sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

E Tudo Terminaria numa Grande Gozada...

Menos de meia hora e estarei um ano mais velho. Nunca vi um ano passar tão rápido.
E ao som dos soldados de Renato Russo, e inteiros um mês após minha ultima postagem.
Aproveito o momento de falta de inspiração e excesso de coragem para vomitar textos.
“Nossas meninas estão longe daqui”.
E eu nem sei onde estou. Completo 19 anos sem saber o que mudou dos meus 17. Sei que a barba esta maior. Minhas idéias também. Meu cabelo eu cortei. E a vontade de deixá-lo grande de novo só aumenta. Junto com a minha barriga. Que tenho a impressão estar crescendo cada dia mais. E isso me deixa profundamente triste... Não sei quem é o pai afinal.
Uhauahuahauhauahuahauahau
“Rir de tudo é desespero”.
Sabe, esses dias ao assistir uma (rara) entrevista da célebre Lispector, comecei a pensar sobre idéias em comuns que circulam nas cabeças humanas, idéias e frases iguais ditas por pessoas diferentes que talvez sequer se conheçam. Comecei a pensar... Logo parei. Tinha uma morena linda do meu lado e ela puxou assunto, além do que, se eu continuasse pensando minha cabeça ia doer. E íamos voltar à estranha sensação de quando se usa um membro que a muito não se usa, aquele desconforto. Mas e menina tinha um sorriso incrível. Não tão puro quanto o da negrinha que vejo quando leio de olhos fechados o texto da também célebre negrinha de tranças. Mas um tanto quanto espontâneo.
Mas felicidade de pobre dura pouco, no meu caso, preto e pobre. Só dura o tempo de pensar em escrever essa frase e... Pronto. Já passou. E no outro dia uma outra morena; essa feia e de sorriso sem graça, sentou do meu lado, onde aquela outra, a do sorriso bonito estava sentada antes. Contentei-me apenas com alguns momentos de contemplarão do brilho daquele branco que me ofuscava... o coração. Pois eu via de olhos fechados.
Ah! Acabei de me lembrar que queria outra reflexão sobre minha vida. Mas sabe, pensar... Dá uma “dorzinha” assim no canto da cabeça... Como quando você força muito o braço e passa a não mais senti-lo. Nossa. E se eu não sentir mais min........

Título: Nenhum, era só pra ser um texto.

“E não consegui fazer um texto romântico, nem uma reflexão sobre o ser humano e
sua doce solidão”.
Confesso que este texto ficou uma bosta. Se prosseguir com a Leitura eu não assumo a responsabilidade. E Mesmo que odeie meu texto, comente... diga ao menos que você o Leu...




Acho que atingi o limite da solidão.
Sentir saudade da sensação de escrever sabendo que ninguém vai ler ao menos que você implore.

Acho que é o Cúmulo.

Mas não vim aqui para isso. Estou aqui com a honrosa missão de escrever um texto romântico. Lembrar aquelas dores de cotovelo, as reclamações, aquele gosto que fica de tédio na boca quando você olha a sua volta e não vê quem você quer. Missão que se une à missão que todos que se (em) prestam a escrever um dia, ao menos uma vez, tem que assumir; Escrever um texto atendendo a pedidos. E você não precisa contar a ninguém que, talvez como eu agora, os únicos pedidos que você está a atender partem do mais intimo de sua alma. No meu caso, uma tentativa inútil e carente dê se sentir apaixonado por alguns minutos. A ilusão de amar, quase tão boa quanto o amar.
Falando de amor, ou ao menos tentando, comecemos com o Luar. Pai de todos apaixonados, mãe de todos solitários (é que mãe trata melhor...). Luar esse que hoje brinca de esconde com os olhos daqueles que o buscam. Fazendo da tentativa de admirá-lo uma busca intensa e incessante entre as nuvens. Coisa de apaixonado. Porque os solteiros, ops, os solitários, quando olham para o céu já vêem de cara a Lua, brilhando dentro de seus olhos, com a sensação daquela Lua estar de verdade é dentro de seu cérebro. E aquilo no céu é só a projeção de um sonho forte. E que sonho... De qualquer modo, fecho os olhos e agradeço pro você estar ali. Sabe, acho que jamais quero me sentir sozinho em uma Lua nova. A sensação de olhar para cima e não ver nada deve doer. Se é que existe dor no coração daquele que esta só. Para mim, assim como para as crianças, tudo que sinto, sinto no coração. Se o coração esta vazio, vago, no vácuo, não há de propagar nada muito menos a dor. E como o mundo é cruel com seus braços aveludados. Pois quando pensava em dar meu ultimo ponto final nesse meloso texto (que juro prefiro que ninguém leia, ai que vergonha do cûmpade!) a musica, uma escolha aleatória do destino, que começa a tocar me lembra meus momentos mais tristes. Quando as lagrimas que escorriam de meu rosto, de tão frias faziam doer. Ah, que saudade da dor que eu sentia. Perdão, antes de parecer masoquista vou reformular: “ah, que saudade de sentir”. “Quero ser feliz. Ao menos lembra que o plano era ficarmos Bem? Ei? Veja só o que eu achei...”.

