quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O Sentido do amor.

Preciso de uma mulher. Dessas loucas, que me desperte uma grande paixão, algo louco.
Preciso que ela me encante, me fascine. Preciso que ela consiga me convencer de que preciso dela e que sem ela nada sou.
Preciso que ela me domine,
me deixe totalmente a seus pés.

Depois de tudo isso,
preciso que ela me dê um pé na bunda...





Na verdade, preciso emagrecer.
=D

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Cena

A noite cai devagar enquanto um casal de velhos rodopiam alegremente sobre um monumento. numa praça pública Forma-se um pequeno aglomerado de espectadores, apesar do chuvisco.


Amaro - Estão nos olhando, amor.

Eliza - São uns pobres coitados. Nunca dançaram sob a chuva.

Amaro - E por que é que justamente a nós nos coube essa sorte?

Eliza - Não sei. Você sabe?

Amaro - Acho que sei, mas não digo.

Eliza - Diga, por favor.

Amaro - Certas coisas não se dizem. Não para a platéia.

Eliza - Então precisamos nos livrar do público para encontrarmos a liberdade de expressão?

Amaro - Eu temo que sim...

Eliza - O que faremos então?

Amaro - Ora, é muito fácil espantar os gentis espectadores. É só fingir que tudo isso não passa de mera realidade.



E aos poucos as pessoas foram se cansando do espetáculo e saindo vagarosamente para sumirem uma esquina depois.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

(Não sei) o Título.

Estava com vontade de escrever,
Bem, aqui estou.
Mas, todo texto tem que ter um motivo,
Uma inspiração...
Uma razão de existir...
Ou não, alguns textos existem
Com apenas por não ter razão de existir.
Mas isso ainda sim é uma razão.
E eu não tenho nenhuma razão.
Pensei em escrever sobre o amor,
Mas a cada dia me descubro mais leigo nesse assunto,
Talvez poderia escrever sobre mulheres...
Mas também estaria mentindo,
Não sei nada sobre esse grande amor...
Não sei de amor e não sei de mulheres.
Não sei nada daquilo que mais amo.
Será que da pra usar o não saber como uma razão?
Não sei.
Mas o não saber concorda com a pergunta.
Não sei...
Mas isso é complexo, não?
Agora da ate vontade de escrever sobre a complexidade do não saber.
Mas, mais uma vez,
Adivinhem?
-- Eu não sei.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Câmera ok... Ação!

Neste último final de semana atuei na gravação de um curta-metragem, amigos. Semi-Novo é o nome do filme e abrirá o FestCine deste ano, na primeira metade de novembro.

Acompanhei todos os dias de gravação, numa curiosidade de menino. Nunca tinha ficado em frente a uma câmera com um diretor atrás dela dando instruções e me dizendo o que fazer. O medo era enorme. No final das contas foi bom gravar. Um prazer diferente, muito distindo daquela pressão pré-estréia do teatro, onde tudo pode dar errado. Aliás, deu tudo errado, então fizemos de novo e de novo e de novo... Quantas vezes foram necessárias.

O pior da atuação para cinema é não saber se foi bom ou ruim, logo de cara. O diretor fala: "Bacana, muito bom, é isso mesmo", mas falta o aplauso ou a vaia do espectador, único termômetro confiável de aprovação ou desaprovação na cena teatral.

Além da câmera do filme, havia uma segunda, de making off, registrando tudo aquilo que ninguém quer ver a menos que seja produtor ou sádico.

Situações engraçadas não faltaram, com destaque para o Marcus (meu chará e um dos diretores do filme), rapaz de mais de um e oitenta de altura e que pesa uns cento e dez quilos, escorregando no chão engordurado da cozinha da Cambury e sendo seguro pelo Renato Café, mais ou menos com o mesmo tamanho e peso. Parecia treinamento de sumô.

A equipe era toda bem humorada e o clima de pura descontração, apesar do profissionalismo perene. Tive o prazer de conhecer mais de perto pessoas pra lá de interessantes, como o já citado Renato Café, filho da Ângela Café, que me deu aulas na UFG, e o Marcos Lotufo (quantos Marcos/Marcus, meu Deus!), que toca a Oficina Geppeto, no Setor Pedro, e é um homem pra lá de admirável e astuto.

Enfim, fora a diversão, trabalhei um pedaço de domingo, a remuneração veio a acalhar e agora é esperar ansiosamente pelo resultado desta aventura pelos meios cinematográficos. Será que o Julio Vann topa me dar umas aulas de interpretação para cinema? Seria uma boa, hein? Vamos ver, dia 10/11 temos o resultado.

E, claro, estão todos convidados.

Cordialmente.

Pantaleão.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Comentários a respeito do amor

O amor é a grande dança
das vaidades
assumidas

Se impõe sobre quem quer
se sentir único,
sentir a vida e sentir
o que não é
amor de fato

o amor é poema de Camões
numa tarde de quinta-feira
na aula de literatura
portuguesa, freguesa

Para Camões o amor
é um desfile de parodoxos
que rimam

é ferida que dói
porque o amor sempre encontra na dor
sua rima pobre

é fogo que arde
porque o ardor - Ai, que dor! -
também rima

Verso manco mais
Me vale um amor que rime
com batuque
ou com ternura
e com amizade
- mais até do que com cópula -
e rime com prazer

O amor que
é liberação de
norepinefrina
dopamina
anfetamina
oxitocina
feniletrilanina e
trigocenina
pelo sistema límbico

Que seja amor a nada
como o amor de Drummond

natural, sem poesia
e se for poesia,
todavia,
que seja de Éluard
e nunca de Gullar

sábado, 6 de setembro de 2008

Um Sonho.

