sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Estava no meu quarto e escrevia o quanto sofria com o meu estado de solidão. Que não sei ficar sem ter alguém e como me faz falta ter em quem pensar ou a quem mandar versinhos improvisados.

Nessa hora tocou o telefone e recebemos a notícia do falecimento do avô paterno da Izinha, seu Ermenegildo. O velho estava internado há algum tempo e se foi, como é a natureza das coisas. Izinha me abraçou e chorou nos meus braços, sem dizermos uma palavra.

Depois disso achei injusto chamar o que eu sentia de sofrimento. Voltei ao quarto e rasguei para sempre as bobagenzinhas do papel.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Que seria, se teu fosse?

(Meu último poema romântico)

Se tu fosses um vulcão
Eu seria lava quente
Se eu fosse lava quente
Tu serias mata seca
Se eu fosse mata seca
Tu serias meu incêndio

Se eu fosse o Amazonas
Tu serias São Francisco
Se tu fosses São Francisco
Eu seria o mar salgado
Se tu fosses mar salgado
Eu seria o teu salmão

Se tu fosses sabiá
Eu seria manhã nova
Se eu fosse manhã nova
Tu serias meu café
Se eu fosse teu café
Tu serias água e pó

Se eu fosse pés descalços
Tu serias chão de terra
Se tu fosses chão de terra
Eu seria chuva grossa
Se eu fosse chuva grossa
Tu serias terra fértil

Se tu fosses lua cheia
Eu seria lobo jovem
Se eu fosse lobo jovem
Tu serias minha presa
E se fosse eu tua presa
Tu serias como aranha

Se eu fosse céu inteiro
Tu serias tempestade
Se tu fosses tempestade
Eu seria relampejo
Se tu fosses relampejo
Eu seria o teu trovão

Se tu fosses roseiral
Eu seria seiva bruta
Se eu fosse seiva bruta
Tu serias os meus sais
Se eu fosse os teus sais
Tu serias água limpa

Se eu fosse só criança
Tu serias meu recreio
Se tu fosses meu recreio
Eu seria os teus brinquedos
Se tu fosses meus brinquedos
Eu seria as tuas cores

Se tu fosses aquarela
Eu seria o teu pincel
Se eu fosse teu pincel
Tu serias tela branca
Se eu fosse tela branca
Tu serias obra prima

Se tu fosses o inverno
Eu seria noite escura
Se eu fosse noite escura
Tu serias meu cometa
E se tu fosses cometa
Eu seria tua cauda

Se eu fosse apenas homem
Tu serias meu desejo
Se tu fosses meu desejo
Eu seria o teu amor
E pra que tamanho amor
Se de amor não fosse teu?

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Com quantos passos se faz uma distância?

Goiânia é pequena como um ovo, e meu destino mais irônico que Jô Soares e Millôr Fernandes. Assim reencontrei, esta semana, aquela que foi minha primeira namorada (achei indelicado escrever “encontrei minha primeira ex-namorada”), num congresso de pesquisa da Universidade – e eu nem sabia que estudávamos no mesmo lugar.

Estava ali, quatro fileiras à minha frente, assistindo a mesma palestra do Sandro di Lima, professor daquela escola de ensino médio onde ela e eu estudamos juntos e namoramos juntos e por fim nos desentendemos juntos, e que nem existe mais.

Cinco passos. Era essa a distância, tenho certeza. A distância física, claro, porque de fato nossa distância já é de cinco anos. Cinco anos do fim de um namoro de quatro meses entre dois adolescentes.

Nessa confusão de números, me lembrei de uma carta de três páginas, a última que fiz pra ela e que nunca foi entregue – a destinatária nem sabe que existe. Carta que ainda está guardada, já com sinais de amarelado, como testemunho de que já fui, um dia, um homem romântico. Ali estava tudo o que não disse nos quatro meses em que ficamos juntos, e dizia até o indizível. Eu pedia desculpas pelos erros, que não foram poucos, e garantia, pela primeira vez, que ia me esforçar para que tudo desse certo, pra que nosso relacionamento tivesse duração, que me dedicaria a ela, como sempre me cobrava com alguma razão. Falava coisas que só se diz quando está namorando.

Acontece – sempre meu bem humorado destino! – que no dia em que pretendia entregar a tal correspondência ela faltou ao nosso encontro e, por telefone, terminou o relacionamento. Como consequência, o que está ali escrito ficou sendo segredo meu e do papel.

Mas nesta semana estávamos a cinco passos. Nos vimos, sem dúvida. Ela parou de falar comigo há tempos, e aprendemos como bobos a fingir que não notamos a presença um do outro. E assim foi: nos encaramos várias vezes, sem trocar um “oi”.

Lembrei dos pequenos planos que tínhamos, e da fixação dela por animes. Lembrei da dificuldade em lhe dar presentes, porque é alérgica. Acabei me lembrando de uma boneca da “Docinho” que dei de presente num 12 de junho, e também que está quase chegando seu 23º aniversário. Que é do signo de escorpião. Que gosta de sorvetes de baunilha. Que ria das minhas idéias absurdas e dizia que eu era o cara mais estranho que ela já conheceu. Que a mãe dela não gostava de mim, embora não tenha me conhecido. Que fazia meus trabalhos de biologia, e também os outros quase todos. Que colava de mim nas provas. Que sempre recebia cantadas daquele professor de geografia que tem nome de um jogo de baralho, e ficava brava porque eu dava risadas. Que, ainda menina, dizia que me amava e eu, mais menino ainda, não era capaz de entender. Que gostávamos muito de andar de mãos dadas. Que escrevia, nos seus cadernos, nossos nomes envoltos em corações de caneta vermelha.

Pois estávamos a cinco passos de distância e não nos falamos. Estávamos a cinco anos de distância. Estávamos a muitas mágoas de distancia. Ou, talvez, a distância não tenha mesura.

domingo, 6 de setembro de 2009

Desejo...

Hoje desejo realizar um sonho.
Sonho este, que vivem em minha alma e se alimenta de todos os outros sonhos. O Sonho púro, pai de todos os outros sonhos e de todos desejos. Um sonho alimentado por um preceito biblico: "Honrar Pai e Mãe."
E nesse, venho contar a história de uma mãe, minha mãe. e Nessa história suplicar o meu perdão. Mãe essa, que a mim não emprestou apenas um sobrenome, pelo qual raramente sou lembrado. Me concedera um adjetivo, diariamente lembrado, um carma que tatuei em meu peito.
Essa mãe é A Loucura, e meu Destino é ser Louco.
Começo pois, com uma certa tristeza hipócrita.
Triste, pelos outros milhares de filhos, "Hermanos" que tenho e que se negam à ostentar de maneira correta o dom que é ser louco. E Repito: "Dom!".
Dom pois, a Loucura é a mãe de todas as outras coisas desse mundo. É Ela quem o movimenta, que faz com que os homens tenham dentro de si, na ausencia de um utero, uma vontade louca de criar e criar, e desafiar-se diariamente em busca do novo, e do seu melhor. É à ela que vós deveis o dom de ter nascido, pois é ela quem alimenta o Cupido, soprando em seus ouvidos suas tarefas diárias. E também é ela, que sempre que necessário diz boa noite às virtudes sábias, deixando assim o Amor florir.
Os Reis, devem à ela sua majestade.
E os Deuses bem sabem seu valor.
Entretanto, entre os homens fôra esquecida e negada.
E nessa negação entra o meu pedido de perdão.
Cresci e fui saudavel, inteligente e sagaz, e sempre muito e muito louco.
Com isso era feliz.
Amava a todas, e era, quase sempre, por todas amado.
Solto pelo mundo, vivia cada segundo com um gozo unico, e sentia prazer ao ouvir meu nome na boca dos outros: "LOUCO".
Prazer ainda maior, quando esse elogio me era dito ao pé do ouvido...



Mas um dia acordei.
O sonho havia sido ruim e seco.
Os bons vinhos que regavam minha mesa, presentes do irmão Dionisio, estavam secos. E um sabio invejeso, plantou em mim a semente da perspicácia e a vontade de ser normal.
Nesse dia senti em minhas pegadas o choro de minha mãe.


