segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Cena

A noite cai devagar enquanto um casal de velhos rodopiam alegremente sobre um monumento. numa praça pública Forma-se um pequeno aglomerado de espectadores, apesar do chuvisco.


Amaro - Estão nos olhando, amor.

Eliza - São uns pobres coitados. Nunca dançaram sob a chuva.

Amaro - E por que é que justamente a nós nos coube essa sorte?

Eliza - Não sei. Você sabe?

Amaro - Acho que sei, mas não digo.

Eliza - Diga, por favor.

Amaro - Certas coisas não se dizem. Não para a platéia.

Eliza - Então precisamos nos livrar do público para encontrarmos a liberdade de expressão?

Amaro - Eu temo que sim...

Eliza - O que faremos então?

Amaro - Ora, é muito fácil espantar os gentis espectadores. É só fingir que tudo isso não passa de mera realidade.



E aos poucos as pessoas foram se cansando do espetáculo e saindo vagarosamente para sumirem uma esquina depois.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

(Não sei) o Título.

Estava com vontade de escrever,
Bem, aqui estou.
Mas, todo texto tem que ter um motivo,
Uma inspiração...
Uma razão de existir...
Ou não, alguns textos existem
Com apenas por não ter razão de existir.
Mas isso ainda sim é uma razão.
E eu não tenho nenhuma razão.
Pensei em escrever sobre o amor,
Mas a cada dia me descubro mais leigo nesse assunto,
Talvez poderia escrever sobre mulheres...
Mas também estaria mentindo,
Não sei nada sobre esse grande amor...
Não sei de amor e não sei de mulheres.
Não sei nada daquilo que mais amo.
Será que da pra usar o não saber como uma razão?
Não sei.
Mas o não saber concorda com a pergunta.
Não sei...
Mas isso é complexo, não?
Agora da ate vontade de escrever sobre a complexidade do não saber.
Mas, mais uma vez,
Adivinhem?
-- Eu não sei.