domingo, 28 de junho de 2009

A pequena e patética história de um amor que morreu sem ter nascido

Antes de iniciar essa narração, é necessário um pequeno esclarecimento aos gentis leitores, acerca do título: Patético é uma palavra que encontra duplo significado, em nossa língua. Tanto pode significar ridículo, risível, como pode ter o sentido de tocante, comovente. Eu, mero autor, muito longe de estar em condições de definir uma palavra, deixo a vocês a decisão por qual sentido ela adota, no enredo que segue.

Esse é um capítulo da história de um jovem casal, não muito distante da nossa realidade em tempo ou em geografia. Se é verdadeira? Obviamente sim, todas são. Seus nomes? Isso eu não sei dizer e nem poderia, pois seria uma incoerência. Dar nomes é individualizar os acontecimentos, enquanto todas as histórias de amor são universais. Vou chamá-los de ela e ele, em minúsculas mesmo. Você, leitor amigo, pode escolher um para chamar de si, se quiser. Até suponho que o fará.
Chamou duas vezes, impaciente que era.
- Oi. – Disse ele simplesmente, quando ela abriu o portão, e a casa era como se fosse dela.
- Tudo bem? – Perguntou ela ou foi ele, com um sorriso.
- Estamos bem – Responderam, cada um ao seu tempo. Sorriram e ele entrou.
- Você está linda. – E quem sorriu foi ela. Seus olhos se olhavam com carinho, enquanto ele insistia por um beijo ou coisa assim.
Você já deve ter percebido que se conheciam havia algum tempo. De fato se conheceram em uma terra quase virtual, e nessa altura dos fatos já haviam se encontrado duas ou três vezes, sempre com alguma alegria. Gostavam um do outro e demonstravam isso, eventualmente, com beijos molhados e pequenos afagos.
Era justamente isso o que ele propunha nesse momento. Insistiu por alguns instantes, enquanto ela relutava docemente, e por fim se beijaram carinhosamente com os braços, as pernas e o ventre.
Estavam felizes, eu suponho. Ele mesmo me confessou que se esforçara por aquele momento. Gastara seus truques e artifícios, insistira, procurara... Ela também tinha sua participação ativa: Permitira, insinuara, deixara pistas diversas e cedera nos momentos certos. Construíam juntos um esboço de relacionamento.
- Por que escondemos dos outros? – Quem perguntou foi ele.
- Porque não temos nada. O que vamos mostrar? – Foi a resposta, em voz de veludo.
E nesse momento a boca dele lançou uma pergunta ou um pedido, ou uma pergunta-pedido, com ares de proposta. Uma pergunta-pedido-proposta, se me permitem a transgressão vocabular. Uma proposta que saiu sussurrada, porque aquela boca já quase havia desaprendido a fazer: Namora comigo?
Eu mesmo, enquanto escrevo, preciso parar alguns segundos, pra me acostumar à densidade que tomou o ar naquele momento. A boca dele insistia tantas vezes que parecia querer acostumar-se de novo com aquelas palavras. Tentou mais uma vez, agora imperativa, como um apelo: Namora comigo. E os olhos dela miravam os joelhos que não eram dele, enquanto seu corpo ficava em frêmito. Tantas vezes ele insistia e tamanha era a demora que a boca dele preferia que a dela não respondesse em palavras.
Nessa hora – e isso pede um parágrafo a parte – iniciou-se um pungente conflito entre uma boca e dois olhos. O que dizia a boca, os olhos diziam em contrário. O que a boca dizia era:
- Não posso. – E o que os olhos diziam era obscuramente oposto.
- Como não? – Pensou o peito dele, enquanto sua mente desfazia uma série de nós.
Se o peito pensa? Suponho que sim, e até melhor do que a mente, que só considera o que é ululante e inquestionável. Só quem não pensa são as mãos, e então a dele procurou a dela, que aceitou sem defesa.
- Eu não estou pronta pra isso. – Respondeu a boca, e os olhos se reviravam aflitos.
Esse diálogo se seguiu tão longo e cheio de meias verdades que transcrevê-lo aqui seria um exercício de sadismo. Ele, abismado e abatido, a acusou de injusta e covarde. Ela reclamou das cobranças e se defendeu, expondo seus motivos, cada um deles menos coerente que o anterior.
- Eu faria você sofrer. – Disse a boca, e pela primeira vez os olhos pareciam concordar.
Uma coisa eu penso e ele concorda: Quem pode escolher pelo sofrimento ou pela precaução, senão o próprio sofredor? É arbitrário escolher pelo outro, que talvez julgue valer mais a pena escolher um sofrimento que sucede um relacionamento cálido do que a fria negação das emoções. Para alguns, toda tristeza é fugaz, enquanto a felicidade é perene, mesmo que entrecortada por alguns efêmeros momentos de depressão. Foi esse seu argumento, embora menos literário.
- Eu também sofreria – Ela insistiu com os olhos e a boca. – E nessa hora o peito dele pensou que fora vencido.
- Não há como insistir? – Perguntou ele, em óbvia insistência.
- Não. – Respondeu depois de longa demora, somente a boca.
- Então eu devo ir embora? – As perguntas dele já eram patéticas.
- Isso. – nessa hora as mãos dela e dele se separaram, como uma metáfora.
Depois de uns quantos segundos segundos de silêncio:
- Você me leva até o portão?
Lá no portão se despediram:
- Se cuida. – Ela sugeriu, e ele julgou sem sentido.
- Te adoro. – Respondeu ele, sem preocupações gramaticais.
Todos nós sabemos que o tempo em que acontece uma situação como essa fica em suspensão. Eu mesmo não sei dizer quanto durou o diálogo. Ele foi-se embora, lânguido. Ela ficou e isso é tudo.
Não vou bancar o moralista e acusar os que têm medo ou receio, ou os que se previnem em excesso. Tudo o que eu penso é que essa pequena história talvez desse um livro, um dia, mas, por um motivo ou outro, hoje não rende mais do que duas ou três páginas.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Cut-dia-nu!