Digo que passei dois anos cego pelo desejo de ser sábio, ser sério e, porque não, rico. Esqueci-me da riqueza sempre farta que tinha em meu redor, das ninfas, filhas de sabios, que se encantavam com a loucura que nunca conheceram, e à mim cercavam. E dos presentes saudosos dos deuses irmãos, e do Deus maior.
Perdi o brilho dos olhos, e o sorriso sumira de minha boca. O amor, que sempre me embriagava, me fazendo rir e chorar com suas armações e armadilhas, havia me fechado a porta. Estava só.
E Aqui aproveito para realçar uma caracteristica que só aos loucos é concebida: A Amizade e o desejo de ser fiel. Um sábio, se tiver que escolher entre sua vida e a de seu amigo, escolherá manter-se vivo e se tornar mais sábio. A Lealdade e a certeza de se entregar pelo próximo é um privilégio dos loucos. Assim como a amizade, o amor, a Felicidade e todos os outros sentimentos que dão sentido a vida humana. São todos fragmentos de minha mãe.
E bom filho à casa retorna, assim como a boa mãe nunca abandona um filho.
Assim, nos lábios proibidos de uma ninfa selvagem que conheci em uma das curvas de meu destino, encontrei o desejo pecaminoso de ser feliz. E a alegria que é ser louco.

Hoje, de peito aberto e pulmão cheio, grito coberto de um manto vermelho: É Que sou POETA, e sou irmão dos Loucos, amores de mais, do tudo...

... pouco

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Poema torto

Às vezes acho que
nada que está no mundo me compete,
nada me alcança, nada me diz respeito.
As coisas todas estão fora de mim
e em vão tento integrar-me,
não posso.

Todas as verdades, e também os amores
bem como as incertezas, são todos
de outros e não meus.
Ou melhor, nem de outros:
de ninguém. De alguém que não é,
que não somos.

Ao escrever, nem a primeira
nem a segunda nem tampouco a terceira pessoa
servem. Nenhuma pessoa tem valor,
nem verbalmente. Nenhum de nós vale
sequer essas linhas tortas e borradas,
sujas porque tiveram contato com uma
mão de homem. Todas as mãos humanas
são manchadas de sangue e de hipocrisia.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Monólogo

(Todo o público deve estar sobre o palco. Luzes apagadas, há no centro um caixão de madeira aberto, com uma vela acesa de cada lado, à altura da cabeça. Algumas pessoas do público recebem velas acesas quando entram. No caixão, jaz uma mulher de vestido, com os olhos abertos. Odor ambiente de cravo.)

(Levanta-se subitamente)
Sempre quis ter os olhos abertos no meu velório. Já viu um defunto de olhos abertos? O coitado está lá, deitado, inerte, morto. Todo mundo passa e olha: “Foi um bom pai, um bom filho, um bom espírito.” – “A empresa homenageia pela inestimável contribuição durante anos de incontestável dedicação e fidelidade” – “Fulana de tal, brotou numa primavera faz tempo, e agora se vai com os ventos do outono” Mas e os olhos? Sempre quis os meus abertos. Não é por vaidade, meus amores, só queria olhar pra vocês uma vez mais. A maioria aqui é a segunda ou terceira vez que vejo. Você tem fogo? Ai! Me esqueci das boas vindas! Como vão, senhores? Sintam-se à vontade... Quer se deitar no meu lugar? É de veludo, coisa fina. Pode vir. Não? Não, nem você? Não mesmo?...
Morrer é horrível, sabiam? Nem queiram, eu morri uma vez só e nunca mais. “O meu cavalo está cansado, quer cova. E o cavaleiro insiste em descobrir, pessoalmente, se a morte é vírgula, ponto-e-vírgula ou ponto final” Monteiro Lobato, afinal de contas eu sempre fui uma mulher culta, não é verdade? Educada, não é verdade? Diz se é mentira. Não é mentira. O Lobato era um gênio. Gênio egoísta, não voltou pra contar, mas não seu preocupem, eu conto tudo pra vocês.
Eu estava lá, 14:31h. numa maca branca de um quarto branco com um monte de homens brancos em jalecos brancos e luvas brancas. Sentia uma náusea tremenda. Sem contar que eu me sentia flácida, inchada... O soro caía em conta-gotas, 14:32h, um alerta de morte encefálica, e eu observava tudo, 14:33h. Nessa hora eu me lembrei do meu testamento: “Todos os bens ficam distribuídos segundo a Lei de Herança. Os órgãos devem ser doados, exceto as córneas”. Eu queria morrer de olhos abertos. 14:36, todo o diagnóstico, burocracias, eu estava morta com aquilo... 14:38 desligam os aparelhos. Uma coisa muito, muito curiosa que eu vou contar pra vocês. Conhecimento póstumo, meus queridos: Todos que vão daqui pro outro lado, quando chegam perguntam as horas. Juro, todos! Mas imagine que loucura, você está morrendo, 14:31h, os médicos se assustam, você sabe que vai embora, 14:33h, eles desligam a maquina. 14:38h, você chega do outro lado, 14 e ? Que diferença faz? Mas do lado de cá o tempo continua, 14:40h, um enfermeiro lamenta, 14:41h, 14:42h, 14:43h...
E nesse tempo todo, os meus olhos estatelados, de lá até aqui, pra ver suas faces de condolências, enquanto eu fico deitada - a dona da festa! Falando em festa, gostei de você, garoto... não lembro de onde nos conhecemos... Você tinha que aparecer justo hoje, com tanta gente? Podia ter vindo antes. E você, podia ter se vestido melhor, feito a barba, baby... hummm, ou pensou que não fosse encontrar nada interessante aqui? Sabe, no fim das contas morrer é excitante. Acho que quando morre a gente fica despudorada. Vergonha do quê, do corpo? Ninguém mais quer. Uma mulher morta perde metade do encanto.
Ahhh! Agora eu me lembro, ele me deu banho! Claro... Ele quem me trouxe pra casa, lá do IML. Tinha me prometido, eu o fiz prometer: “Promete que vai me dar meu último banho?... Promete... Please. Ah, promete. Você vai me dar meu último banho e está decidido.” Onde está ele? Onde está? Ele tinha palavra, me colocou na banheira, me lavou devagar. Acho que ele lembrava das nossas noites... Me lavou como se fizesse carícias... Fitou meus seios, várias vezes... minhas pernas... Depois olhou meus olhos, me colocou este vestido, eu mesma escolhi pra este dia. Queria um vestido justo, quase – digamos – sensual. Aí ele me deitou nessa caixa, olhou-me com olhos de despedida e partiu. Mas deixou meus olhos abertos, como tinha prometido. Meus olhos abertos pra ver o desejo dos homens e a repulsa das mulheres. Por que me olham assim? Se a mulher é só um corpo por que não sentir tesão por uma defunta? Fala verdade, você não sente? Se é tudo o que fui em vida não me custa ser na morte. Mas onde ele está? Por que não veio? Disse que vinha...
Mas vocês já querem ir embora, não estão mortos, né? Que coisa boba, quase me esqueci. “Porque o tempo é invenção da morte”, “Porque o tempo é invenção da morte”, “Porque o tempo é invenção da morte”. Eu preciso mesmo me deitar, ali. Quer vir comigo? Deita comigo, amor. Não me olha assim, não é ruim como parece. Eu não sou tão fria quanto uma prostituta. Todos vocês já dormiram com uma prostituta... ou várias. Frias. Vocês já vão? Eu vou deitar, mas vocês podem ficar, se quiserem. Vou apagar algumas velas, pra deixar o ambiente mais confortável. Vou parar de conversar, podem dizer o que quiserem de mim... Só não fechem meus olhos. Quando eu for vocês aplaudem. Você: vai me aplaudir? Por favor, não quero ir embora assim, em silêncio. É meu último enterro. Eu vou, vocês podem ir embora, se não quiserem ficar. Mandem lembranças minhas. Você me leva flores, no enterro? Pode me visitar quando quiser, meu túmulo é enorme. Eu já vou, mas vocês aplaudem, eu mereço. Sempre quis ser velada de olhos abertos.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Meus caros.
Saudades de ver minhas letras que não me pertencem estampadas nesse fundo escuro e calmo.
Mas as palavras me abandonaram, junto com toda a esperança e a vontade de encontrar alguém.

Mas,
"Não quero lhe falar,
Meu grande amor.
Das coisas que aprendi nos livros..."

Estou com uma pergunta e com a vontade de respondê-la,
e, quando escrevo, minha cabeça pensa junto com o universo inteiro...
E as respostas fluem em mim, tal qual eu e o universo.
E a poesia, o que é poesia?
Não me venha, caro e tolo, com definições de dicionário...
Me diga de verdade, como voce sabe que aquilo é poesia?

Simples.
Poesia é a ordem do universo, não tem lingua ou idioma, existe e se manifesta por si só. E a linguagem é só uma limitação.
Poesia não se entende nem se desvenda, se sente.
Podes ouvir uma poesia de amor susurrada em arabe, e tu saberás que é poesia, e que é amor... E reconhecerás um poeta.
Todos sabem, sou critico da poesia pelos simples prazer da perfeição silabica.
Me traga o sentimento perfeito expressado em uma poesia sem rimas e sem sentido,
que ficarei muito mais emocionado.
Poesia é isso:
- Sentimento.
E poeta é aquele que sabe ensinar em palavras como se sente, e faz-se sentir.
A boa poesia é como um manual...
Se eu fosse bom poeta,
e nesse texto falo de coisas sobre as quais desconheço, amo e ao mesmo tempo morro de duvidas, e sem essas coisas eu não existo. Deveria eu, causar em voce, esses mesmos sentimento.
Mas não sou poeta, nem sou bom.
Sou louco...
"... Tem amor Demais... Tem de tudo um Pouco..."