“Meus olhos eu fecho, mas os seus estão abertos”.

O que importa não é a cara que você a olha,
Nem a posição da sua boca,
Ou sequer, seu possível sorriso de canto de boca.

Ao olhar uma mulher,
Faça-a sentir beijada.
Que seus olhos se cruzem,
E que você penetre no mais fundo de sua alma.
Que ela se sinta invadida,
E que goste dessa invasão.
Que esse desconforto a traga até você.
E que esse seu olhar,
A faça delirar.
A leve, por instantes,
Aonde ela nunca sonhou,
A sensações que ela nunca vivenciou.
A faça sentir a vida.
De uma forma que ela nunca sentiu.
De uma forma única, amada.
Despeje nela todo amor que você nunca sentiu.
(...)...

sábado, 30 de agosto de 2008

Embebedai-nos!

Sim Sim,
Essa noite o vento úmido de seus lábios,
Sussurrou em meus ouvidos,
Trouxe-me esperança e calor,
e a certeza de uma ótima semana,
a mim, aos meus amigos,
aos meus (possiveis) amores.

Que os bons ventos do destino,
Molhados por nosso Úmido Suor,
Possam guiar o barco da minha vida,
E me levar alem do infinito.
Que a esperança da dor,
Seja apenas uma lembrança,
Sirva apenas de exemplo.
Que suas lágrimas eu não volte a ver.
Que o vento de seu sussuro,
Seja o tempero, tempo e destino...
Embebedai-me, ó vida.
Com seus prazeres e alegrias.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Flagelo e tormento.

Flagelo e tormento.
Posso ser seu sal,
Sua cura.
Seu tempero,
Sua doença.
Quero ser seu homem,
Te sufocar em meus braços,
Te ter tremendo e desesperada.
Sentir cravadas, suas unhas em mim.
Seus olhos fechados procurando o céu,
Sua boca tremula e gelada...
Tuas curvas a guiar minha boca,
Meu sorriso e seus suspiros...
Um arrepio em cada curva,
Lentamente por meus lábios desenhada...
Teu suave pelo roçando meu rosto,
E seu cheiro impregnando meu gosto.
Teu gosto impregnando meu corpo...
Me fazendo sonhar,
Sonhos molhados de nosso suor.
Doce suor que me faz delirar,
Misturando-se com seu gosto amargo,
Mel em meus lábios...
E a vontade de te possuir me domina,
Meus dedos, já não posso controlar,
Como um polvo, me enrosco em seu corpo,
Te domino.
Te beijo, mordo. Amasso e amo.
Amo amassar você.
Sentir seu coração batendo no meu peito,
Na minha boca,
Ao lado dos meus ouvidos...

“...E este texto nunca teria fim...”

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Janaína

Ela é bailarina louca
Dança lenta nos meus braços
Sapatilhas, espartilhos
Rodopios e belos traços

Aprendiz de feiticeira
Tão faceira, tão esbelta
Tão sublime corpo nu
Desenhado pelo esteta

Tão bonitos olhos verdes
Nunca dançam sem ter par
Tendo olhar apetitoso
Cobiçoso a cobiçar

Em meus olhos ociosos
Sua cintura semovente
Envolventes, mente e corpo
Num suborno inconsequente

Quanto quente, sente toda
Sente pele, sente boca
Sente tanto amor-minuto
Sente muito que faz pouca

Sabe o quando de ser tanto
Tanto amor quanto desejo
Tão luxúria quão virtude
Ser de boca em boca o beijo

De ser beijo, unhas, dentes
Riso frouxo, pernas bambas
Fala lenta ao pé d'ouvido
Requebrando um mambo-samba

domingo, 24 de agosto de 2008

Que os Bons ventos do destino,
As aguas de todas as lagrimás choradas em vão,
o sopro de vida do amor,
e a esperança que sempre brota da Dor,
Embebedem essa vida.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Hoje recebi um telefonema da BrasilTelecom, onde participei de um processo de seleção.
Fui reprovado na redação.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Um trovador solitário

Um trovador solitário,
Sentado sozinho sobre o luar.
Nos pensamentos que longe vagavam
Vários corações se perguntavam,
Se chocavam.
Em cada choque uma lembrança,
Um gosto e um cheiro.
Um olhar.
E o olhar é o mais perigoso.
Aqueles corações,
Que de lembrança traziam gostos,
Cheiros e gozos,
Não eram como o olhar.

Quando numa quarta-feira,
Numa tarde de mormaço,
Se encontra um desses corações,
Velhos conhecidos,
Os que trazem cheiros e gostos,
Tocam na nuca, na boca,
Calafrios nas costas...

Os dos olhos,
Você nunca encontra numa quarta-feira,
Ele é de sextas. Sextas de lua cheia.
Prata no céu a brilhar.
E quando se cruzam,
Aqueles olhos não tocam a boca,
Nem a nuca, nem as costas.
Naquele instante, a boca seca,
A nuca estremece,
As costas suam...
Aqueles olhos tocam a alma.
São capazes de tudo,
Podem tudo...

Quando a lembrança desses corações,
Invade os pensamentos,
O trovador se sacode...
Passa a mão na viola,
Olha pra lua prata a brilhar.
E de repente, sente uma presença...
Antes de se virar, escuta um breve “Oi”.
Fecha os olhos, respira fundo...
É sexta-feira...

domingo, 17 de agosto de 2008

Um dia um tolo...

Um dia um louco,
Varrido e desapontado.
Sentado.
Um dia um menino,
Cresceu sem nunca ser mimado.

Um dia um rapaz,
Carente e atordoado.
Um dia homem?
Velho? Formado e responsável?
Dúvidas...

