sexta-feira, 29 de maio de 2009

Vinte Poucos

Vinte e Poucos Anos, vinte e poucas contradições...


Sempre disse que escrever era fácil, só precisávamos da primeira palavra. Pois bem, já há algumas semanas que acordo e durmo pensando: “Cadê minhas primeiras palavras?”. Antes escrever era “fácil”, só precisava de uns minutos livres (ou não tão livres assim), olhava para o papel e metade do texto já saia quase pronto.
Essa ausência de palavras me levou a questionar: “Por que?”
Pois bem, depois de refletir e refletir, resolvi para tentar aliviar a angustia, refazer uma avaliação dos meus 20 anos... uma avaliação que eu estava me devendo e que adiava talvez por medo de ver meu (seu?) “EU” exposto, escancarado.
A principio, todos (tolos) que se atrevem a vir até aqui, é porque já me conhecem o suficiente para não surtar com minhas afirmações (ou não?), e sendo assim, já me conhecem o suficiente, ou seja: “Você(s) já sabem e me conhecem muito bem, eu sou capaz de ir e vou muito mais alem, do que você imagina...” e mantendo o clima da musica, acho que passo a entender minha solidão como uma síndrome dos Vinte Anos, (risos), “Nem por você nem por ninguém, eu me desfaço dos meus planos, quero saber bem mais que os meus 20epoucos anos”.
Mas isso não é (em partes) uma desculpa, confesso que deixo de injetar confiança em possíveis relacionamentos que por algum motivo eu ache que vá me privar de algo. Gosto de ser livre, principalmente, livre para pensar. Por essas e outras meus conflitos internos com uma série de coisas, como a religião. Não gosto que me digam o que fazer (tirando os que pagam meu salário, e minha mãe), mas alem disso, não permito que me digam o que pensar. Gosto de ser livre para voar, para pensar e ser o que sou.
Acho que tenho medo de, como muitos fazem, reduzir-me pelo outro a ponto de perder-me, acho sim que concessões são validas e necessárias, mas, do que você abriria mão por mim?
É complicado e, de uma possível avaliação da minha “meia-vida” (“... Quem foi que disse que a vida começa aos 40?...), passo a uma discussão do que é a vida a 2 para mim. E isso me lembra pessoas fantásticas com as quais as vezes discuto sobre isso, discutir é claro, no bom sentido... Um pause, e cito Hannah (saudades), Paulla Danna, Polly, e os saudosos amigos de sempre, companheiros de farra e de blog...
Mas como não era esse o propósito do texto, volto a minha avaliação dos meus 20 anos. Confesso que por preguiça não li minhas avaliações passadas, o que seria de extrema importância para um melhor entendimento, mas não quero comparar-me com o que já fui. Prefiro pensar e comparar o Hoje com aquilo que um dia pretendo ser. Mas, isso me deixa mais frustrado, não sei o que quero ser. Às vezes olho para minha estante (imaginária) com minha coleção de livros sagrados (os livros são sagrados (não no termo sacro, mas no cunho pessoal) e reais, embora a coleção não.... (pausa para suspiro de lamentação)) e me imagino com o Guia do Mochileiro das Galáxias nas mãos, sentado esperando o “... moço, do disco voador...” e que ele me leve para longe.
O excesso de informação em minha mente as vezes me assombra, apesar de todas as inter-textualidades (eu sei que não tem hífen) desse texto, muitas que naturalmente e aleatoriamente surgiram em minha mente eu supri, com medo de ficar um texto confuso (mais?) e demasiado denso. Mas isso é o que sou hoje, converso com a pessoa que esta em minha frente enquanto observo e penso na beleza da lua, e na pausa da pessoa que conversa comigo, comento sobre a lua e antes dela virar para trás respondo suas perguntas enquanto observo a moça que passa ao lado com um vestido de algodão, bem solto, e penso naquela musica do Seu Jorge, respondo ela e faço batuque na perna com a mão esquerda....

E que olhos que ela tinha...
(Quem? A menina que conversava ou a do vestido?
- Não, nenhuma delas, não falei da amiga da menina de vestido que tinha os olhos azuis?).