Um texto aos meus amigos de sempre, e vocês sabem quem são. As amigas que tenho grandes saudades, entre elas, Hannah e Aline Mohr. À Prii. Porque ela é chata.
E à uma infinidade de mulheres que amo, amei e ainda amarei, em silencio...

Obrigado.

domingo, 28 de junho de 2009

A pequena e patética história de um amor que morreu sem ter nascido

Antes de iniciar essa narração, é necessário um pequeno esclarecimento aos gentis leitores, acerca do título: Patético é uma palavra que encontra duplo significado, em nossa língua. Tanto pode significar ridículo, risível, como pode ter o sentido de tocante, comovente. Eu, mero autor, muito longe de estar em condições de definir uma palavra, deixo a vocês a decisão por qual sentido ela adota, no enredo que segue.

Esse é um capítulo da história de um jovem casal, não muito distante da nossa realidade em tempo ou em geografia. Se é verdadeira? Obviamente sim, todas são. Seus nomes? Isso eu não sei dizer e nem poderia, pois seria uma incoerência. Dar nomes é individualizar os acontecimentos, enquanto todas as histórias de amor são universais. Vou chamá-los de ela e ele, em minúsculas mesmo. Você, leitor amigo, pode escolher um para chamar de si, se quiser. Até suponho que o fará.
Chamou duas vezes, impaciente que era.
- Oi. – Disse ele simplesmente, quando ela abriu o portão, e a casa era como se fosse dela.
- Tudo bem? – Perguntou ela ou foi ele, com um sorriso.
- Estamos bem – Responderam, cada um ao seu tempo. Sorriram e ele entrou.
- Você está linda. – E quem sorriu foi ela. Seus olhos se olhavam com carinho, enquanto ele insistia por um beijo ou coisa assim.
Você já deve ter percebido que se conheciam havia algum tempo. De fato se conheceram em uma terra quase virtual, e nessa altura dos fatos já haviam se encontrado duas ou três vezes, sempre com alguma alegria. Gostavam um do outro e demonstravam isso, eventualmente, com beijos molhados e pequenos afagos.
Era justamente isso o que ele propunha nesse momento. Insistiu por alguns instantes, enquanto ela relutava docemente, e por fim se beijaram carinhosamente com os braços, as pernas e o ventre.
Estavam felizes, eu suponho. Ele mesmo me confessou que se esforçara por aquele momento. Gastara seus truques e artifícios, insistira, procurara... Ela também tinha sua participação ativa: Permitira, insinuara, deixara pistas diversas e cedera nos momentos certos. Construíam juntos um esboço de relacionamento.
- Por que escondemos dos outros? – Quem perguntou foi ele.
- Porque não temos nada. O que vamos mostrar? – Foi a resposta, em voz de veludo.
E nesse momento a boca dele lançou uma pergunta ou um pedido, ou uma pergunta-pedido, com ares de proposta. Uma pergunta-pedido-proposta, se me permitem a transgressão vocabular. Uma proposta que saiu sussurrada, porque aquela boca já quase havia desaprendido a fazer: Namora comigo?
Eu mesmo, enquanto escrevo, preciso parar alguns segundos, pra me acostumar à densidade que tomou o ar naquele momento. A boca dele insistia tantas vezes que parecia querer acostumar-se de novo com aquelas palavras. Tentou mais uma vez, agora imperativa, como um apelo: Namora comigo. E os olhos dela miravam os joelhos que não eram dele, enquanto seu corpo ficava em frêmito. Tantas vezes ele insistia e tamanha era a demora que a boca dele preferia que a dela não respondesse em palavras.
Nessa hora – e isso pede um parágrafo a parte – iniciou-se um pungente conflito entre uma boca e dois olhos. O que dizia a boca, os olhos diziam em contrário. O que a boca dizia era:
- Não posso. – E o que os olhos diziam era obscuramente oposto.
- Como não? – Pensou o peito dele, enquanto sua mente desfazia uma série de nós.
Se o peito pensa? Suponho que sim, e até melhor do que a mente, que só considera o que é ululante e inquestionável. Só quem não pensa são as mãos, e então a dele procurou a dela, que aceitou sem defesa.
- Eu não estou pronta pra isso. – Respondeu a boca, e os olhos se reviravam aflitos.
Esse diálogo se seguiu tão longo e cheio de meias verdades que transcrevê-lo aqui seria um exercício de sadismo. Ele, abismado e abatido, a acusou de injusta e covarde. Ela reclamou das cobranças e se defendeu, expondo seus motivos, cada um deles menos coerente que o anterior.
- Eu faria você sofrer. – Disse a boca, e pela primeira vez os olhos pareciam concordar.
Uma coisa eu penso e ele concorda: Quem pode escolher pelo sofrimento ou pela precaução, senão o próprio sofredor? É arbitrário escolher pelo outro, que talvez julgue valer mais a pena escolher um sofrimento que sucede um relacionamento cálido do que a fria negação das emoções. Para alguns, toda tristeza é fugaz, enquanto a felicidade é perene, mesmo que entrecortada por alguns efêmeros momentos de depressão. Foi esse seu argumento, embora menos literário.
- Eu também sofreria – Ela insistiu com os olhos e a boca. – E nessa hora o peito dele pensou que fora vencido.
- Não há como insistir? – Perguntou ele, em óbvia insistência.
- Não. – Respondeu depois de longa demora, somente a boca.
- Então eu devo ir embora? – As perguntas dele já eram patéticas.
- Isso. – nessa hora as mãos dela e dele se separaram, como uma metáfora.
Depois de uns quantos segundos segundos de silêncio:
- Você me leva até o portão?
Lá no portão se despediram:
- Se cuida. – Ela sugeriu, e ele julgou sem sentido.
- Te adoro. – Respondeu ele, sem preocupações gramaticais.
Todos nós sabemos que o tempo em que acontece uma situação como essa fica em suspensão. Eu mesmo não sei dizer quanto durou o diálogo. Ele foi-se embora, lânguido. Ela ficou e isso é tudo.
Não vou bancar o moralista e acusar os que têm medo ou receio, ou os que se previnem em excesso. Tudo o que eu penso é que essa pequena história talvez desse um livro, um dia, mas, por um motivo ou outro, hoje não rende mais do que duas ou três páginas.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Cut-dia-nu!

Caros (e baratos, só que esses a gente num fala sempre, preconceito néh?) amigos...

Não é novidade que hoje é sexta, o dia do dia mais sagrado de todos os dias da semana. E nesse dia, acordei com um humor diferente, debochado. Uma vontade louca de mandar, educadamente e com toda a classe e calma, um monte de gente ir se F***.

Pois bem, feito o feito, é uma pena que os que precisam realmente não o façam. Pena...
E caso alguém vá a fazê-lo, o faça com carinho, pra ter prazer e não ser algo de todo inútil. Ou seja, já que é para se fuder, que seja com jeitinho.

Pois bem, meu humor debochado me fez mudar o rumo do texto, não que eu não queira falar de fuder ou de foda, mas, a auto-fudelança é no mínimo brochante aos meus olhos, e eu ate gostaria de fazer um texto bonito, em forma de poesia, com uma monte de rimas de duplo sentido e sentir enquanto escrevo, o gosto do teu corpo na minha língua. Mas não, não há o que escrever, não há gosto, perdão, você não existe.

Gosto ultimamente, apenas o amargo constante da minha boca, e não é aquele amargo que faz você revirar mundos e fundos atrás dele (sacou? Fundos...). É um amargo da vida, não o doce amargo de aonde sai à vida... (sacou²? Uahsuahs). E esse amargo me diminui, me deixa fraco e sem vida. Me deixa morno, logo “Yo?”.

E dessa sensação que quero falar... mas, é tão ao mesmo tempo forte e patética, que não sei o que falar, não sei porque falar... Triste. Ando estressado, de verdade, explodindo com qualquer “tic-tac” de relógio que não me agrada. E isso não é bom. Faz tempo que não sinto isso, e não é depressão, é apenas uma vontade tremenda de chutar o balde. Cansaço de tudo, da falta de reconhecimento à falta de um horizonte favorável. E essa falta de um futuro à se sonhar, causa um vazio diferente daquele necessário a sobrevivência, como assim? Simples, acredito que existe dentro de cada um, o vazio que nos leva a crescer, a andar e a sonhar. Esse vazio, nos empurra sempre pra frente. Diferente desse vazio que sinto hoje, que sinto quando me deito, cansado e me pergunto: “por que faço isso?” e simplesmente não há resposta, ou vontade de responder. Não sei nem se há o motivo. Mas não quero discutir teorias de uma mente leviana aqui. Melhor, quero, e muito. Mas não agora.