Caros (e baratos, só que esses a gente num fala sempre, preconceito néh?) amigos...

Não é novidade que hoje é sexta, o dia do dia mais sagrado de todos os dias da semana. E nesse dia, acordei com um humor diferente, debochado. Uma vontade louca de mandar, educadamente e com toda a classe e calma, um monte de gente ir se F***.

Pois bem, feito o feito, é uma pena que os que precisam realmente não o façam. Pena...
E caso alguém vá a fazê-lo, o faça com carinho, pra ter prazer e não ser algo de todo inútil. Ou seja, já que é para se fuder, que seja com jeitinho.

Pois bem, meu humor debochado me fez mudar o rumo do texto, não que eu não queira falar de fuder ou de foda, mas, a auto-fudelança é no mínimo brochante aos meus olhos, e eu ate gostaria de fazer um texto bonito, em forma de poesia, com uma monte de rimas de duplo sentido e sentir enquanto escrevo, o gosto do teu corpo na minha língua. Mas não, não há o que escrever, não há gosto, perdão, você não existe.

Gosto ultimamente, apenas o amargo constante da minha boca, e não é aquele amargo que faz você revirar mundos e fundos atrás dele (sacou? Fundos...). É um amargo da vida, não o doce amargo de aonde sai à vida... (sacou²? Uahsuahs). E esse amargo me diminui, me deixa fraco e sem vida. Me deixa morno, logo “Yo?”.

E dessa sensação que quero falar... mas, é tão ao mesmo tempo forte e patética, que não sei o que falar, não sei porque falar... Triste. Ando estressado, de verdade, explodindo com qualquer “tic-tac” de relógio que não me agrada. E isso não é bom. Faz tempo que não sinto isso, e não é depressão, é apenas uma vontade tremenda de chutar o balde. Cansaço de tudo, da falta de reconhecimento à falta de um horizonte favorável. E essa falta de um futuro à se sonhar, causa um vazio diferente daquele necessário a sobrevivência, como assim? Simples, acredito que existe dentro de cada um, o vazio que nos leva a crescer, a andar e a sonhar. Esse vazio, nos empurra sempre pra frente. Diferente desse vazio que sinto hoje, que sinto quando me deito, cansado e me pergunto: “por que faço isso?” e simplesmente não há resposta, ou vontade de responder. Não sei nem se há o motivo. Mas não quero discutir teorias de uma mente leviana aqui. Melhor, quero, e muito. Mas não agora.

Sabe...
Cansei.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Profissão: Cronista Esportivo

Depois de uma overdos de futebol - três partidas em 24 horas, não resisto à tentação de me passar por cronista esportivo e escrever aqui umas impressões. Apesar da derrota recente do São Paulo, vou tentar ser imparcial o quanto posso ee analisar os jogos com cautela. Sigo a ordem cronológica:

Corinthian x Internacional

Jogaço! Preciso começar exclamando, porque foi uma partida de encher os olhos. O Cortinthias - coração saopaulino que me perdoe - está jogando um absurdo e mereceu vencer. Mas claro que nada é assim por acaso, ainda mais considerando que o Inter tem o melhor elenco do Brasil.
O que aconteceu é que o time de São Paulo correu por dois. Laterais e volantes sobraram na marcação, e anularam o futebol dos previsíveis Magrão, Guiñazu e Andrezinho. Este último, aliás, merece boa citação, correu, se esforçou, cobrou boas faltas, levou o perigo que pode, mas tem pouca criatividade e quase não tem o que fazer quando joga sem D'Alessandro;
Falando em D'Alessandro, os desfalques do Internacional dão um parágrafo à parte: sem Kléber, Nilmar e, principalmente, o meia argentino, o time perdeu, respectivamente: apoio pelo lado esquerdo, velocidade nos contra=ataques e criatividade no meio-campo. Fez falta.
Os jogadores do time do sul que merecem aplausos são o goleiro Lauro e o Taison, claro, que apesar de perder aquele gol feito na cara do Felipe, jogou muita bola e foi o responsável direto ou indireto por todas as boas chances coloradas.