Um dia ela, amor da sua vida,
Outro dia a mesma,
Apenas mais uma.

Um dia a certeza,
Sonho a se realizar.
Outro dia a dúvida,
Morte pra que,
Se posso viver livre.

Textos se formam por palavras,
Palavras partem de pensamentos,
Mudam pensamentos,
Sentimentos.
Pensamentos mudam sentimentos,
Sentimentos mudam pessoas,
Pessoas mudam o mundo,
Pensamentos mudam o mundo.
Escrevo cada dia mais e com mais afinco. Estou perdido em tantos personagens que nem sei seus nomes. Sobem uns sobre os outros e falam todos ao mesmo tempo, não consigo compreender tudo o que me dizem. Mas pego pedaços soltos, esparsos pensamentos válidos e incorporo. Então eles protestam: "Epa Essa fala é minha!" Brigam por seus direitos de autoria, num senso comum incomum.

É claro que eles têm vida própria, cada um sua história e seu próprio modo de dizer mais do mesmo. No mais são mesmo lirismos à flor da pele, exaustos por tanto pensar em como serem vivos. Afinal, só podem estar vivos em pensamento, e pra isso precisam ser bons. Tudo o que não é bom deve um dia morrer de esquecimento.

Do que eles falam? Ora, vá ler Quintana! O Quintana disse que o poeta fala sempre de outra coisa. Se não entendeu não faz mal, o burro sou eu. Mas acho que eles falam sempre de mim. Vou te contar um segredo, mas não conta pra ninguém: Eles pensam em mim o tempo todo. rs Fico até tímido com isso. São uns insensatos, mas ao menos não são insensíveis como quem lê este texto.

É fácil falar de mim se não assino. Meus pensamentos torpes, vis, viram coisa de outro, um desprezível. Eles não sabem o que fazem, pobres marionetes na mão de um Deus mesquinho. Destruo e construo personalidades absurdas a cada minuto, tijolo por tijolo, sílaba por sílaba, verbo e substantivo.

Falando em substantivo, que texto adjetivo o de baixo... detestável! Bom, deixa eu ir, daqui a um pouco alguém quer escrever aqui por estes dedos. Pra que tanto dedo, meus Deus? Mas minha cabeça não os acompanha.

Vou saindo à francesa, foi um prazer. Prometo aparecer por aqui sempre. Com licença.

Poeminha Trágico

A vida do lúdico
Num mundo tão áspero
Mandado por céticos
Sem sonho nem lástima
Se mostra luta épica

Os homens são cínicos:
Desfazem mil pétalas
Em prantos de lástima
Em cima da lápide
Pois morre a poética

Os deuses mais sátiros
Com risos implícitos
Se zombam dos súditos
Da novela trágica
Da vida sem dádiva

E um povo tão pérfido
Se passa por tímido
Esperando atônito
Pelo beijo cálido
da dama mortífera.

Nos sobra uma dívida
Sem azo nem lógica:
Viver nossa sôfrega,
Desmedida e lúgubre
Pobreza de espírito.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Convicção

Ainda penso que as mulheres são os únicos motivos palpáveis de nossas vidas.
O resto é metafísica.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

A Elas.....


Eu sou forte,

Sempre fui e sempre vou ser
E aprendi muito com isso tudo...
Aprendi que ninguém é grande o bastante...
E que por mais que você saiba uma coisa (como eu sei varias),
não adianta, se quem precisa não é você...
Homem não presta. Não é novidade, nem que mulher é burra. E é burra mesmo, só que cada dia que passa me surpreendo, vejo caras que não prestam mais do que achei ser possível, e mulheres mais burras do que pude imaginar.
Sabe, mulher gosta de apanhar e hoje sei porque. Porque quem bate é menino, é moleque... Menino que gosta de ficar contando vantagem, mostrando que é superior, e mulher gosta de se rebaixar, de levar na fuça e abaixar a cabeça, gosta de sofrer porque tem medo de descobrir o que realmente é ser mulher.
E tem mais, muito mais...
Daria uma vida inteira aqui falando.
Mas me diz, pra que?
vocês todas, sem exceção que eu conheça, são burras e infantis. Foram educadas pelos seus pais assim. Por mais que tentem o contrario, continuam sendo submissas, precisam disso e por mais que neguem, correm atrás disso. E vão continuar assim sempre...

Porque?

porquê vocês foram educadas assim... Aprenderam a “pensar livremente” assim. Entende? Castradas mentalmente mesmo... Acho que até Deus tem medo das mulheres, pra deixá-las assim, tão tapadas. Sério...

Quanto a mim? Vou continuar acreditando em muita coisa, e não acreditando em ninguém a minha verdade é certa? Não. Não há verdade. Nada me decepciona. Se amanha UMA me disser q chorou por causa de algum CANALHA, ou se OUTRA me disser que vai se casar, na verdade vocês vão apenas confirmar que mulher não tem salvação mesmo... Não nasceu pra pensar e sim pra apanhar. Que não sabem aprender quando alguém erra, que na verdade, nunca aprendem...

Raiva e dó, só isso que sinto.
Raiva, porque por mais burras que sejam, por mais tapadas e cegas que insistam em ser nunca vão QUERER sair dessa... Por que?
Porque o único medo que vocês tem, é de ser feliz.