Sabe...
Cansei.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Profissão: Cronista Esportivo

Depois de uma overdos de futebol - três partidas em 24 horas, não resisto à tentação de me passar por cronista esportivo e escrever aqui umas impressões. Apesar da derrota recente do São Paulo, vou tentar ser imparcial o quanto posso ee analisar os jogos com cautela. Sigo a ordem cronológica:

Corinthian x Internacional

Jogaço! Preciso começar exclamando, porque foi uma partida de encher os olhos. O Cortinthias - coração saopaulino que me perdoe - está jogando um absurdo e mereceu vencer. Mas claro que nada é assim por acaso, ainda mais considerando que o Inter tem o melhor elenco do Brasil.
O que aconteceu é que o time de São Paulo correu por dois. Laterais e volantes sobraram na marcação, e anularam o futebol dos previsíveis Magrão, Guiñazu e Andrezinho. Este último, aliás, merece boa citação, correu, se esforçou, cobrou boas faltas, levou o perigo que pode, mas tem pouca criatividade e quase não tem o que fazer quando joga sem D'Alessandro;
Falando em D'Alessandro, os desfalques do Internacional dão um parágrafo à parte: sem Kléber, Nilmar e, principalmente, o meia argentino, o time perdeu, respectivamente: apoio pelo lado esquerdo, velocidade nos contra=ataques e criatividade no meio-campo. Fez falta.
Os jogadores do time do sul que merecem aplausos são o goleiro Lauro e o Taison, claro, que apesar de perder aquele gol feito na cara do Felipe, jogou muita bola e foi o responsável direto ou indireto por todas as boas chances coloradas.


Agora um assunto que vai doer nos leitores mais incautos: Brasil x EUA. A seleção não arrasou ninguém.

Digo e repito, a nossa seleção não arrasou ninguém. Dunga fez as alterações óbvias que todo mundo pedia há tempos: colocou o Ramires pra dar velocidade ao meio de campo e deixou o Kaká livre pra tabelar e atacar como quisesse. Tirou o fraco Elano. Quem arrasou, esse sim um craque digno da camisa que veste, foi Maicon, o lateral direito que ten pulmão de aço e pernas de keniano. O grande problema permanece na lateral esquerda. André Santos é mais inútil que cinzeiro em moto. Um cara esforçado, dedicado, até ajuda... A cara do técnico.
Fora Maicon e Ramires, o time atuou como é marca da "Era Dunga": Usando contra-ataques pra surpreender os adversários, e tocando bola de lado. Robinho, como sempre, fez o que tinha que fazer. Seleção venceu porque eram os EUA. Como disse pro Fernando e repito: pode até ganhar a Copa das Confederações. O pior time que a seleção amarela já teve, ganhou um mundial em 94. E quem estava lá???

Agora o que me dói: São Paulo x Cruzeiro. Morumbi lotado, 52 mil pessoas.

Adilson não inventou pelo lado dos mineiros, colocou em campo o que tinha de melhor: um clássico 4-4-2 com Wagner na armação e tendo Kleber e Welington paulista no ataque. Lá atrás, os bons zagueiros Leo Silva e Leo Fortunato. Não precisava mais que isso.
O Muricy, do lado tricolor, manteve seu tradicional 3-5-2. A zaga veio bem, André Dias, Renato Silva e Richarlyson. Podem dizer o que quiserem, mas o viadinho é bom de bola. André, então, nem se fala, é dos melhores da posição, no país. Renato dá pro gasto. Os maiores problemas vêm no meio de campo: Zé Luis, Eduardo Costa, Jean, Marlos e Junior César. Colocou Zé e Junior pra jogar de alas, uma grande besteira quando poderia ter colocado o eficiente Jorge Vágner no lugar do Junior para jogar com dois meias ofensivos, e reaguardar assim o Zé Luis. Como o Zé apoiando mais a marcação, podia não ter escalado o Eduardo Costa e sim o Hernanes, que embora venha em má fase, aprendeu a jogar pelo São Paulo em momentos difíceis, e é um jogador valoroso quando atua como volante. Ficaríamos então com três volantes, sendo que os três poderiam subir ao ataque, alternadamente, e liberaríamos os dois meias pra inventar tudo o que quisessem pra surpreender a defesa celeste.
No ataque: Borges e Washington. Borges é nosso melhor atacant até com uma perna quebrada, mas o outro só é úlil se tem um bom jogador pra fazer cruzamentos, afinal de contas, tem 1,90 de altura e um cabeceio bem acima da média. Nosso especialista nisso é justamente o Jorge Vágner, que estava no banco e ficou lá até o final da partida.

Não bastasse isso tudo, Eduardo Costa é expulso no final do primeiro tempo, o cara não tem mesmo a manha da Libertadores. Curiosamente, isso melhorou o time, já que entraram Hernanes (no lugar do Júnior César) e Dagoberto (no lugar do desperdiçado Washington). Assim, Marlos pode cair mais pela direita (já que Hernanes subia e apoiava o ataque) e trabalhou tabelas com o Dagoberto. O time correu, atacou, passou muito perto por duas vezes e, no seu melhor momento, levou um golaço, do Henrique, que eu nem falei ainda mas é um volante bem bonzinho lá do time mineiro.

Depois ainda tivemos um pênalti contra, e foi expulso o André Dias. Não precisei assistir o resto.

Tristeza não tem fim.



Antes de acabar esse post imenso, queria comentar um detalhe sobre o Palmeiras, que foi desclassificado pelo Nacional, do Uruguai, numa partida que eu não assisti. O que me importa, no entanto, é outra coisa: Há poucas semanas, quando os porcos contrataram o Obina, meu irmão disse que não entendia, e eu expliquei pra ele: "Olha, o que o time do Palmeiras quer é alguém pra levar a culpa nos dias e mau resultado, e assim tirar um pouco da carga de responsabilidades sobre o "prodígio" Keirrison." Não falei brincando. Dito e feito: Saiu como a encomenda.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Brainstorm.

Título sugerido pela minha sempre querida Gabi.

Chuva em junho, frio no outono. Não tem como negar que neste ano algumas coisas estão diferentes. Pressinto algumas mudanças significativas.
Tenho repensado minha vida amiúde: valores, conceitos, relacionamentos. 2009 segue com cara de ano transitório, bem como me foi 2008, mas com uma diferença: as mudanças finalmente tomam forma. Volto a estabelecer convicções, sem as quais não temos bases pra qualquer evolução moral ou intelectual. Cada uma delas merece um parágrafo.
A moral transcendental eu já abandonei faz tempo, e o Baumann ilustra bem a liquidez dos preceitos morais na sociedade moderna. Adoto, portanto, afora a máxima kantiniana, uma moral multirreferencial. Adoto julgamentos diferentes para situações diferentes, inclusive para mim mesmo. Não que eu oculte a culpa das minhas leviandades, mas aprendi a reconhecer uma parcela de humanidade em cada erro.
Quanto ao lado intelectual, não abandonei a noção de construção histórica do conhecimento. Ainda acho que nenhuma forma de conhecimento deve ser abandonada, e sim somada ou "processada" pra atingir um novo grau ou formato. A evolução pessoal é que agora entendo a influência cultural nesse mesmo objeto de conhecimento e, portanto, a necessidade de atualização do conteúdo. Ao mesmo tempo, o transito de pessoas por todas as partes do mundo afeta consideravelmente as relações culturais, e potencializa essa necessidade de reformulação teórica. Pode parecer óbvio pra alguns, enquanto pra mim foi e tem sido um difícil conflito.
Por outro lado, começo a ter algumas novas certezas a cerca do teatro, uma delas: A maior parte dos atores e atrizes, inclusive acadêmicos, buscam no teatro uma terapia e, outros, ao melhor estilo wagneriano ou a exemplo de Schopenhauer, buscam a salvação pela arte. Arre! A esses eu indico meus amigos Fernando, futuro psicólogo, e Leonardo, futuro Pai-de-santo. Também estou farto de quase todos os modos de teatro que tenham os olhos puxados e comam sushi. Longe de mim também o teatro vegetariano e o teatro ginástica. Tenho algum amigo estudante de nutrição ou educação física?
Vejo nas produções teatrais de quase tudo, menos teatro. Sei que esta minha frase "alí tem tudo, menos teatro", está batida e é arbitrária, mas perdoem a falha moral, é um desabafo de quem se vê colocado em meio a produções artísticas onde o objeto final da arte é quase que completamente ignorado em função das veleidades e conflitos existenciais de pessoas de alma bem pequena. Se for um dia professor de teatro, o primeiro livro dos meus alunos vai ser O Analista de Bagé. Depois, quem sabe, sugiro algum do Paulo Coelho ou do Castanheda, aos mais ritualistas ou xamânicos.
Sobre estética, estou com Ortega y Gasset: apenas algumas pessoas são capazes de identificar em um obra o que ela tem de fundamentalmente artístico, e a maioria enfoca nela o que lhe é humano. É claro que isso não desvaloriza nem obra nem espectador, mas assim fica mais fácil tolerar o descuido estético de alguns produtores.
No âmbito pessoal: sim, eu estou me dedicando a torna-me uma pessoa mais tolerante e sincero, ainda que não pareça. A primeira atitude foi reduzir ao máximo o que eu chamo de amizades e também ser mais franco quando discordo de alguém. Pode parecer um paradoxo, mas é evidente que a falsa concordância e a omissão de opinião contrária são sinais não só de intolerância como também de desprezo pela opinião alheia, e a coleção de meios-amigos é um exercício de egoísmo e falsidade. Além disso, sei que ainda me restam os bons.
Estou tentando me dedicar também ao lado sentimental, minha faceta menos trabalhada, portanto mais tosca. Não queria passar mais um 12 de junho roendo unhas. Este parágrafo eu desenvolvo depois, em outro texto.
Profissionalmente vou bem, obrigado. Bom desempenho na faculdade, venho angariando o respeito de colegas e professores, além de alguns pontos de conceito com os coordenadores. Agora só me faltam um emprego e arrumar a parte financeira. Não sei por que, mas acho que ainda tenho alguns anos de pindaíba pela frente. Oxalá os tempos melhorem.
No mais a vida segue como sempre foi, e como disse Oscar Wilde: um quarto de hora com alguns momentos emocionantes.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Vinte Poucos