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Ântero-inferior

Engrenagens quebradas e roldanas frouxas
Corre devagar o meteoro
Leituras esparsas e nunca terminadas
Estatuetas de bronze passeiam em jardins metais
Tiros surdos, mudos e cegos
Inocência em tabletes, congelada, perfeita para
Comer de manhã cedo com Rufles
Amor em suaves prestações no carnê

Lésbicas beijando cães e gatos
Escorrega pelo tobogã a bolsa de valores
Instintivamente, saco meu taco de Beisebol
Torresmos com fritas e catchup, please
Underworld, baby. I'm so alone.
Restos de restos de gente
Amanhã comerei uvas e beberei vinho nobre

sexta-feira, 15 de maio de 2009

O efeito do distanciamento no Teatro Épico de Bertolt Brecht

Faz tempo que queria usar este espaço pra publicar algumas reflexões e ensaios sobre o teatro e a arte de forma geral. Aviso que possivelmente serão textos chatos para quem não tem interesse pelo assunto, e que, sendo ensaios, não têm a formalidade técnica nem a preocupação científica dos trabalhos. Recentemente tive alguns problemas com plágio, então vale dizer que estes textos são registrados e protegidos pela Lei Brasileira de Direitos Autorais, (Lei 9610, de Fevereiro 1998), e por isso peço gentilmente que não se faça reprodução total ou parcial sem menção de autoria.

Hoje quero falar de aspectos do distanciamento, recurso adotado por Bertolt Brecht nos seus trabalhos de teatro e um dos fundamentos do seu Teatro Épico. Brecht é um dos meus objetos de pesuisa no Projeto de Iniciação Científica da UFg, e por isso me deu vontade de postar algumas observações que retirei de livros dele, da Ingrid Koudela (Brecht: um jogo de aprendizagem) e do Anatol Rosenfeld (O teatro épico). Tentei deixar um pouco mais fluido, mas acho que ainda está com cara de trabalho de faculdade, porque é trecho de um trabalho da disciplinas de Fundamentos da Linguagem teatral. Com tempo vou lendo e editando.

Um dos principais traços estilísticos do gênero épico é a presença do narrador, que participa em menor ou menor grau da história narrada, e tem consciência de todos os acontecimentos relacionados ao enredo que se passa. Exatamente por isso, apresenta uma postura serena e objetiva com relação aos fatos, mantendo-se distante deles, embora esteja inserido de alguma forma como testemunha.

No teatro épico de Brecht, a figura do narrador funciona como válvula para o efeito de distanciamento entre a história que se apresenta e a platéia que acompanha; e entre o local onde se realiza o espetáculo teatral e o mundo que é narrado.

O ator épico narra seu papel como quem mostra um personagem, preservando dele certa distância e impessoalidade. Ele não finge ter-se fundido com a personagem da qual conta os destinos. Finge, isso sim, ter presenciado de alguma maneira os acontecimentos e estar perfeitamente a par deles.

Esse distanciamento tem intuito didático: Confronta o espectador com uma situação que trata da sua própria realidade, e não apenas da realidade de um personagem. O confrontamento exige do espectador uma atitude sóbria e racional, de modo que ele possa apreender e compreender o que está sendo exposto, relacionando ao seu cotidiano. “O fim didático exige que seja eliminada a ilusão, o impacto mágico do teatro burguês” (Rosenfeld). Quem assistiu neste final de semana ao Theatro Muzycal Profano, da Cia Teatral Martim Cererê, teve uma demonstração dessa linguagem: os atores se destacavam da cena para contarem a cena que viria a seguir, e informar sobre as histórias e músicas envolvidas no espetáculo.

O narrador mantém lúcida e consciente a platéia. Diferentemente do que ocorre no gênero dramático, o ouvinte não “entra” na situação narrada, mas acompanha e critica.

Essa poética de estranhamento combate uma estética pautada na redenção pela arte, tão presente no objetivo aristotélico da tragédia, que pretendia levar o espectador ao efeito catártico de purificação pelo terror e pela piedade. “O público assim purificado, sai do teatro satisfeito, convenientemente conformado, passivo [...]”. Esse mesmo público, após o efeito da catarse, não toma partido da coisa mostrada, mas simplesmente assiste, se comove e vai embora.

A função didática se alia, para Brecht, com a função social: “Distanciar é ver em termos históricos” . Ao colocar os fatos narrados distanciados da platéia em tempo ou geografia, fica fácil perceber os destinos dos personagens como consequências de um momento histórico, e não uma obra divina ou de forças desconhecidas.

O homem passa a ser percebido não como um caráter acabado, como se propõe na poética aristotélica, mas como processo e parte de um contexto histórico e social, que são passíveis de mutação pela ação humana. A concepção fatalista da Tragédia é desmistificada ante a revelação de que as desgraças humanas podem ser superadas.

Vários são os recursos que o dramaturgo alemão desenvolveu para possibilitar esse efeito de estranhamento. Entre eles a ironia, a paródia, e a própria comicidade.