Uma coisa eu garanto:
- Nunca mais digo nada do que disse aqui, nunca.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Romance Matinal

Numa casa um livro
Dentro dele uma casa
Uma família
Um cachorro
Uma cozinha
Uns quartos, copas e salas

Um filho virtuoso
Um piano a mercê
Uma empregada de avental
Uma filha bonita e doce
Uns olhos verdes
Pães-de-queijo no café da manhã

Um quintal
Jaboticabas
Bem-te-vis
Sempre-vivas
Amores-perfeitos

Uma cidade
Ruas
Praças
Escolas
Crianças
Automóveis

Uma noite
Bares
Jogos
Bordéis

Um beco
Um tiro
Uma nota nos jornais.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Eufemismo

Ele vivia flertando com a Morte
Fazia-lhe juras e elogios de paixão
Até que um dia ela se seduziu
Deu-lhe um beijo frio
E o levou consigo para sempre.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Hermenêutica

Estava papeando com um tio meu outro dia, quando ele me dispara uma frase espirituosa: "O resto é uma questão de hermenêutica". E lá vai Marquinhos atrás do bom e velho papai (dos burros, não o Noel) descobrir que diabo é a tal da hermenêutica do meu tio. E o dicionário: Hermenêutica é o estudo dos significado das palavras. É também, num outro significado, o estudo da maneira correta de ler e interpretar os livros da Bíblia. Pior do que isso, é a maneira correta de ler e interpretar qualquer texto.
Aparentemente nada mal, mas vê que questão conflituosa: Existe uma maneira certa de ler, e provavelmente só sabe ler quem entende de hermenêutica. Quem me afirma isso é o próprio dicionário.
Você já leu a Bíblia, ou um livro, jornal, gibi ou rótulo de xampu, querido(a) leitor(a)? Pois esqueça, leu errado! Ou vai dizer que você sabia que maldita coisa era essa tal de hermeneutica?
Ainda pior, quem não lê não escreve, portanto tenha certeza que você nunca escreveu uma única sentença coerente, ao menos não conscientemente. O que faço agora é exatamente o oposto da hermenêutica, uso palavras sem nenhum compromisso com seu significado próprio. Tiro a vida individual de cada palavra, um crime quase hediondo, ainda bem que ninguém sabe.
Outra verdade sobre a nova palavra que habita meu arcabouço léxico: Se os críticos literários descobrirem a hermenêutica, as coitadas das tais "entrelinhas" vão ser relegadas a um patamar inferior, desvalorizadas na sua função desbotada de explicar tudo o que um autor quis dizer num texto e não disse, segundo o crítico. As famosas entrelinhas (que entre os críticos de literatura são mais populares que os Beatles e o presidente Bush) vão cair em desuso, subistituídas pela garbosa e elegante hermenêutica, que é capaz de explicar até mesmo o significado da própria "entrelinha" (a palavra, não o conteúdo).
O próximo passo é criar um curso técnico de hermenêutica, com descontos especiais para jornalistas, escritores, professores de literatura, blogueiros e usuários do orkut (afinal, todos eles têm a palavra por ferramenta).
E se tudo isso não passar de mais um modismo intelectualeba, vá lá, intelectualeba é uma palavra que a hermenêutica não explica, e o modismo... Bom, isso já é uma questão de hermenêutica.

quarta-feira, 25 de junho de 2008


Des-compromisso é a palavra de ordem do dia. E como não sou certo, vou começar pelo lado errado. Começo contando o que vou escrever. Será um texto livre, longe de qualquer julgamento e qualquer preconceito ou preceito meu. Longe de meus gostos, minhas vontades e minhas saudades. Um texto só. Nu.

Pronto.

domingo, 22 de junho de 2008

Não digo. Vivo e sinto.

É simples oras. A vida é complicada! O ser humano é complicado. Ainda mais quando inventa coisas, fantasia com magia, como quando, por exemplo, diz “amar”. Amar... Até parece. E falam com uma certeza como se realmente soubessem o que é isso. Como se estivessem certos disso. Ainda bem que nunca disse que amava, quer dizer, já disse, hoje não digo... E se alguém tem provas do contrario, apresente-as.
Não digo que amo, por que dizer: “Eu te amo”, é muito fácil. Acho que é a terceira coisa que aprendemos a falar. A primeira é mamãe, depois papai, depois, tem sempre um besta que nos ensina a dizer “te amo”. E morri de rir quando você aprende. E eles riem, por que não entendem a realidade daquilo que aquela criança diz. Depois que se cresce, se “desaprende” a amar, se é que alguma vez já se aprendeu. Mas enquanto crianças amávamos muito mais do que agora. Amávamos mais, porque amávamos livremente... Há tempos não vejo alguém encher os olhos de luz ao dizer, olhando nos olhos da pessoa amada, EU TE AMO. Lembro que da última vez que vi, presenciei um dos momentos de maiores êxtase da minha vida. Nossa, foi lindo.
E é por isso que insisto: as pessoas inventam que amam. Não conseguem mais ser livres, amar e amar simplesmente. Amar por amar. Vivem pedindo provas de amor, e quando as tem, não percebem que não há amor ali, apenas provas. Porque amor (e quem sou eu para falar disso?) não se prova, não se mede ou se mostra. Amor se vive, se sente. Se deixa levar...
Amar é ser livre...

E depois de tudo esse discurso... Confesso com um certo ar de culpa:
A ultima vez que ouvi um “eu te amo”, como esse que disse ai em cima, não tem muito tempo e não sei como estavam os olhos de quem disse, mas ahh... Os meus pareciam duas piscinas brilhando repletas de água.

E sabendo do susto de quem lê esse texto, agradeço e peço desculpas (pelo susto).
Porque quem sabe daqui a uns 1000 anos, eu releia esse texto e ache que realmente eu não amava. Vou estar totalmente errado se pensar isso, a começar, porque amor não se pensa, se sente, e isso daria outro texto...