Vinte e Poucos Anos, vinte e poucas contradições...


Sempre disse que escrever era fácil, só precisávamos da primeira palavra. Pois bem, já há algumas semanas que acordo e durmo pensando: “Cadê minhas primeiras palavras?”. Antes escrever era “fácil”, só precisava de uns minutos livres (ou não tão livres assim), olhava para o papel e metade do texto já saia quase pronto.
Essa ausência de palavras me levou a questionar: “Por que?”
Pois bem, depois de refletir e refletir, resolvi para tentar aliviar a angustia, refazer uma avaliação dos meus 20 anos... uma avaliação que eu estava me devendo e que adiava talvez por medo de ver meu (seu?) “EU” exposto, escancarado.
A principio, todos (tolos) que se atrevem a vir até aqui, é porque já me conhecem o suficiente para não surtar com minhas afirmações (ou não?), e sendo assim, já me conhecem o suficiente, ou seja: “Você(s) já sabem e me conhecem muito bem, eu sou capaz de ir e vou muito mais alem, do que você imagina...” e mantendo o clima da musica, acho que passo a entender minha solidão como uma síndrome dos Vinte Anos, (risos), “Nem por você nem por ninguém, eu me desfaço dos meus planos, quero saber bem mais que os meus 20epoucos anos”.
Mas isso não é (em partes) uma desculpa, confesso que deixo de injetar confiança em possíveis relacionamentos que por algum motivo eu ache que vá me privar de algo. Gosto de ser livre, principalmente, livre para pensar. Por essas e outras meus conflitos internos com uma série de coisas, como a religião. Não gosto que me digam o que fazer (tirando os que pagam meu salário, e minha mãe), mas alem disso, não permito que me digam o que pensar. Gosto de ser livre para voar, para pensar e ser o que sou.
Acho que tenho medo de, como muitos fazem, reduzir-me pelo outro a ponto de perder-me, acho sim que concessões são validas e necessárias, mas, do que você abriria mão por mim?
É complicado e, de uma possível avaliação da minha “meia-vida” (“... Quem foi que disse que a vida começa aos 40?...), passo a uma discussão do que é a vida a 2 para mim. E isso me lembra pessoas fantásticas com as quais as vezes discuto sobre isso, discutir é claro, no bom sentido... Um pause, e cito Hannah (saudades), Paulla Danna, Polly, e os saudosos amigos de sempre, companheiros de farra e de blog...
Mas como não era esse o propósito do texto, volto a minha avaliação dos meus 20 anos. Confesso que por preguiça não li minhas avaliações passadas, o que seria de extrema importância para um melhor entendimento, mas não quero comparar-me com o que já fui. Prefiro pensar e comparar o Hoje com aquilo que um dia pretendo ser. Mas, isso me deixa mais frustrado, não sei o que quero ser. Às vezes olho para minha estante (imaginária) com minha coleção de livros sagrados (os livros são sagrados (não no termo sacro, mas no cunho pessoal) e reais, embora a coleção não.... (pausa para suspiro de lamentação)) e me imagino com o Guia do Mochileiro das Galáxias nas mãos, sentado esperando o “... moço, do disco voador...” e que ele me leve para longe.
O excesso de informação em minha mente as vezes me assombra, apesar de todas as inter-textualidades (eu sei que não tem hífen) desse texto, muitas que naturalmente e aleatoriamente surgiram em minha mente eu supri, com medo de ficar um texto confuso (mais?) e demasiado denso. Mas isso é o que sou hoje, converso com a pessoa que esta em minha frente enquanto observo e penso na beleza da lua, e na pausa da pessoa que conversa comigo, comento sobre a lua e antes dela virar para trás respondo suas perguntas enquanto observo a moça que passa ao lado com um vestido de algodão, bem solto, e penso naquela musica do Seu Jorge, respondo ela e faço batuque na perna com a mão esquerda....

E que olhos que ela tinha...
(Quem? A menina que conversava ou a do vestido?
- Não, nenhuma delas, não falei da amiga da menina de vestido que tinha os olhos azuis?).

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Ântero-inferior

Engrenagens quebradas e roldanas frouxas
Corre devagar o meteoro
Leituras esparsas e nunca terminadas
Estatuetas de bronze passeiam em jardins metais
Tiros surdos, mudos e cegos
Inocência em tabletes, congelada, perfeita para
Comer de manhã cedo com Rufles
Amor em suaves prestações no carnê

Lésbicas beijando cães e gatos
Escorrega pelo tobogã a bolsa de valores
Instintivamente, saco meu taco de Beisebol
Torresmos com fritas e catchup, please
Underworld, baby. I'm so alone.
Restos de restos de gente
Amanhã comerei uvas e beberei vinho nobre

sexta-feira, 15 de maio de 2009

O efeito do distanciamento no Teatro Épico de Bertolt Brecht

Faz tempo que queria usar este espaço pra publicar algumas reflexões e ensaios sobre o teatro e a arte de forma geral. Aviso que possivelmente serão textos chatos para quem não tem interesse pelo assunto, e que, sendo ensaios, não têm a formalidade técnica nem a preocupação científica dos trabalhos. Recentemente tive alguns problemas com plágio, então vale dizer que estes textos são registrados e protegidos pela Lei Brasileira de Direitos Autorais, (Lei 9610, de Fevereiro 1998), e por isso peço gentilmente que não se faça reprodução total ou parcial sem menção de autoria.

Hoje quero falar de aspectos do distanciamento, recurso adotado por Bertolt Brecht nos seus trabalhos de teatro e um dos fundamentos do seu Teatro Épico. Brecht é um dos meus objetos de pesuisa no Projeto de Iniciação Científica da UFg, e por isso me deu vontade de postar algumas observações que retirei de livros dele, da Ingrid Koudela (Brecht: um jogo de aprendizagem) e do Anatol Rosenfeld (O teatro épico). Tentei deixar um pouco mais fluido, mas acho que ainda está com cara de trabalho de faculdade, porque é trecho de um trabalho da disciplinas de Fundamentos da Linguagem teatral. Com tempo vou lendo e editando.

Um dos principais traços estilísticos do gênero épico é a presença do narrador, que participa em menor ou menor grau da história narrada, e tem consciência de todos os acontecimentos relacionados ao enredo que se passa. Exatamente por isso, apresenta uma postura serena e objetiva com relação aos fatos, mantendo-se distante deles, embora esteja inserido de alguma forma como testemunha.

No teatro épico de Brecht, a figura do narrador funciona como válvula para o efeito de distanciamento entre a história que se apresenta e a platéia que acompanha; e entre o local onde se realiza o espetáculo teatral e o mundo que é narrado.