A ironia provoca distanciamento pela oposição entre a importância do fato contado e seus desdobramentos. Podemos ilustrar com Machado de Assis, no famoso Memórias Póstumas de Brás Cubas, onde o protagonista revela, sobre seu primeiro par romântico: “Marcela amou-me por onze meses e quinze contos de réis”. Esse recurso provoca a leitura crítica do fato, em vez de um envolvimento passional.

A paródia Rosenfeld define como “O jogo consciente de inadequações entre forma e conteúdo” . Um clássico exemplo que podemos buscar no cinema é a oposição entre o discurso polido, elaborado e erudito de Alex e os Droogs, contrastando com suas atitudes sádicas e violentas, em Laranja Mecânica, de Stanley Kubric. Essa inadequação torna estranhos texto e personagem, ampliando nossa atenção e provocando enorme desmascaramento por meio da desfamiliarização.

A própria comicidade é por si só um tanto distanciada, e exige certo grau de indiferença e insensibilidade. De fato, para rir do ridículo alheio é preciso não estar muito envolvido com o objeto da piada, e manter-se distanciado frente aos personagem e seus desatres.

Brecht fazia uso de cartazes e projeções de textos que comentam epicamente a ação narrada, como um pano de fundo de crítica social. Usa-se ainda recursos do grotesco como as máscaras deformadas; o efeito antiilusionista se manifesta também nos cenários, que são reduzidos ao indispensável e não apóiam a ação, mas apenas a comentam.

Nada disso serviria, no entanto, sem a figura do ator-narrador. Este, em vez de “viver” a personagem, mostra-a para o público, saindo dela e voltando a ela em momentos esporádicos.

O ator-narrador revela a sua própria opinião sobre a personagem que representa e a situação que essa personagem vivencia. Esse ator muitas vezes se dirige diretamente ao público, sem intermédio da voz da personagem, e possibilita uma maior compreensão dos temas elaborados em cena. O seu comportamento é de crítica social. Ademais, narra tudo como se passasse na voz do pretérito, em um outro tempo, distante do acontecimento teatral.

O ator representa e observa, dividindo-se em sujeito e objeto da representação, como um ator que, ao executar uma ação na qual a personagem acende um cigarro e fuma, depois de furmar, sorrisse pela bonita execução da cena, ou então, depois de uma bela situação de choro, sorria e peça para si os aplausos da platéia, retomando em seguida ao seu papel de encendor. Esse efeito não deixa o público perder a percepção da obra como artifício e dos fins aos quais ela se propõe.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Pequena autobiografia de 20 anos.

Eu sempre fui cabeça-dura. Teimoso mesmo, beirando ao ridículo. É que na minha mente as coisas tinham uma verdade, e fora dela todo o resto era mentira absoluta. Não é à toa que fui uma criança ranzinza que só fazia amizade com velhos, tão intransigentes quanto eu.

Na escola, a primeira decepção: era o nerd feio e malquisto; O preferidinho das professoras; o representante de turma (antes mesmo de saber o que era representar e muito menos o que era turma); o Dedo-duro, toda escolinha precisa de um; O ganhador de todos os prêmios de literatura quando literatura era fazer um textinho pro dia das mães; o que dava cola e ganhava chacota; o que sempre tinha uma resposta à altura; o prodígio; o talentoso; o puxa-saco.

E foram chegando os dez anos, onze, quinta e sexta série, pequeno destaque entre os da mesma idade: era politizado. Política pra mim era ajudar a decidir o livro da escola, colocar e tirar professor, montar um evento de arrecadação de material reciclável, outra de alimentos, enfim, decidir em conjunto.

Vieram também as primeiras namoradinhas, as primeiras juras de casamento, um presentinho roubado, um beijinho escondido, fugir da aula de educação física pra esperar ela sair da escola.

Surgiram as primeiras responsabilidades, sem pai em casa. Aos doze anos ouvia minha avó dizer: Você já é o homem da casa. E eu trabalhava todos os dias da semana, inclusive aos domingos. Aprendi nessa época algumas das coisas mais importantes da minha vida, que muita gente só vem saber quase nesta idade que eu tenho hoje, e se aprende: compromisso, horário, responsabilidade. Aprendi a ter um dinheirinho também: minha primeira compra: uma bicicleta azul com prata que um bandinho de quinta ia me roubar uns anos depois; o primeiro presente: uma geladeira nova pra mamãe; um computador (exatamente este, que ainda uso). Aprendi que o mísero dinheiro que se ganha com suor é mesmo uma das melhores realizações de um homem, se é dinheiro honesto. Aí acabei aprendendo honestidade, que é meu carma desde então. Continuava nerd, feio e malquisto. Ganhei mais uns prêmios de literatura quando literatura era escrever uma crônica sobre o bairro onde você mora.