E é por isso, que não digo, sinto e exponho: Te amo.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Um texto puro (Titulo adap. de Marcus)

Estou sentado na frente de um computador, com um milhão de idéias na cabeça e sem saber por onde começar.
Pensava em escrever sobre minha atual condição. Sobre minha paixão e meu modo de levar a vida hoje. Tentando viver cada dia o mais intensamente possível. Este dia não voltará, as coisas que não fizer hoje, não serão as mesmas se feitas amanhã. Amanhã é outro dia, amanhã terei mais coisas para fazer, outras tantas para viver. Mas não penso no amanhã. Não mas. Aprendi, com uma pessoa hiper-especial, a ver cada dia como único, vive-lo como último e aproveitar cada gota do néctar da vida nesse dia. Essa pessoa me fez acreditar em sentimentos que acreditei serem hipotéticos. Fez-me ver a vida com mais leveza, mais simplicidade, mais amor. Fez esse menino crescer. Ver e encarar os fatos como um homem, sem medo, mas pronto para arcar com as conseqüências de suas escolhas. E conseguiria escrever mais umas 100 folhas, falando tudo o que aprendi com essa mulher – uma grande mulher -, e ainda esqueceria algumas coisas. Minha idéia, ao pensar esse texto, era tentar dizer como estou bem, mostrar a todos um pouco da minha enorme felicidade. Tentar colocar, transpor para palavras, o sorriso meio bobo que preenche meu rosto. Fazer com que vocês entendam.
Não consegui.
Vocês não entenderiam como é estar como estou hoje,
Não entenderiam como é sorrir sem motivos,
Rir para qualquer criança que passe na rua e olhe em seus olhos,
Ver, em cada nuvem, uma historia, conto de fadas, lindo.
E saber que nem tudo precisa de final feliz pra ser bonito,
Entender que ás vezes a distancia aumenta a proximidade,
E dar outro significado a saudade,
Aprender que saudades às vezes a gente não mata com um abraço,
E que ás vezes a gente nem mata. Nem com horas de conversa a fio.
E que ás vezes um abraço é só o que você precisa.
Aprendi a amar com outros olhos,
Entendi que amar não é ser dono.
Amar a felicidade do outro, rezando para fazer parte dela,
Mas continuar feliz, caso não faça.
Rir a cada minuto um sorriso bobo, meio de lado...
Um sorriso sincero, como quando enquanto criança,
Ganhávamos doce dos nossos padrinhos.
A alegria de ver em cada dia, a oportunidade feita,
De se deliciar em doces e alegria.
Viver, como já diriam os sábios e mais tarde eu entenderia,
“Sem ter a vergonha de ser feliz”
Mas, vocês não entenderiam. A satisfação do abraço esperado,
A dor na lagrima q cai do rosto do outro.
Trocar a duvida do amanha, pela certeza do que se pode fazer hoje.
E viver, viver sempre e muito bem o hoje.
Porque não sei nada sobre o amanhã,
Não sei o que vou ser, o que vou fazer e as coisas que vão acontecer.
Mas sei o que quero ser, sei o que quero fazer e sei o que quero que aconteça.

Beijos, Obrigado.
Amo.

sábado, 12 de abril de 2008

Meu corpo exala
Aquele Odor confortável,
Um cheiro de 2. Excitante,
Cheiro de Poesia.

Minha boca está seca,
Perdeu seu sabor,
Tamanha confusão de gostos
Que tem experimentado.

Meu corpo, cansado.
Mal suporta seu próprio peso,
Ando pesado,
Vocês tem me sugado.

Ah! Mas não reclamo
Amo de todo meu ser
Essa ressaca Boêmia,
Esse meu peso,
Que me deixa leve
Quase que flutuando enquanto durmo.

Se não flutuo,
É que minha consciência, às vezes pesa,
Ás vezes.
Vezes que esqueço,
Quando seus olhos miram os meus.

Me sinto fisgado,
Apaixonado, Louco de Amor,
Capaz de tudo para que você me tenha.
Para sentir o gosto da sua boca,
Embriagar-me no mel de teu corpo,
Como um louco sedento.

Te dou uma chance. Te faço um pedido:
-- Me faça Amar-te!
Quero perder-me eternamente em você.

Mas isso passa, tudo e todas sempre passam.
Continuo só.
Meu corpo, brinquedo nessas mãos.
E eu deixo, me deixo usar
Meu preço:
Conhecer seus cheiros,
Colecionar seus beijos.
Amar ver o Prazer, Doentio, em seus olhos.

Fernando Mota

terça-feira, 8 de abril de 2008

Manifesto.

Porque, o que sou
Não depende de você
Não lhe diz respeito.

As mulheres que conheço,
As camas em que deito,
Bocas, rostos e cheiros
Nada disso lhe diz respeito

A minha alegria,
Meu contato com a Vida,
Minha vida dentro de outras,
Meu “quase-morte” em outro corpo,
Isso, não lhe diz respeito.

E se hoje não quero ninguém,
Se meu corpo não quer outro,
Não é carência ou tristeza ou fracasso,
É cansaço.
É tempo, Templo para contemplar:
A mim, ao mundo, a Natureza Divina.

Porque de tudo que faço,
Nada mais é por você,
Nada é para você.
Até porque, você não esta ai, ou aqui.
Você (in)existe dentro de cada ser,
Mora na falta de brilho no olhar,
Na tristeza que transparece,
Transcende o sorriso.