O ator épico narra seu papel como quem mostra um personagem, preservando dele certa distância e impessoalidade. Ele não finge ter-se fundido com a personagem da qual conta os destinos. Finge, isso sim, ter presenciado de alguma maneira os acontecimentos e estar perfeitamente a par deles.

Esse distanciamento tem intuito didático: Confronta o espectador com uma situação que trata da sua própria realidade, e não apenas da realidade de um personagem. O confrontamento exige do espectador uma atitude sóbria e racional, de modo que ele possa apreender e compreender o que está sendo exposto, relacionando ao seu cotidiano. “O fim didático exige que seja eliminada a ilusão, o impacto mágico do teatro burguês” (Rosenfeld). Quem assistiu neste final de semana ao Theatro Muzycal Profano, da Cia Teatral Martim Cererê, teve uma demonstração dessa linguagem: os atores se destacavam da cena para contarem a cena que viria a seguir, e informar sobre as histórias e músicas envolvidas no espetáculo.

O narrador mantém lúcida e consciente a platéia. Diferentemente do que ocorre no gênero dramático, o ouvinte não “entra” na situação narrada, mas acompanha e critica.

Essa poética de estranhamento combate uma estética pautada na redenção pela arte, tão presente no objetivo aristotélico da tragédia, que pretendia levar o espectador ao efeito catártico de purificação pelo terror e pela piedade. “O público assim purificado, sai do teatro satisfeito, convenientemente conformado, passivo [...]”. Esse mesmo público, após o efeito da catarse, não toma partido da coisa mostrada, mas simplesmente assiste, se comove e vai embora.

A função didática se alia, para Brecht, com a função social: “Distanciar é ver em termos históricos” . Ao colocar os fatos narrados distanciados da platéia em tempo ou geografia, fica fácil perceber os destinos dos personagens como consequências de um momento histórico, e não uma obra divina ou de forças desconhecidas.

O homem passa a ser percebido não como um caráter acabado, como se propõe na poética aristotélica, mas como processo e parte de um contexto histórico e social, que são passíveis de mutação pela ação humana. A concepção fatalista da Tragédia é desmistificada ante a revelação de que as desgraças humanas podem ser superadas.

Vários são os recursos que o dramaturgo alemão desenvolveu para possibilitar esse efeito de estranhamento. Entre eles a ironia, a paródia, e a própria comicidade.

A ironia provoca distanciamento pela oposição entre a importância do fato contado e seus desdobramentos. Podemos ilustrar com Machado de Assis, no famoso Memórias Póstumas de Brás Cubas, onde o protagonista revela, sobre seu primeiro par romântico: “Marcela amou-me por onze meses e quinze contos de réis”. Esse recurso provoca a leitura crítica do fato, em vez de um envolvimento passional.

A paródia Rosenfeld define como “O jogo consciente de inadequações entre forma e conteúdo” . Um clássico exemplo que podemos buscar no cinema é a oposição entre o discurso polido, elaborado e erudito de Alex e os Droogs, contrastando com suas atitudes sádicas e violentas, em Laranja Mecânica, de Stanley Kubric. Essa inadequação torna estranhos texto e personagem, ampliando nossa atenção e provocando enorme desmascaramento por meio da desfamiliarização.

A própria comicidade é por si só um tanto distanciada, e exige certo grau de indiferença e insensibilidade. De fato, para rir do ridículo alheio é preciso não estar muito envolvido com o objeto da piada, e manter-se distanciado frente aos personagem e seus desatres.

Brecht fazia uso de cartazes e projeções de textos que comentam epicamente a ação narrada, como um pano de fundo de crítica social. Usa-se ainda recursos do grotesco como as máscaras deformadas; o efeito antiilusionista se manifesta também nos cenários, que são reduzidos ao indispensável e não apóiam a ação, mas apenas a comentam.

Nada disso serviria, no entanto, sem a figura do ator-narrador. Este, em vez de “viver” a personagem, mostra-a para o público, saindo dela e voltando a ela em momentos esporádicos.

O ator-narrador revela a sua própria opinião sobre a personagem que representa e a situação que essa personagem vivencia. Esse ator muitas vezes se dirige diretamente ao público, sem intermédio da voz da personagem, e possibilita uma maior compreensão dos temas elaborados em cena. O seu comportamento é de crítica social. Ademais, narra tudo como se passasse na voz do pretérito, em um outro tempo, distante do acontecimento teatral.

O ator representa e observa, dividindo-se em sujeito e objeto da representação, como um ator que, ao executar uma ação na qual a personagem acende um cigarro e fuma, depois de furmar, sorrisse pela bonita execução da cena, ou então, depois de uma bela situação de choro, sorria e peça para si os aplausos da platéia, retomando em seguida ao seu papel de encendor. Esse efeito não deixa o público perder a percepção da obra como artifício e dos fins aos quais ela se propõe.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Pequena autobiografia de 20 anos.

Eu sempre fui cabeça-dura. Teimoso mesmo, beirando ao ridículo. É que na minha mente as coisas tinham uma verdade, e fora dela todo o resto era mentira absoluta. Não é à toa que fui uma criança ranzinza que só fazia amizade com velhos, tão intransigentes quanto eu.

Na escola, a primeira decepção: era o nerd feio e malquisto; O preferidinho das professoras; o representante de turma (antes mesmo de saber o que era representar e muito menos o que era turma); o Dedo-duro, toda escolinha precisa de um; O ganhador de todos os prêmios de literatura quando literatura era fazer um textinho pro dia das mães; o que dava cola e ganhava chacota; o que sempre tinha uma resposta à altura; o prodígio; o talentoso; o puxa-saco.

E foram chegando os dez anos, onze, quinta e sexta série, pequeno destaque entre os da mesma idade: era politizado. Política pra mim era ajudar a decidir o livro da escola, colocar e tirar professor, montar um evento de arrecadação de material reciclável, outra de alimentos, enfim, decidir em conjunto.

Vieram também as primeiras namoradinhas, as primeiras juras de casamento, um presentinho roubado, um beijinho escondido, fugir da aula de educação física pra esperar ela sair da escola.

Surgiram as primeiras responsabilidades, sem pai em casa. Aos doze anos ouvia minha avó dizer: Você já é o homem da casa. E eu trabalhava todos os dias da semana, inclusive aos domingos. Aprendi nessa época algumas das coisas mais importantes da minha vida, que muita gente só vem saber quase nesta idade que eu tenho hoje, e se aprende: compromisso, horário, responsabilidade. Aprendi a ter um dinheirinho também: minha primeira compra: uma bicicleta azul com prata que um bandinho de quinta ia me roubar uns anos depois; o primeiro presente: uma geladeira nova pra mamãe; um computador (exatamente este, que ainda uso). Aprendi que o mísero dinheiro que se ganha com suor é mesmo uma das melhores realizações de um homem, se é dinheiro honesto. Aí acabei aprendendo honestidade, que é meu carma desde então. Continuava nerd, feio e malquisto. Ganhei mais uns prêmios de literatura quando literatura era escrever uma crônica sobre o bairro onde você mora.

Depois veio o ensino médio. A primeira prova de seleção. Mamãe ficou mais feliz com minha aprovação do que eu mesmo. Fui estudar numa escola onde todas aquelas baboseiras que aprendi sobre honestidade, compromisso, e tal não existiam nem em discurso. Conheci pessoas boas, em contrapartida. Comecei a aprender teatro, que faço até hoje, e dissociar coisas como prazer e amor, ética e responsabilidade, realidade e discurso. Aprendi a beber, jogar, maldizer, reclamar, resmungar sobre o governo, enfim, todas essas coisas que no Brasil são culturais. Aprendi que política era enganar os outros por vaidade ou diversão, e ser enganado por outros mil e um motivos. continuava nerd, feio... Não ganhei nenhum prêmio de literatura.

Pulando algumas partes, entrei na faculdade, até mais de uma vez. Que grata surpresa: Lá gostam de nerds feios! Já a responsabilidade, o compromisso... Agora me vejo chegando aos vinte anos, duas décadas dessa coisa sem muito sentido que é a vida de um homem. E o pior é que a biografia vai ficando incompleta, interminada mesmo. Será que devo concluir com reticências?

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Porque eu não ligo pra você.
E isso é bem mais simples,
Do que você, em uma tentativa de explicação,
Tenta em casa, deitada em sua cama fria e fazia,
Tenta imaginar.

Não te quero.
Não te gosto.
Não sou seu. Nem de ninguém.

Me pertenço.
Pertenço ao prazer das bocas virgens,
Ao doce daquelas que esperam pelo primeiro beijo,
Ao gosto do intocado.
Pertenço a vida.
Ao vento e a Lua.

Não me prendo a você,
Seu mundo pequeno e previsível,
Suas respostas e caretas ensaiadas.
Sou mais que isso.
Perdão. Não cresci e apareci para ser seu,
Para ser brinquedo.

