito, desse de canto de boca. Belos dentes ela tinha. Seu brilho havia diminuído e ela disse que tinha que ir embora. Eu tentei perguntar alguma coisa, mas ela deu mais um sorriso, saiu saltitando e gritando, alegre... Fechei os olhos, confuso.

O vento do ventilador me tocou a face acordei. Estava em minha cama, deitado, de frente ao computador, ainda ligado, uma pagina em branco na tela. Era hora de ir trabalhar e eu ainda não tinha escrito. A vontade tinha passado. Em cima da minha escrivaninha tinha uma foto, de uma criança, minha foto quando ainda era criança. Tive vontade de voltar a sonhar...

Perdi o texto, ganhei um sonho.

Sobre uma tolice digna de nota

Bom dia, meus caros e minhas caras. Não que eu tenha muitas caras, mas gosto das algumas que tenho. O assunto de hoje, todavia, não são minhas caras, mas a cara de pau de uns caras do norte. Da América do Norte. Mais precisamente dos Estados Unidos da América.
Me refiro a uma ideia imbecil, que li numa revista eletrônica de esportes e me deixou chocado. Um grupo de americanos (sim, americanos é o termo correto, se quiserem eu explico) propôs criar uma liga de basquete exclusiva para brancos. Como disse meu caro Fernando, cansaram de perder pros negões e resolveram fazer uma liga só deles.
O primeiro motivo dessa postagem é, sem dúvida, colocar minha indignação. É muito bom perceber que ainda sou capaz de me irritar com a estupidez de algumas pessoas, e quando isso acontece tenho vontade de compartilhar.
Não que eu vá dar uma de quem não sabe que existe preconceito contra negros. Acontece que na maioria dos países do mundo isso é velado ou mantido como atitude de pequenos grupos extremistas. Quero dizer, na maioria das vezes ainda sobra o benefício da hipocrisia. Me surpreende pensar que, na maior potência mundial (ao menos por enquanto) isso não só é declarado como é aceito socialmente. Abrir uma liga de basquete para brancos, mais do que um atestado de incompetência dos brancos como jogadores de basquete daquele país (quando comparados aos negros), é uma aceitação social do racismo. Um carimbo de "sim, aqui ainda é permitida a segregação."
Outro ponto curioso é o desdobramento disso. Os babacas que sugeriram tal ideia não percebem que transformariam o tal campeonato numa "divisão de acesso" dos jogadores brancos aos times (posso dizer negros?) da NBA.
- Puxa, o branquelo joga bem, traz ele pro basquete profissional. ; )
- Vocês têm que dar o melhor de si. Saibam que os treinadores negros dos dois maiores times negros do país estão assistindo esta final, vocês podem ganhar um contrato.
ou ainda:
- Será que este ano algum jogador branco vai conseguir ir pra NBA? É o que veremos.
E, felizmente, o preconceito se volta contra quem o promove, numa curiosa justiça da inteligência do mundo.
Bom, é isso.

Um grande abraço dum branquelo (otário) que se orgulha de ter amigos negros.

; )

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Goiânia, 1º de Janeiro de 2010

Madrugada do primeiro dia de um novo ano. E como sempre, não faltam sonhos e vontades de se realizar. Sonhos e vontades que vem para confortar nossa frustração pelos sonhos e desejos que eram novos no começo desse ano que morreu, os quais fazemos questão de esquecer. A vida é assim. Como quando alguém morre, na nossa mente, sempre vira anjo...
A gente se protege, do mundo, dos outros e da gente, escondendo nossas frustrações embaixo do tapete e, só por segurança, colocamos um cofre recheado de boas esperanças por cima... Só que o ano passa, a correria chega, aquela coragem de sexta-feira véspera de feriado passa... E o resto do ano é só de segundas-feiras. Junto com tudo isso, esquecemos o segredo daquele cofre e tudo o que estava nele é, aos poucos, jogado e abandonado no sótão. E aquela sensação ruim, que cresce dia após dia, vamos aos poucos colocando embaixo do tapete e, no final do ano, só por segurança, colocamos um cofre em cima... que é pra num levantar a poeira.
Um dia, aos seus 40 anos, você vai estar cansado do cheiro de mofo da sua vida e vai querer ser organizar. De cara, vai ver uma montanha embaixo de um tapete... Pouco a pouco, vai descobrindo tudo aquilo que você tentou esconder de si mesmo... E depois, naquela reunião típica com os amigos diz: “Realmente, a vida começa aos 40”.