Porque você é a Tristeza,
E nada, do que sou, penso e falo,
Nada disso, lhe diz Respeito.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Relatividade

Hoje vejo o quanto estou velho.
Numa foto não muito velha, cerca de 2 anos atrás, olho e vejo outro garoto. Um tanto quanto... Garoto. Longe do homem que hoje vos fala. E nessa de me dizer hoje já um homem, penso: daqui a dois anos serei aos meus olhos um garoto hoje? E o que serei a dois anos atrás nos meus olhos de dois anos para frente se hoje nesses mesmos olhos eu já sou um garoto, uma criança?
É que dizem que o tempo é relativo. Simples, acho que o tempo é simplesmente o tempo. Nós é que o damos relatividade. Numa constante mania, num constante medo, de como homens assumirmos nossos feitos que não entendemos e os riscos que esses feitos nos trazem; relativisamos. Relativo é o tempo aos meus olhos, embora o tempo apenas “tempe” e passe. Enquanto eu o batizo de bom ou ruim, curto, demorado ou longo. Todos julgamentos feitos por mim. O ser relativo sou eu, não o tempo. Aliás, ele não é nem ser. Como pode algo que não “ser” ser dotado de relatividade? Mas ao invés de indagarmos nossa relatividade ao mundo, damos ao mundo ao relatividade e nos dizemos relativisados por ele. Assim é mais simples. Assim a culpa não é minha, nem sua nem de ninguém se eu nunca soube utilizar meu tempo. Assim, fica fácil, aos meus 45 anos, dizer que não vivi: “A culpa é do tempo, que passou m-u-i-t-o r—a—p—i—d—o....”.









quarta-feira, 5 de março de 2008

Tributu a Solidão. Frases e Pensamentos soltos.

Pra começar, tava esses dias em casa pensando (e é TAVA msm! porra!), acho que descobri aonde nasceu o Yoga... e descobri Sozinho... =)

"Yoga foi um jeito que inventaram para praticar as posições do Kama-Sutra sozinho."

E Voce pode ate duvidar, mas se pensar bem, vai concordar comigo.
Bem,
esse post consta em aberto, vou adicionando frases pouco a pouco.

em tributo ao silencio em solidão desse meu (nosso) blog.

domingo, 2 de março de 2008

Enfim. Havia começado um texto com a certeza que escrevia um texto de amor. No mínimo um de paixão. Mas, na vida nem tudo são flores e na minha, nada é flor. Nem flores.
Depois da dor, aprendi, vem o que chamamos amor. Hoje posso não estar amando, ainda é cedo. Mas a sensação que se tem de estar ao lado de alguém, olhar em seus olhos e sentir em seus lábios um tremor de indecisão. Uma tentativa desesperada do seu (ir) racional. Ele parece querer aquilo mais do que a emoção. A emoção é o que te impede de continuar. Faz-te voltar atrás quando seus corpos querem se juntar. Ah! Como é doce a loucura da paixão. O medo de erra a primeira vez e estragar um futuro que você sequer sabe se vai existir. Pior, não sabe sequer se quer que ele exista.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

E Tudo Terminaria numa Grande Gozada...

Menos de meia hora e estarei um ano mais velho. Nunca vi um ano passar tão rápido.
E ao som dos soldados de Renato Russo, e inteiros um mês após minha ultima postagem.
Aproveito o momento de falta de inspiração e excesso de coragem para vomitar textos.
“Nossas meninas estão longe daqui”.
E eu nem sei onde estou. Completo 19 anos sem saber o que mudou dos meus 17. Sei que a barba esta maior. Minhas idéias também. Meu cabelo eu cortei. E a vontade de deixá-lo grande de novo só aumenta. Junto com a minha barriga. Que tenho a impressão estar crescendo cada dia mais. E isso me deixa profundamente triste... Não sei quem é o pai afinal.
Uhauahuahauhauahuahauahau
“Rir de tudo é desespero”.
Sabe, esses dias ao assistir uma (rara) entrevista da célebre Lispector, comecei a pensar sobre idéias em comuns que circulam nas cabeças humanas, idéias e frases iguais ditas por pessoas diferentes que talvez sequer se conheçam. Comecei a pensar... Logo parei. Tinha uma morena linda do meu lado e ela puxou assunto, além do que, se eu continuasse pensando minha cabeça ia doer. E íamos voltar à estranha sensação de quando se usa um membro que a muito não se usa, aquele desconforto. Mas e menina tinha um sorriso incrível. Não tão puro quanto o da negrinha que vejo quando leio de olhos fechados o texto da também célebre negrinha de tranças. Mas um tanto quanto espontâneo.
Mas felicidade de pobre dura pouco, no meu caso, preto e pobre. Só dura o tempo de pensar em escrever essa frase e... Pronto. Já passou. E no outro dia uma outra morena; essa feia e de sorriso sem graça, sentou do meu lado, onde aquela outra, a do sorriso bonito estava sentada antes. Contentei-me apenas com alguns momentos de contemplarão do brilho daquele branco que me ofuscava... o coração. Pois eu via de olhos fechados.
Ah! Acabei de me lembrar que queria outra reflexão sobre minha vida. Mas sabe, pensar... Dá uma “dorzinha” assim no canto da cabeça... Como quando você força muito o braço e passa a não mais senti-lo. Nossa. E se eu não sentir mais min........

Título: Nenhum, era só pra ser um texto.

“E não consegui fazer um texto romântico, nem uma reflexão sobre o ser humano e
sua doce solidão”.
Confesso que este texto ficou uma bosta. Se prosseguir com a Leitura eu não assumo a responsabilidade. E Mesmo que odeie meu texto, comente... diga ao menos que você o Leu...




Acho que atingi o limite da solidão.
Sentir saudade da sensação de escrever sabendo que ninguém vai ler ao menos que você implore.

Acho que é o Cúmulo.

