domingo, 6 de setembro de 2009

Desejo...

Hoje desejo realizar um sonho.
Sonho este, que vivem em minha alma e se alimenta de todos os outros sonhos. O Sonho púro, pai de todos os outros sonhos e de todos desejos. Um sonho alimentado por um preceito biblico: "Honrar Pai e Mãe."
E nesse, venho contar a história de uma mãe, minha mãe. e Nessa história suplicar o meu perdão. Mãe essa, que a mim não emprestou apenas um sobrenome, pelo qual raramente sou lembrado. Me concedera um adjetivo, diariamente lembrado, um carma que tatuei em meu peito.
Essa mãe é A Loucura, e meu Destino é ser Louco.
Começo pois, com uma certa tristeza hipócrita.
Triste, pelos outros milhares de filhos, "Hermanos" que tenho e que se negam à ostentar de maneira correta o dom que é ser louco. E Repito: "Dom!".
Dom pois, a Loucura é a mãe de todas as outras coisas desse mundo. É Ela quem o movimenta, que faz com que os homens tenham dentro de si, na ausencia de um utero, uma vontade louca de criar e criar, e desafiar-se diariamente em busca do novo, e do seu melhor. É à ela que vós deveis o dom de ter nascido, pois é ela quem alimenta o Cupido, soprando em seus ouvidos suas tarefas diárias. E também é ela, que sempre que necessário diz boa noite às virtudes sábias, deixando assim o Amor florir.
Os Reis, devem à ela sua majestade.
E os Deuses bem sabem seu valor.
Entretanto, entre os homens fôra esquecida e negada.
E nessa negação entra o meu pedido de perdão.
Cresci e fui saudavel, inteligente e sagaz, e sempre muito e muito louco.
Com isso era feliz.
Amava a todas, e era, quase sempre, por todas amado.
Solto pelo mundo, vivia cada segundo com um gozo unico, e sentia prazer ao ouvir meu nome na boca dos outros: "LOUCO".
Prazer ainda maior, quando esse elogio me era dito ao pé do ouvido...



Mas um dia acordei.
O sonho havia sido ruim e seco.
Os bons vinhos que regavam minha mesa, presentes do irmão Dionisio, estavam secos. E um sabio invejeso, plantou em mim a semente da perspicácia e a vontade de ser normal.
Nesse dia senti em minhas pegadas o choro de minha mãe.


Digo que passei dois anos cego pelo desejo de ser sábio, ser sério e, porque não, rico. Esqueci-me da riqueza sempre farta que tinha em meu redor, das ninfas, filhas de sabios, que se encantavam com a loucura que nunca conheceram, e à mim cercavam. E dos presentes saudosos dos deuses irmãos, e do Deus maior.
Perdi o brilho dos olhos, e o sorriso sumira de minha boca. O amor, que sempre me embriagava, me fazendo rir e chorar com suas armações e armadilhas, havia me fechado a porta. Estava só.
E Aqui aproveito para realçar uma caracteristica que só aos loucos é concebida: A Amizade e o desejo de ser fiel. Um sábio, se tiver que escolher entre sua vida e a de seu amigo, escolherá manter-se vivo e se tornar mais sábio. A Lealdade e a certeza de se entregar pelo próximo é um privilégio dos loucos. Assim como a amizade, o amor, a Felicidade e todos os outros sentimentos que dão sentido a vida humana. São todos fragmentos de minha mãe.
E bom filho à casa retorna, assim como a boa mãe nunca abandona um filho.
Assim, nos lábios proibidos de uma ninfa selvagem que conheci em uma das curvas de meu destino, encontrei o desejo pecaminoso de ser feliz. E a alegria que é ser louco.

Hoje, de peito aberto e pulmão cheio, grito coberto de um manto vermelho: É Que sou POETA, e sou irmão dos Loucos, amores de mais, do tudo...

... pouco

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Poema torto

Às vezes acho que
nada que está no mundo me compete,
nada me alcança, nada me diz respeito.
As coisas todas estão fora de mim
e em vão tento integrar-me,
não posso.

Todas as verdades, e também os amores
bem como as incertezas, são todos
de outros e não meus.
Ou melhor, nem de outros:
de ninguém. De alguém que não é,
que não somos.

Ao escrever, nem a primeira
nem a segunda nem tampouco a terceira pessoa
servem. Nenhuma pessoa tem valor,
nem verbalmente. Nenhum de nós vale
sequer essas linhas tortas e borradas,
sujas porque tiveram contato com uma
mão de homem. Todas as mãos humanas
são manchadas de sangue e de hipocrisia.