“E não consegui fazer um texto romântico, nem uma reflexão sobre o ser humano e sua doce solidão”.

Ah, gosto do itálico, da sensação de se ler algo que esta caindo...

domingo, 3 de fevereiro de 2008

A negrinha de tranças

Era final de tarde de uma terça-feira. Acho que todas as crônicas deveriam começar assim: numa terça-feira. Mas de fato era, e o relato é verdadeiro, como devem ser todas as crônicas.

Eu estava num terminal rodoviário, esperando o ônibus cotidiano, distraído como sempre, sem muita pressa como sempre, e o relógio marcava seis minutos para as seis das tarde. Não pensava em nada, na ocasião, nem se era tarde e nem se choveria. Talvez ficasse mais bonito dizer que refletia sobre os anseios de expressão ou os motivos da arte, mas não seria verdadeiro como me propus. Olhava o nada, simplesmente.

Num momento de descuido, me peguei observando uma pequena garota. Era negra, usava tranças no cabelo e dançava sozinha segurando um guarda-chuva cinza. Não, não era uma versão moderna de Dançando na Chuva. O tempo estava fechado, o guarda-chuva estava fechado, as pessoas estavam todas muito fechadas, mas tenho certeza que não chovia.

Olhei em torno de mim para perceber mais alguém que notasse o espetáculo. Em vão. Dos muitos que esperavam o transporte, mais ninguém havia se dado conta da negrinha que dançava, ou não se aperceberam da beleza do instante. Cheguei a me perguntar em que estaria pensando toda aquela gente: Nos dois minutos de atraso do coletivo, imagino; No vencimento da próxima conta, talvez; Em qualquer coisa que não fosse uma apresentação gratuita de dança, decerto.

A negrinha de tranças continuava com seus passos serelepes, apesar de não haver música. Sua dança era leve e despreocupada; expressava a vontade de movimentar-se e só. E como é lindo o desejo de fazer e só! Fazer por fazer, sem culpa, elogios, segredos ou mistérios. A estética se justificava no ato: dançar com um guarda-chuva, sem chuva ou música, num terminal rodoviário.

Tive vontade de contar que uma menina dançou em meio a mais de uma centena de pessoas, sem medo de ser vista ou censurada. Que fez o que quis e não teve vergonha.

Comecei então a pensar se conseguiria escrever sobre isso, se daria uma boa crônica, ou se eu saberia dizer o que vi. Que dúvida tola a minha! Como não conseguiria escrever? Como poderia ainda me apegar a valores estéticos depois de ser platéia de um cenário tão lindo quanto o que acabo de contar? A menina dançava bem porque não precisava dançar bem, não seria julgada e nem apreciada. Ora, não sou mesmo escritor, só escrevo por exercício, como a garota de tranças. Escrevo porque quero e porque ela dançava. Enquanto redijo esta crônica, na minha janela chove e ouço música, mas não danço, somente escrevo e torço para que a história saia tão leve e bonita quanto o fato.

Outro fato é que a menina parou de dançar e não recebeu aplausos, muito menos apupos; apenas parou porque não mais queria. O transporte também chegou e eu me fui embora. Imagino que nunca mais a veja, não sei que tipo de vida leva ou que som se passava em sua cabeça naquele final de tarde. Não sei nada sobre a negrinha de tranças. Ela não olhou para mim, nem abaixou os olhos ou sorriu. Nem me notou, na verdade. Não sabia que eu estava ali, passivo espectador da vida e do poder da arte que se manifestam por si mesmas.