Mas não vim aqui para isso. Estou aqui com a honrosa missão de escrever um texto romântico. Lembrar aquelas dores de cotovelo, as reclamações, aquele gosto que fica de tédio na boca quando você olha a sua volta e não vê quem você quer. Missão que se une à missão que todos que se (em) prestam a escrever um dia, ao menos uma vez, tem que assumir; Escrever um texto atendendo a pedidos. E você não precisa contar a ninguém que, talvez como eu agora, os únicos pedidos que você está a atender partem do mais intimo de sua alma. No meu caso, uma tentativa inútil e carente dê se sentir apaixonado por alguns minutos. A ilusão de amar, quase tão boa quanto o amar.
Falando de amor, ou ao menos tentando, comecemos com o Luar. Pai de todos apaixonados, mãe de todos solitários (é que mãe trata melhor...). Luar esse que hoje brinca de esconde com os olhos daqueles que o buscam. Fazendo da tentativa de admirá-lo uma busca intensa e incessante entre as nuvens. Coisa de apaixonado. Porque os solteiros, ops, os solitários, quando olham para o céu já vêem de cara a Lua, brilhando dentro de seus olhos, com a sensação daquela Lua estar de verdade é dentro de seu cérebro. E aquilo no céu é só a projeção de um sonho forte. E que sonho... De qualquer modo, fecho os olhos e agradeço pro você estar ali. Sabe, acho que jamais quero me sentir sozinho em uma Lua nova. A sensação de olhar para cima e não ver nada deve doer. Se é que existe dor no coração daquele que esta só. Para mim, assim como para as crianças, tudo que sinto, sinto no coração. Se o coração esta vazio, vago, no vácuo, não há de propagar nada muito menos a dor. E como o mundo é cruel com seus braços aveludados. Pois quando pensava em dar meu ultimo ponto final nesse meloso texto (que juro prefiro que ninguém leia, ai que vergonha do cûmpade!) a musica, uma escolha aleatória do destino, que começa a tocar me lembra meus momentos mais tristes. Quando as lagrimas que escorriam de meu rosto, de tão frias faziam doer. Ah, que saudade da dor que eu sentia. Perdão, antes de parecer masoquista vou reformular: “ah, que saudade de sentir”. “Quero ser feliz. Ao menos lembra que o plano era ficarmos Bem? Ei? Veja só o que eu achei...”.

“E não consegui fazer um texto romântico, nem uma reflexão sobre o ser humano e sua doce solidão”.

Ah, gosto do itálico, da sensação de se ler algo que esta caindo...

domingo, 3 de fevereiro de 2008

A negrinha de tranças

Era final de tarde de uma terça-feira. Acho que todas as crônicas deveriam começar assim: numa terça-feira. Mas de fato era, e o relato é verdadeiro, como devem ser todas as crônicas.

Eu estava num terminal rodoviário, esperando o ônibus cotidiano, distraído como sempre, sem muita pressa como sempre, e o relógio marcava seis minutos para as seis das tarde. Não pensava em nada, na ocasião, nem se era tarde e nem se choveria. Talvez ficasse mais bonito dizer que refletia sobre os anseios de expressão ou os motivos da arte, mas não seria verdadeiro como me propus. Olhava o nada, simplesmente.

Num momento de descuido, me peguei observando uma pequena garota. Era negra, usava tranças no cabelo e dançava sozinha segurando um guarda-chuva cinza. Não, não era uma versão moderna de Dançando na Chuva. O tempo estava fechado, o guarda-chuva estava fechado, as pessoas estavam todas muito fechadas, mas tenho certeza que não chovia.

Olhei em torno de mim para perceber mais alguém que notasse o espetáculo. Em vão. Dos muitos que esperavam o transporte, mais ninguém havia se dado conta da negrinha que dançava, ou não se aperceberam da beleza do instante. Cheguei a me perguntar em que estaria pensando toda aquela gente: Nos dois minutos de atraso do coletivo, imagino; No vencimento da próxima conta, talvez; Em qualquer coisa que não fosse uma apresentação gratuita de dança, decerto.

A negrinha de tranças continuava com seus passos serelepes, apesar de não haver música. Sua dança era leve e despreocupada; expressava a vontade de movimentar-se e só. E como é lindo o desejo de fazer e só! Fazer por fazer, sem culpa, elogios, segredos ou mistérios. A estética se justificava no ato: dançar com um guarda-chuva, sem chuva ou música, num terminal rodoviário.

Tive vontade de contar que uma menina dançou em meio a mais de uma centena de pessoas, sem medo de ser vista ou censurada. Que fez o que quis e não teve vergonha.

Comecei então a pensar se conseguiria escrever sobre isso, se daria uma boa crônica, ou se eu saberia dizer o que vi. Que dúvida tola a minha! Como não conseguiria escrever? Como poderia ainda me apegar a valores estéticos depois de ser platéia de um cenário tão lindo quanto o que acabo de contar? A menina dançava bem porque não precisava dançar bem, não seria julgada e nem apreciada. Ora, não sou mesmo escritor, só escrevo por exercício, como a garota de tranças. Escrevo porque quero e porque ela dançava. Enquanto redijo esta crônica, na minha janela chove e ouço música, mas não danço, somente escrevo e torço para que a história saia tão leve e bonita quanto o fato.