Agora um assunto que vai doer nos leitores mais incautos: Brasil x EUA. A seleção não arrasou ninguém.

Digo e repito, a nossa seleção não arrasou ninguém. Dunga fez as alterações óbvias que todo mundo pedia há tempos: colocou o Ramires pra dar velocidade ao meio de campo e deixou o Kaká livre pra tabelar e atacar como quisesse. Tirou o fraco Elano. Quem arrasou, esse sim um craque digno da camisa que veste, foi Maicon, o lateral direito que ten pulmão de aço e pernas de keniano. O grande problema permanece na lateral esquerda. André Santos é mais inútil que cinzeiro em moto. Um cara esforçado, dedicado, até ajuda... A cara do técnico.
Fora Maicon e Ramires, o time atuou como é marca da "Era Dunga": Usando contra-ataques pra surpreender os adversários, e tocando bola de lado. Robinho, como sempre, fez o que tinha que fazer. Seleção venceu porque eram os EUA. Como disse pro Fernando e repito: pode até ganhar a Copa das Confederações. O pior time que a seleção amarela já teve, ganhou um mundial em 94. E quem estava lá???

Agora o que me dói: São Paulo x Cruzeiro. Morumbi lotado, 52 mil pessoas.

Adilson não inventou pelo lado dos mineiros, colocou em campo o que tinha de melhor: um clássico 4-4-2 com Wagner na armação e tendo Kleber e Welington paulista no ataque. Lá atrás, os bons zagueiros Leo Silva e Leo Fortunato. Não precisava mais que isso.
O Muricy, do lado tricolor, manteve seu tradicional 3-5-2. A zaga veio bem, André Dias, Renato Silva e Richarlyson. Podem dizer o que quiserem, mas o viadinho é bom de bola. André, então, nem se fala, é dos melhores da posição, no país. Renato dá pro gasto. Os maiores problemas vêm no meio de campo: Zé Luis, Eduardo Costa, Jean, Marlos e Junior César. Colocou Zé e Junior pra jogar de alas, uma grande besteira quando poderia ter colocado o eficiente Jorge Vágner no lugar do Junior para jogar com dois meias ofensivos, e reaguardar assim o Zé Luis. Como o Zé apoiando mais a marcação, podia não ter escalado o Eduardo Costa e sim o Hernanes, que embora venha em má fase, aprendeu a jogar pelo São Paulo em momentos difíceis, e é um jogador valoroso quando atua como volante. Ficaríamos então com três volantes, sendo que os três poderiam subir ao ataque, alternadamente, e liberaríamos os dois meias pra inventar tudo o que quisessem pra surpreender a defesa celeste.
No ataque: Borges e Washington. Borges é nosso melhor atacant até com uma perna quebrada, mas o outro só é úlil se tem um bom jogador pra fazer cruzamentos, afinal de contas, tem 1,90 de altura e um cabeceio bem acima da média. Nosso especialista nisso é justamente o Jorge Vágner, que estava no banco e ficou lá até o final da partida.

Não bastasse isso tudo, Eduardo Costa é expulso no final do primeiro tempo, o cara não tem mesmo a manha da Libertadores. Curiosamente, isso melhorou o time, já que entraram Hernanes (no lugar do Júnior César) e Dagoberto (no lugar do desperdiçado Washington). Assim, Marlos pode cair mais pela direita (já que Hernanes subia e apoiava o ataque) e trabalhou tabelas com o Dagoberto. O time correu, atacou, passou muito perto por duas vezes e, no seu melhor momento, levou um golaço, do Henrique, que eu nem falei ainda mas é um volante bem bonzinho lá do time mineiro.

Depois ainda tivemos um pênalti contra, e foi expulso o André Dias. Não precisei assistir o resto.

Tristeza não tem fim.



Antes de acabar esse post imenso, queria comentar um detalhe sobre o Palmeiras, que foi desclassificado pelo Nacional, do Uruguai, numa partida que eu não assisti. O que me importa, no entanto, é outra coisa: Há poucas semanas, quando os porcos contrataram o Obina, meu irmão disse que não entendia, e eu expliquei pra ele: "Olha, o que o time do Palmeiras quer é alguém pra levar a culpa nos dias e mau resultado, e assim tirar um pouco da carga de responsabilidades sobre o "prodígio" Keirrison." Não falei brincando. Dito e feito: Saiu como a encomenda.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Brainstorm.