“I’m the Boss.”

Meu mundo é MEU mundo.
O seu, também é meu.
Mas isso não te da nenhum direito,
A não ser o de ser grata.

Perdão, não nasci para amar.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Mulheres...

Vontade de escrever, mas, um vento triste levou as canções de minha mente e a falta de compasso no meu coração me fez perder os versos. Sou eu agora, filho da prosa. Nada contra a prosa, só não a vejo com tanta beleza quanto aquele texto magro... A prosa por si só é gorda. Tudo bem, existem umas gordinhas lindas (e apetitosas? Maldade...) e eu ate conheço algumas. E algumas que o fato de serem em prosa não tira nada delas. Como também há as mulheres soneto, que apesar de pequenas, nem magras nem gordas, tem um tempero próprio, a beleza única de um soneto.
Não concordo também em pensar que tudo que é belo, ou todas, devem seguir um padrão. Existem poesias lindas, ditas verdadeiras obras de arte por alguns, mas, eu não dormiria com elas. O excesso de cuidado na metragem, faz perder toda sensualidade e tempero próprio das rimas, e das rimas naturais. Rimas forçadas não tem graça. Não concordo em cortar um verso pelo meio, apenas para encaixar na rima do próximo verso. Por Deus, estava indo tão bem, tão “volupioso” (essa palavra existe? Duvidas...) e belo, de repente, pelo capricho do autor egoísta, poda-se (me lembrou o Phoda-C) aquele verso quando ele quase alcançava o êxtase, o gozo.
Mulheres são como poesias, mas por que não mulheres também em prosa, tudo bem que comecei falando que não gosto de prosas, mentira. Algumas mulheres, algumas historias e situações ficariam ridículas em poesia... E existem mulheres que apesar de naturalmente belas, sua história à deixa ainda mais bela, dá um certo requinte. E história, é prosa.
Digamos que as mulheres em poesia são aquelas dos nossos sonhos, aquelas que passamos a vida inteira sonhando (nós homens, sonhamos inclusive nos banheiros) e raramente conhecemos ou tocamos em uma. No final, casamos com uma companheira, uma com quem você decida compartilhar uma vida toda de experiências. E se você der a sorte de se casar com uma poesia. Relaxa e aproveita, pois logo, logo, ela também será mais uma prosa em sua vida.
Pois bem, não quero casar e gosto de sonhar, vejo poesia em tudo e leio a prosa em versos, romântico que sou, respiro em verso e não consigo pensar em prosa. Enquanto sonhar, amarei mulheres em poesia, e verei poesia em cada mulher, lembrando sempre que há poesias ruins, por que não? E prosas que merecem ser lidas com atenção.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Anjo torto

Anjo torto.

Tenho andado de olhos vendados,
Cansado das verdades desses mundos,
Cheio de sofrer a dor no olho dos outros,
A dor de quando se ama.
E não sabe parar.

Me sinto um anjo, quase que penalizado,
Quando me sento ao seu lado,
Quase obrigado, e te escuto.
Vejo suas lamurias, suas dores de mulher,
Mas dores infantis. Seus suspiros, a falta de coragem...
E a vontade se ser, não se sabe o quê.

Sou Anjo, mas sou Torto.
Sou Amigo, mas também sou Homem.
E como Homem, tenho raiva do seu menosprezo,
A “menos valia” a qual você se submete.
Seu menosprezo, o abandono dos sonhos.
A falta de brilho em seus olhos...

E como Anjo,
Me compadeço... Procuro ajudar,
Busco alternativas... E me pergunto:
Deus, por quê?

Mas o vento toca frio em minha nuca enquanto você fala,
E vira meu rosto de leve... E vejo sua boca...
E penso? Por que sou anjo?
Por que vejo o que ninguém vê?
Sinto o que eles não sentem.
A quem me dera ser apenas homem,
Sujo, porco e imundo.
Quem me dera não conhecer seus segredos,
Cada vez que, com os meus, toco seus olhos...
Quem me dera ser apenas idiota.

"Sabe, Anjos são sozinhos..."

terça-feira, 21 de abril de 2009

Olha só, quem apareço de repente. Como se por assim dizer: apesar de tudo, ainda vivo. E levemente frustrado pela própria falta assiduidade. Mas ao menos me desculpo: Se por um lado quase abandonei minha ligeira contribuição com a postagem de textos, não deixei de ler um sequer, e senti que "não estava fazendo falta". rs
Outro problema é que a minha criatividade anda desperdiçada em trabalhos acadêmicos e similares. Embora eu tenha vontade de escrever sobre um monte de coisas - desde os absurdo da Sarneylândia até as últimas do horóscopo chinês -, falta tempo (e um pouquinho de disposição) pra colocar idéias no papel virtual e lançar aos olhares alheios. Em se tratando de olhares, ao menos, estamos bem servidos. Temos recebido frequentes e boas visitas, isso estimula.
Nem sei bem por que escrevo tudo isso: se como um pedido de desculpas ou uma promessa de dias melhores, ao melhor modo brasileiro. O fato é que senti de repente uma vontade enorme de conversar e ter que esperar pelas respostas.
Só pra não dizer que não tenho assunto: hoje são já 21 de abril. Lembrei do meu amigão Rômulo, que uns anos atrás fundou Roma só pra se divertir um pouco. Até que deu certo a ideia: roubou umas terrinhas aqui, grilou outras dalí, fez uma fazendona. Aí um carinha brasileiro, sabendo que aqui tudo o planta dá, plantou a idéia de uma Roma no planalto central desta roça. Pena que enterrou ali dois ou três bandidos. Já sabem o que deu.
Lembrei também do Joaquim, companheiro mineiro de muitas cachaças, que puseram enforcado numa corda só porque ele era meio contra a submissão ao governo, o domínio econômico centralizado num estado, essas coisas. Pobre cara, o pior é que morreu careca e o pintaram cabeludo. Vai entender esse povo!
Sem contar que hoje comemoramos - ou comemoraríamos, se estivesse vivo - o 145º aniversário do Max Weber, alemão bom de bola, que defendeu a seleção germânica por... ops, acho que tô me confundindo!
Falando nisso, quem ler isso aqui e não estiver fazendo nada, não perca o incrível Duelo Filosófico: www.youtube.com/watch?v=Puv1gQzKtOs Palavra que vale a pena.
Bom, depois desta postagem mais criativa que a bandeira da Líbia só resta me despedir e prometer (ah,longas promessas!) que novos tempos virão e que eu postarei de quando em vez nem que seja uma babaquicezinha de final de semana só pra não ir perdendo a intimidade com o teclado.

Sinceramente,


Pantaleão.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Momento dor de Cutuvelo.

Como cão sem dono,
Vago sozinho por entre os postes.
Meus olhos a beijar o chão,
Minha boca sonha em tocar seu céu.
E nas duvidas de uma mente sozinha,
Vago...

Se não há nada que possa fazer,
Não me olhe como se tivesse pena,
Vá e siga sua vida, e na próxima esquina,
Esqueça esse pobre moribundo.

A solidão como uma dádiva,
É sempre,
A pobre rotina de um poeta sem amores.


Aproveitando um vento frio que bateu aqui....

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Um texto em 15 minutos.

Um texto em 15 minutos.

Um breve resumo dos meus últimos dias.


Fatos que jamais compreenderei:
Bem, o que é melhor: terminar um namoro de 2 anos e 1 mês, antes que ele complete mais 1 mês, ou deixar completar 3 anos pra perceber que você perdeu 1 ano??
As pessoas dão valor a coisas sem valor, melhor, as pessoas não entendem o valor das coisas. Quando dizemos que o tempo é precioso, não é o tempo que você passou do lado da pessoa que tem valor e não pode ser desperdiçado, é o tempo que você perde com uma pessoa pelo simples motivo de temer o fim. O fim existe sempre, para tudo e para todos.
Vejo sempre pessoas com medo de amar, escutei várias vezes coisas do tipo “medo de gostar de você”, “medo de fazer você sofrer”... Sabe, quando era criança também tinha medo do escuro. Quando fiquei mais velho, tinha medo de apanhar, medo de cair da bicicleta, medo de nadar sozinho... Nem por isso deixei de brincar, ate aprender que a gente não apanha a toa. Não parei de tentar andar de bicicleta, ate entender como tudo funcionava. Não parei de nadar, ate descobrir o que significa limites. Amar não machuca. E mesmo que amar seja muito forte, viver não maxuca. Curtir o momento, fazer o que se tem vontade. Às vezes é bom não planejar, deixar-se apenas viver. Por mais que eu saiba o que eu quero fazer hoje, não sei o que vai acontecer, não sei aonde vou estar amanhã, ou se vou estar.