Outro fato é que a menina parou de dançar e não recebeu aplausos, muito menos apupos; apenas parou porque não mais queria. O transporte também chegou e eu me fui embora. Imagino que nunca mais a veja, não sei que tipo de vida leva ou que som se passava em sua cabeça naquele final de tarde. Não sei nada sobre a negrinha de tranças. Ela não olhou para mim, nem abaixou os olhos ou sorriu. Nem me notou, na verdade. Não sabia que eu estava ali, passivo espectador da vida e do poder da arte que se manifestam por si mesmas.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Ainda não pensei em um titulo. Na verdade, nem sei o que vou postar aqui.
Enquanto a página era carregada, pensava.
Decidi hoje, não erroneamente ou tarde demais. Fazer uma revisão desse ano que acabou já há um tempo, mas o outro ano, aquele do “Ano-novo, Vida-nova” só deve começar agora.
Não agora, nesse exato momento, mas por agora... Nos próximos dias...
Hoje, esse momento, é um intervalo no tempo da minha vida, que é um tempo que eu decido como deve ser. Que está bem depois do dia 31 de Dezembro de 2007, e alguns dias antes do começo do próximo ano.
E Nesse “Post-post” (porque “post” no inglês, antes de hífen significa pós, e “post” sozinho vem de postar, manter informado), pretendo colocar um pouco de tudo que foi bom nesse ano, talvez algumas coisas ruins.
Celebrar todas as descobertas que fiz (embora não me lembre de muitas agora). Celebrar todas as mulheres que convivi, que abracei, celebrar bastante as poucas (corajosas) que amei e que me deixaram amá-las... Celebrar as loucuras que fiz, que para minha própria segurança não devem ser postadas aqui. Celebrar os amigos que me acompanharam, minha maturidade de quem completa os 18 anos... (???)?
Celebrar todas as desgraças que enfrentei, afinal, já as enfrentei. E rezar (valha-me Deus),
Que não se repitam, pra poder variar um pouco ao menos nas tristes coisa que enfrento.
Não poderia passar esse “post”, sem celebrar todos os prazeres que tive...
E antes de prosseguir, definir ORGASMO, como o cúmulo de uma sensação boa, do prazer. Não necessariamente do sexo. E pós-definição, celebrar todos os orgasmos que tive nesse ano, agradecer a quem me apontou a beleza do vôo daquele passaro, e o ruído bonito do vento nas arvores daquele lado do rio...
Celebrar todas as vezes que chorei.
Celebrar os amores que tive. E as pessoas que confiaram em mim, e que, por minutos, horas ou meses, dividiram sua vida comigo ou sua saliva.
Celebrar a aqueles que riram das minhas piadas sem graça, que me incentivaram a pular. Pois onde eu via um precipício, era só um pedaço de uma pedra e um pouco de sombra.
Agradecer as broncas que levei. A santa paciência da minha amada Mãe e da minha sempre tão presente família.
Agradecer a todos que gastaram um tempo comigo, um sorriso. Que me ajudaram a nunca desistir. Sem citar nomes, queria ajudar a todos os irmãos que a vida me deu. As mulheres lindas e carentes que me surpreendem com sua singeleza e força. A quem me ofereceu o ombro, e aqueles e aquelas, que choraram em meus ombros.


Bem, enfim...


Enfim, agradeço a todos que dividiram suas vida comigo. Que sonharam ao meu lado, aos que me fizeram sonhar E as que me fizeram sorrir...

sábado, 12 de janeiro de 2008

Como num diário


Da primeira vez que perguntei a alguém o que era um blog me responderam que era como um diário virtual, onde você contava experiências cotidianas e seus amigos podiam compartilhar delas contigo. Depois descobri que nem sempre era assim, mas a idéia continuou me interessando. Hoje vou tentar uma postagem nesse molde.
O tema é velho: Ano Novo. Já se vão doze dias deste, então vou falar deles e principalmente dos trezentos e sessenta e cinco que sobram no comprido ano bi-sexto. Já comecei bem diferente dos anos anteriores: não fiz promessa nenhuma. Fiz projetos pessoais bem estruturados, com etapas e datas definidas. Mamãe ficaria orgulhosa.
Comprei uma briga feia com o diabo, que insiste em não devolver minha alma, mesmo não tendo cumprido sua parte no trato, e uma outra briga muito pior, contra a BrasilTelecom, por cobrança indevida.
Se pudesse pedir alguma coisa pediria uma namorada, mas acho que já estou em dívida com o Todo Poderoso. Já que não posso pedir vou agradecer, que é a maneira mais barata de conseguir o perdão de algumas dívidas.
Agradeço à minha mãe, por ser minha mãe, aos meus amigos por serem meus amigos, e aos meus inimigos por serem todos assim como são. Agradeço às garotas que me quiseram e às que me disseram não. Agradeço a Deus por força do hábito cristão e ao meu próximo pela pouca distância que nos garante a impessoalidade. Agradeço ao Fernando pela oportunidade de postar estas coisas no blog. Agradeço a quem ler por ler e a quem comentar por comentar. Agradeço pelo pão-nosso-de-cada-dia, mas não pelo cobertor-solitário-de-cada-noite. Agradeço a mim por mim mesmo e chega.
Agora no pedaço otimista do texto (não poderia faltar) eu acredito que este ano trará boas surpresas, e não tenho como duvidar, são 31.622.400 segundos novos, exceto os que já se passaram nos últimos doze dias e os aproximadamente 1.800 que desperdicei escrevendo este texto. Como vou passar cerca de 10.540.800 dormindo, outros 9.034.970 trabalhando, mais 1.317.600 comendo, além de uns 439.200 fazendo necessidades básicas, e alguns poucos milhões de segundos em outras futilidades, devem me sobrar quase 8.000.000 de segundos de surpresas em 2008. Tomara que sejam boas!
E já que de muito egoísta não posso desejar aos outros aquilo que não tenho, então não vou ficar aqui desejando paz espiritual, dinheiro, muito amor e sucesso. Desejo somente um ano com novidades e tudo o que de feliz há no novo.



Marcus Pantaleão.