Título sugerido pela minha sempre querida Gabi.

Chuva em junho, frio no outono. Não tem como negar que neste ano algumas coisas estão diferentes. Pressinto algumas mudanças significativas.
Tenho repensado minha vida amiúde: valores, conceitos, relacionamentos. 2009 segue com cara de ano transitório, bem como me foi 2008, mas com uma diferença: as mudanças finalmente tomam forma. Volto a estabelecer convicções, sem as quais não temos bases pra qualquer evolução moral ou intelectual. Cada uma delas merece um parágrafo.
A moral transcendental eu já abandonei faz tempo, e o Baumann ilustra bem a liquidez dos preceitos morais na sociedade moderna. Adoto, portanto, afora a máxima kantiniana, uma moral multirreferencial. Adoto julgamentos diferentes para situações diferentes, inclusive para mim mesmo. Não que eu oculte a culpa das minhas leviandades, mas aprendi a reconhecer uma parcela de humanidade em cada erro.
Quanto ao lado intelectual, não abandonei a noção de construção histórica do conhecimento. Ainda acho que nenhuma forma de conhecimento deve ser abandonada, e sim somada ou "processada" pra atingir um novo grau ou formato. A evolução pessoal é que agora entendo a influência cultural nesse mesmo objeto de conhecimento e, portanto, a necessidade de atualização do conteúdo. Ao mesmo tempo, o transito de pessoas por todas as partes do mundo afeta consideravelmente as relações culturais, e potencializa essa necessidade de reformulação teórica. Pode parecer óbvio pra alguns, enquanto pra mim foi e tem sido um difícil conflito.
Por outro lado, começo a ter algumas novas certezas a cerca do teatro, uma delas: A maior parte dos atores e atrizes, inclusive acadêmicos, buscam no teatro uma terapia e, outros, ao melhor estilo wagneriano ou a exemplo de Schopenhauer, buscam a salvação pela arte. Arre! A esses eu indico meus amigos Fernando, futuro psicólogo, e Leonardo, futuro Pai-de-santo. Também estou farto de quase todos os modos de teatro que tenham os olhos puxados e comam sushi. Longe de mim também o teatro vegetariano e o teatro ginástica. Tenho algum amigo estudante de nutrição ou educação física?
Vejo nas produções teatrais de quase tudo, menos teatro. Sei que esta minha frase "alí tem tudo, menos teatro", está batida e é arbitrária, mas perdoem a falha moral, é um desabafo de quem se vê colocado em meio a produções artísticas onde o objeto final da arte é quase que completamente ignorado em função das veleidades e conflitos existenciais de pessoas de alma bem pequena. Se for um dia professor de teatro, o primeiro livro dos meus alunos vai ser O Analista de Bagé. Depois, quem sabe, sugiro algum do Paulo Coelho ou do Castanheda, aos mais ritualistas ou xamânicos.
Sobre estética, estou com Ortega y Gasset: apenas algumas pessoas são capazes de identificar em um obra o que ela tem de fundamentalmente artístico, e a maioria enfoca nela o que lhe é humano. É claro que isso não desvaloriza nem obra nem espectador, mas assim fica mais fácil tolerar o descuido estético de alguns produtores.
No âmbito pessoal: sim, eu estou me dedicando a torna-me uma pessoa mais tolerante e sincero, ainda que não pareça. A primeira atitude foi reduzir ao máximo o que eu chamo de amizades e também ser mais franco quando discordo de alguém. Pode parecer um paradoxo, mas é evidente que a falsa concordância e a omissão de opinião contrária são sinais não só de intolerância como também de desprezo pela opinião alheia, e a coleção de meios-amigos é um exercício de egoísmo e falsidade. Além disso, sei que ainda me restam os bons.
Estou tentando me dedicar também ao lado sentimental, minha faceta menos trabalhada, portanto mais tosca. Não queria passar mais um 12 de junho roendo unhas. Este parágrafo eu desenvolvo depois, em outro texto.
Profissionalmente vou bem, obrigado. Bom desempenho na faculdade, venho angariando o respeito de colegas e professores, além de alguns pontos de conceito com os coordenadores. Agora só me faltam um emprego e arrumar a parte financeira. Não sei por que, mas acho que ainda tenho alguns anos de pindaíba pela frente. Oxalá os tempos melhorem.
No mais a vida segue como sempre foi, e como disse Oscar Wilde: um quarto de hora com alguns momentos emocionantes.