Depois veio o ensino médio. A primeira prova de seleção. Mamãe ficou mais feliz com minha aprovação do que eu mesmo. Fui estudar numa escola onde todas aquelas baboseiras que aprendi sobre honestidade, compromisso, e tal não existiam nem em discurso. Conheci pessoas boas, em contrapartida. Comecei a aprender teatro, que faço até hoje, e dissociar coisas como prazer e amor, ética e responsabilidade, realidade e discurso. Aprendi a beber, jogar, maldizer, reclamar, resmungar sobre o governo, enfim, todas essas coisas que no Brasil são culturais. Aprendi que política era enganar os outros por vaidade ou diversão, e ser enganado por outros mil e um motivos. continuava nerd, feio... Não ganhei nenhum prêmio de literatura.

Pulando algumas partes, entrei na faculdade, até mais de uma vez. Que grata surpresa: Lá gostam de nerds feios! Já a responsabilidade, o compromisso... Agora me vejo chegando aos vinte anos, duas décadas dessa coisa sem muito sentido que é a vida de um homem. E o pior é que a biografia vai ficando incompleta, interminada mesmo. Será que devo concluir com reticências?

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Porque eu não ligo pra você.
E isso é bem mais simples,
Do que você, em uma tentativa de explicação,
Tenta em casa, deitada em sua cama fria e fazia,
Tenta imaginar.

Não te quero.
Não te gosto.
Não sou seu. Nem de ninguém.

Me pertenço.
Pertenço ao prazer das bocas virgens,
Ao doce daquelas que esperam pelo primeiro beijo,
Ao gosto do intocado.
Pertenço a vida.
Ao vento e a Lua.

Não me prendo a você,
Seu mundo pequeno e previsível,
Suas respostas e caretas ensaiadas.
Sou mais que isso.
Perdão. Não cresci e apareci para ser seu,
Para ser brinquedo.

“I’m the Boss.”

Meu mundo é MEU mundo.
O seu, também é meu.
Mas isso não te da nenhum direito,
A não ser o de ser grata.

Perdão, não nasci para amar.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Mulheres...

Vontade de escrever, mas, um vento triste levou as canções de minha mente e a falta de compasso no meu coração me fez perder os versos. Sou eu agora, filho da prosa. Nada contra a prosa, só não a vejo com tanta beleza quanto aquele texto magro... A prosa por si só é gorda. Tudo bem, existem umas gordinhas lindas (e apetitosas? Maldade...) e eu ate conheço algumas. E algumas que o fato de serem em prosa não tira nada delas. Como também há as mulheres soneto, que apesar de pequenas, nem magras nem gordas, tem um tempero próprio, a beleza única de um soneto.
Não concordo também em pensar que tudo que é belo, ou todas, devem seguir um padrão. Existem poesias lindas, ditas verdadeiras obras de arte por alguns, mas, eu não dormiria com elas. O excesso de cuidado na metragem, faz perder toda sensualidade e tempero próprio das rimas, e das rimas naturais. Rimas forçadas não tem graça. Não concordo em cortar um verso pelo meio, apenas para encaixar na rima do próximo verso. Por Deus, estava indo tão bem, tão “volupioso” (essa palavra existe? Duvidas...) e belo, de repente, pelo capricho do autor egoísta, poda-se (me lembrou o Phoda-C) aquele verso quando ele quase alcançava o êxtase, o gozo.
Mulheres são como poesias, mas por que não mulheres também em prosa, tudo bem que comecei falando que não gosto de prosas, mentira. Algumas mulheres, algumas historias e situações ficariam ridículas em poesia... E existem mulheres que apesar de naturalmente belas, sua história à deixa ainda mais bela, dá um certo requinte. E história, é prosa.
Digamos que as mulheres em poesia são aquelas dos nossos sonhos, aquelas que passamos a vida inteira sonhando (nós homens, sonhamos inclusive nos banheiros) e raramente conhecemos ou tocamos em uma. No final, casamos com uma companheira, uma com quem você decida compartilhar uma vida toda de experiências. E se você der a sorte de se casar com uma poesia. Relaxa e aproveita, pois logo, logo, ela também será mais uma prosa em sua vida.
Pois bem, não quero casar e gosto de sonhar, vejo poesia em tudo e leio a prosa em versos, romântico que sou, respiro em verso e não consigo pensar em prosa. Enquanto sonhar, amarei mulheres em poesia, e verei poesia em cada mulher, lembrando sempre que há poesias ruins, por que não? E prosas que merecem ser lidas com atenção.