“É preciso saber viver...”.


Sabe, estou cansado do medo dos outros. Cansado...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Amor?

Amor?
Passeio perdido,
Olho nos pássaros e sonho,
Não sinto o vento que me toca,
Ou a chuva que teima em cair.

Viajo,
Sentado fora de mim,
Vejo o mundo passar,
Um documentário.
Desses que se assiste domingo à tarde,
Deitado no sofá.
Com a TV no mudo,
Pra não atrapalhar o silencio.

Cansado desse mundo patético,
Volto para casa,
Sento na cama,
Olho no espelho e penso em emoção.

Sinto uma vontade imensa de mudar,
Tentar outra cultura.
Cultuar um deus pagão.
Fazer sexo sem ter amor,
E conseguir amar sem querer sexo.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Rabisco

Ainda hoje eu dizia que nada que seja bom, precisa de explicação. Como sei que esse texto ficou ruim, explico ele. é um golpe, uma ilusão. Para que quando acabar de ler você pense: aquela introdução destruiu o texto. E assim, eu seja apenas alguem que não sabe colocar "intro" em seus textos, e me sinta um pouco melhor, achando que ao menos finjo escrever algo, no minimo, "mais-ou-menos."



Ah, esqueci do texto...

domingo, 8 de março de 2009

Texto

Imagine-se sentado. É uma praça, dessas pacatas. Praças pacatas de cidades pacatas do interior. Mas essa praça está perdida, no meio da capital. Você esta sentado. Sente e curte tudo ali, modernamente morto. Aquela brisa úmida que passa por entre as árvores e leva seus problemas. E você pensa... o que fazer?
É sábado, você esta só. Não sente saudades. A praça é linda, e traz sensações ótimas. Mas você não sabe com quem compartilharia isso. Não há nada. Não há ninguém. Você olha ao seu redor e percebe, não há praça. Não há nada de pacato. Você está sentado em um ponto de ônibus abarrotado, respirando fumaça da capital. Aquela brisa úmida que você sentia, é de alguém ali perto lavando a calçada. Agora há medo. Acordara de um sonho. Sonhos que se repetem. Falta alguém... Alguém na sua vida.
Alguém que você não conhece, mas você sabe que existe. Você já até a viu em seus sonhos. Conhece o brilho do seu olhar faceiro, e sonha com o timbre de sua voz.
Essa é a pessoa com quem você gostaria de dividir seus sonhos. E você volta a se sentar na praça, joga pipoca aos pombos.
A vida lá fora é suja. A vida lá fora não é vida.
Viver “é” não ter a vergonha de ser Feliz.
Sentado na praça, esperando ela chegar. Sentado na praça você está vivo.
Bem Vinda a minha praça.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Promessa...

Quantos nós somos?
Conheci uma menina, que era mulher.
E Que dizia não ser menina, só mulher.
Quando olho em seus olhos,
Vejo sua alma, risonha,
Como a alma de uma menina brincalhona,
Uma alma alegre, viva, com uma certa pureza...
Mas sua boca me mostrou,
Melhor,
Sua boca me fisgou,
Com uma sensualidade indescritível.
Não é a boca mais linda que já conheci,
Nem sequer o sorriso mais lindo da Terra.
Mas juro é o sorriso mais lindo que já tocou meu coração.
São os olhos mais lindos que já me deixei invadir.
E é a boca... A boca que me desconcerta,
Me deixa louco.
Não é apenas sexy,
Ou apenas sensual, ou apenas bonita.
Ela é tudo,
Transborda tudo...
Uma boca que te olha e te hipnotiza.
Uma boca, que vicia.
Mesmo aqueles, que como eu,
Não conhecem seu gosto.

Este texto prometi a uma mulher,
Que me faz sentir criança.
Quando estou com você,
Só penso em você,
E sou como um menino de 3 anos,
Perdido, impressionado.
Minha vontade é de me entregar em seus braços,
Por o leme de minha vida em suas mãos,
E nesse mar que é você...
Viajar e navegar para sempre.

(Mas peço perdão, sou homem, mas ainda sou criança)


L².....

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Sonhei com você dia desses. Estávamos nós dois numa basílica, uma espécie de galeria ou corredor de pedra quase sem nenhum ornamento. O local trazia uma meia-luz e vários tons em vermelho. Dos dois lados, nas paredes, uma exposição de artes plásticas: Quadros e cores fortes, com enorme apelo erótico. Havia também no cheiro ambiente qualquer coisa de afrodisíaco e eu não sabia distinguir o quê. Não havia tempo, no entanto, de parar frente a qualquer tela. O corredor nos impelia sempre para frente e tantas pessoas queriam ver que não podíamos nos dar mais que alguns segundos observando cada quadro. Mais para frente, as imagens ficavam cada vez mais sensuais e explícitas, e passavam a se misturar com imagens sacras e outras satíricas. O ritmo da caminhada também acelerava e era como se faltasse ar e precisávamos ir cada vez mais depressa, quase alucinados. As vozes e os cheiros tomavam todo o ambiente e suávamos, sufocados. Por fim saíamos de lá direto para um pátio enorme, circular, abobadado, todo em mármore branco. O teto semicircular deixava entrar e fazia mais incidentes os raios do sol e eu ficava impressionado, bestificado com a beleza do lugar. Olhava para cima e em volta extasiado, nessa hora estávamos sós nós dois. Você, todavia, estava cega pela luminosidade. Eu dizia: “Olha, amor, como é lindo, fantástico.”. E você não via. Não via nada e não entendia nada.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Quero escrever sobre mulheres e o que elas são.
Mas,
Quem sou eu para isso?

Das mulheres nada sei,
Conheço um pouco ali,
Algo mais acolá...
E nada muito alem disso...

Sou poeta sabe,
Do tipo Romantico Revoltado.

Das mulheres só entendo das paixões,
Minhas paixões.

Entendo que mulheres são flores.
Algumas lindas de se ver,
Outras de toque macio,
como Seda.
Outras perigosas,
Venenosas...
E algumas que, por Deus,
Preferia não conhecer...

Se me perguntassem de qual mais gosto,
Ficaria mudo.
Gosto daquilo que me enfeitiça,
Que me surpreende...
Gosto do que é novo.
Mas,
acho que gosto das venenosas...
Aquelas de perfume doce,
olhar meigo,
Pele delicada...
E...
Bem,
se te contasse, não teria mais graça.
O Bom do Veneno,
é o medo de não se ter a cura.

"Cresça e Apareça..."

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Eu

Eu sou nada.

A gente não existe,
Nós, é passado do futuro imperfeito.
Seu, é um pronome que não vai aprender comigo.
Meus sonhos é o sonho que voce sonha em ser.

Minha vida é minha Luz.
Meus sonhos são meus caminhos.
Minhas palavras retiro dos olhos que vejo quando olho a Lua.
Seus olhos jamais esquecerei,
Embora seu nome eu custe a me lembrar.

Seu corpo todo,
O tenho desenhado em minha mente,
Cada marca sua ja foi por mim beijada.
De cada virgula sua ja senti o gosto.
Tudo isso, enquanto olhava nos seus olhos.

Seus anseios sei de "cór".
Suas duvidas me alimentam.
O medo em seus olhos é combustivel do meu humor,
Seu riso louco, desenfreado e frenetico,
é musica que gosto de ouvir, suado.

Voce,
não vai ser minha,
ja é.

domingo, 11 de janeiro de 2009

O sistema

que programa o computador que alerta o banqueiro que janta com o presidente que ordena ao ministro que acossa o diretor-geral que humilha o gerente que grita com o chefe que ofende o empregado que despreza o operário que maltrata a mulher que bate no filho que chuta o cachorro.


(Eduardo Galeano - Dias e Noites de Amor e de Guerra)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

05/01/2009

Pensei há dois dias em escrever e desisti. Falta coragem para contar das coisas que sinto e penso.



No quarto

Deito na cama no final da tarde, sem vontade de dormir. O clima fresco me põe aninhado.
Penso devagar em mulheres que já tive ou que desejo. Duas delas me dominam a imaginação:
Uma que tive recentemente e outra, que gostaria que estivesse deitada comigo agora.

O Amante

Como amante, não me comparo em nada a Dom Giovanni ou Dom Juan de Marco. Muito menos a Heráclito.
Adonis, esse sim: Jovem amante dos prazeres femininos.

Ano novo: Mais um.


Do trabalho

As pessoas não sabem e eu não conto: Detesto trabalhar por horror a explorar ou ser explorado. Por isso tenho vontade de uma vida artística ou acadêmica: Ganhar para estudar e para dizer. No final das contas, receber do Governo Federal para aprender e ensinar talvez não seja menos digno do que ganhar para construir o que o tempo destruirá.